segunda-feira, 31 de outubro de 2011

ATO DE AMOR



Dizer ou não dizer ao filho que ele é adotado continua a ser, para muitos pais, um grande desafio.

Uns falam muito cedo, outros deixam para falar muito tarde e a falta de habilidade para falar das circunstâncias que levaram à adoção, por vezes, cria algumas dificuldades de relacionamento.

Adoção, contudo, é um ato especial de amor. Por isso, aquela mãe não se cansava de repetir, quase toda noite, a história.

Quando chegava a hora de dormir, ela se deitava ao lado da menina, acariciava os seus cabelos, a aconchegava e lhe dizia como ela era uma criança especial. E muito amada.

Durante muito tempo, contava, seu pai e eu quisemos ter um bebê. Oramos para que eu ficasse grávida. Os anos se passaram e nada aconteceu.

Começamos a compreender que Deus tinha algo diferente para nós, e decidimos adotar um bebê. Um bebê cuja mãe não tivesse condições de cuidá-lo.

Então, um dia, o telefone tocou e uma voz do outro lado da linha me disse que o nosso bebê havia acabado de nascer. Era uma menina.

Telefonei ao seu pai no escritório. Ele veio correndo para casa e fomos até o hospital.

Por detrás do vidro do berçário, ficamos olhando a fileira de bercinhos com os bebês recém-nascidos, tentando adivinhar qual era você.

Não víamos a hora de trazê-la para casa e apresentá-la à nossa família e aos amigos. Quando chegamos frente ao portão, havia uma multidão de amigos com presentes nas mãos, ansiosos por conhecer nosso bebê.

Filha, você tem sido uma bênção para nós. A melhor coisa que seu pai e eu fizemos na vida foi adotar você.

A mãe se empolgava ao contar. A filha adorava ouvir. E toda vez sentia que ser adotada era uma coisa muito especial. Ela havia sido escolhida.

Quando a menina cresceu, casou-se e engravidou, a mãe foi visitá-la. Ela estava no sétimo mês de gravidez e se sentia muito desconfortável.

O bebê não parava de chutar. Enquanto a jovem gemia e levava a mão ao ventre, sua mãe lhe disse:  Deve ser uma coisa maravilhosa sentir o chute de um bebê na barriga.

De repente, a filha se deu conta que sua mãe nunca sentira um bebê no útero. Por isso, tomou as mãos da mãe, colocou-as na sua barriga e falou: Mãe, sinta sua neta.

Uma extraordinária expressão de alegria se estampou no rosto daquela mãe, que nunca pudera ter uma gestação, que nunca pudera sentir o filho no seu ventre.

E a filha compreendeu que naquele momento oferecia para sua mãe, aquela mulher que a adotara com tanto amor, um presente que ela nunca pôde sentir pessoalmente.

Ela havia recebido tantos presentes ao longo da sua vida; sempre fora imensamente amada e acarinhada. E agora podia repartir um momento muito especial com aquela mulher especial, que era sua mãe.


A maternidade do coração é tão vigorosa quanto a do corpo.

Quem adota, o faz por amor. Pais de adoção são almas que sustentam outra alma, vidas completas que amparam uma vida em desenvolvimento.

Seu querer é suave como a claridade da lua e forte como somente o amor abnegado pode se tornar.

São anjos anônimos e abençoados na multidão, demonstrando que o amor é Deus e Dele tudo procede e que pessoa alguma é propriedade de outra, porque todos somos filhos Seus, nutridos pelo Seu amor.


Redação do Momento Espírita com base no cap. Eu fui escolhida, do livro
Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray, ed. United Press e cap.
Filho adotivo; cap. Mãe adotiva, do livro S O S Família, por Espíritos
diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário