quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A Beneficência

A Beneficência
Sede bons e caridosos: essa a chave dos céus, chave que tendes em vossas mãos.
Toda a eterna felicidade se contém neste preceito: "Amai-vos uns aos outros." Não pode a
alma elevar-se às altas regiões espirituais, senão pelo devotamento ao próximo; somente nos
arroubos da caridade encontra ela ventura e consolação. Sede bons, amparai os vossos irmãos,
deixai de lado a horrenda chaga do egoísmo. Cumprido esse dever, abrir-se-vos-á o caminho
da felicidade eterna. Ao demais, qual dentre vós ainda não sentiu o coração pulsar de júbilo,
de íntima alegria, à narrativa de um ato de bela dedicação, de uma obra verdadeiramente
caridosa? Se unicamente buscásseis a volúpia que uma ação boa proporciona, conservar-vos-í eis sempre na senda do progresso espiritual. Não vos faltam os exemplos; rara é apenas a
boa-vontade. Notai que a vossa história guarda piedosa lembrança de uma multidão de
homens de bem.

Não vos disse Jesus tudo o que concerne às virtudes da caridade e do amor? Por que
desprezar os seus ensinamentos divinos? Por que fechar o ouvido às suas divinas palavras, o
coração a todos os seus bondosos preceitos? Quisera eu que dispensassem mais interesse,
mais fé às leituras evangélicas. Desprezam, porém, esse livro, consideram-no repositório de
palavras ocas, uma carta fechada; deixam no esquecimento esse código admirável. Vossos
males provêm todos do abandono voluntário a que votais
esse resumo das leis divinas. Lede-lhe as páginas cintilantes do devotamento de Jesus, e
meditai-as.

Homens fortes, armai-vos; homens fracos, fazei da vossa brandura, da vossa fé, as
vossas armas. Sede mais persuasivos, mais constantes na propagação da vossa nova doutrina.
Apenas encorajamento é o que vos vimos dar; apenas para vos estimularmos o zelo e as
virtudes é que Deus permite nos manifestemos a vós outros. Mas, se cada um o quisesse,
bastaria a sua própria vontade e a ajuda de Deus; as manifestações espíritas unicamente se
produzem para os de olhos fechados e corações indóceis.

A caridade é a virtude fundamental sobre que há de repousar todo o edifício das
virtudes terrenas. Sem ela não existem as outras. Sem a caridade não há esperar melhor sorte,
não há interesse moral que nos guie; sem a caridade não há fé, pois a fé não é mais do que
pura luminosidade que torna brilhante uma alma caridosa.

A caridade é, em todos os mundos, a eterna âncora de salvação; é a mais pura
emanação do próprio Criador; é a sua própria virtude, dada por ele à criatura. Como desprezar
essa bondade suprema? Qual o coração, disso ciente, bastante perverso para recalcar em si e
expulsar esse sentimento todo divino? Qual o filho bastante mau para se rebelar contra essa
doce carícia: a caridade?

Não ouso falar do que fiz, porque também os Espíritos têm o pudor de suas obras;
considero, porém, a que iniciei como uma das que mais hão de contribuir para o alívio dos
vossos semelhantes. Vejo com freqüência os Espíritos a pedirem lhes seja dado, por missão,
continuar a minha tarefa. Vejo-os, minhas bondosas e queridas irmãs, no piedoso e divino
ministério; vejo-os praticando a virtude que vos recomendo, com todo o júbilo que deriva de
uma existência de dedicação e sacrifícios. Imensa dita é a minha, por ver quanto lhes honra o
caráter, quão estimada e protegida é a missão que desempenham. Homens de bem, de boa e
firme vontade, uni-vos para continuar amplamente a obra de propagação da caridade; no
exercício mesmo dessa virtude, encontrareis a vossa recompensa; não há alegria espiritual
que ela não proporcione já na vida presente. Sede unidos, amai-vos uns aos outros, 
segundo os preceitos do Cristo. Assim
seja. - S. Vicente de Paulo. (Paris, 1858.)

Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo. 112 edição. Capítulo XIII. Item 12. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet. org.br. Federação Espírita Brasileira. 1996. 

* * * Estude Kardec * * *

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