segunda-feira, 17 de outubro de 2011

150 Anos do Auto-de-Fé em Barcelona- 9 de outubro de 1861



Extraido do Livro Obras Póstumas
21 de setembro de 1861
(Em minha casa; médium: Sr. d’A...,)


AUTO-DE-FÉ EM BARCELONA. APREENSÃO DOS LIVROS

A pedido do Sr. Lachâtre, então residente em Barcelona,eu lhe enviara certa quantidade de O Livro dos Espíritos, de O Livro dos Médiuns, das coleções da Revista Espírita, além de diversas obras e brochuras espíritas, perfazendo um total de cerca de 300 volumes. A expedição da encomenda fora regularmente feita pelo seu correspondente em Paris, num caixão que continha outras mercadorias e sem a menor infração da legalidade. À chegada dos livros, fizeram que o destinatário pagasse os direitos de entrada, mas, antes de os entregarem, houve que ser entregue uma relação das obras ao bispo, pois, naquele país, a polícia de livraria competia à autoridade eclesiástica. O bispo se achava então em Madri. Ao regressar, tomando conhecimento da relação dos livros, ordenou que eles fossem apreendidos e queimados em praça pública pela mão do carrasco. A execução da sentença foi marcada para 9 de outubro de 1861.
Se se houvesse tentado introduzir aquelas obras comocontrabando, a autoridade espanhola teria o direito de dispor delas à sua vontade; mas, desde que absolutamentenão havia fraude, nem surpresa, como o provava o pagamento espontâneo dos direitos, fora de rigorosa justiça que se ordenasse a reexportação dos volumes, uma vez que não convinha se lhes admitisse a entrada. Ficaram, porém, sem resultado as reclamações apresentadas por intermédio do Cônsul francês em Barcelona. O Sr. Lachâtre me perguntou se valeria a pena recorrer à autoridade superior. Opinei por que se deixasse consumar o ato arbitrário; entendi, porém, acertado ouvir a opinião do meu guia espiritual.

Pergunta (à Verdade) — Não ignoras, sem dúvida, o que
acaba de passar-se em Barcelona, com algumas obras espíritas. Quererás ter a bondade de dizer-me se convirá prosseguir na reclamação para restituição delas?Resposta — Por direito, podes reclamá-las e conseguiriasque te fossem restituídas, se te dirigisses ao Ministro deEstrangeiros da França. Mas, ao meu parecer, desse auto-de-fé resultará maior bem do que o que adviria da leitura de alguns volumes. A perda material nada é, a par da repercussão que semelhante fato produzirá em favor daDoutrina. Deves compreender quanto uma perseguição tão ridícula, quanto atrasada, poderá fazer a bem do progresso do Espiritismo na Espanha. A queima dos livros determinará uma grande expansão das idéias espíritas e uma procura febricitante das obras dessa doutrina. As idéias se disseminarão lá com maior rapidez e as obras serão procuradas com maior avidez, desde que as tenham queimado. Tudo vai bem.

P. — Convirá que eu escreva a respeito um artigo para opróximo número da Revista?
R. — Espera o auto-de-fé.

Extraído de :
http://neofitoespirita.blogspot.com/2011/10/150-anos-do-auto-de-fe-em-barcelona-3.html


http://jornalespiritismoemacao.blogspot.com/

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