terça-feira, 18 de outubro de 2011

Paulo e a Lei do Progresso

  Paulo e a Lei do Progresso      

“A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem,  mas também
o mal.” (Hb 5.11-14) [1]

Este artigo apresenta a preocupação, já antiga no meio espírita, de evidenciar a conexão necessária entre a Bíblia e a Terceira Revelação. Aquele livro, cujo conteúdo traz a mensagem mosaica, da justiça, e cristã, do amor, vem tornar-se completo com a Doutrina Espírita, de ensinamentos sobre a verdade. Dessa indispensável leitura da Bíblia, com olhos críticos, como advertiu Allan Kardec em A Gênese, o diálogo entre as Revelações nos dá lições do verdadeiro Deus e Sua Justiça e de tudo que Dele promana.

Com o aviso ponderado de J. Herculano Pires, na obra Visão Espírita da Bíblia: “O Espiritismo nasceu cristão, fundamentado nos Evangelhos, como vemos desde O Livro dos Espíritos, e tendo a Bíblia como o seu mais profundo fundamento, como a pedra mais funda do seu alicerce. Está claro que a pedra do alicerce deve ficar ali, como base. Mas, que podemos esperar, se começarmos a cavar a terra e ferir a pedra, com a intenção de destruí-la?”.

Assim, dentro da harmonia que transborda da comunicação entre as Revelações, vê-se na passagem acima transcrita, da epístola aos Hebreus, Paulo, o Apóstolo dos Gentios, trazer-nos orientação sobre o Progresso, necessário e inexorável, por que toda a humanidade deve passar.

Ele nos chama a atenção para a nossa tardia evolução, mesmo quando já existiam leis tão verdadeiras quanto as que o Cristo veio nos concitar a cumprir. Afirma que já estaríamos em condições de sermos mestres, pelo tempo transcorrido desde nossa criação até o momento, caso tivéssemos recebido os ensinamentos vindos do Mais Alto. Contudo, ele mesmo informa que nos encontramos como crianças, inexperientes na palavra da justiça, carentes de, novamente, receber instruções, porquanto as anteriores foram perdidas, devido à nossa infantilidade espiritual.

No passo lento e regular da evolução, O Livro dos Espíritos, na questão 801 e sua respectiva resposta, vem avisar que os tempos são outros, por isso a exigência de completar-se o entendimento das palavras de Paulo, para os adeptos do Espiritismo. O Espírito de Verdade responde a Allan Kardec “(...) Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou desfiguraram, mas que podem compreender agora”.[2]

Os ensinos contidos no decálogo mosaico e as maravilhas lecionadas por Jesus Cristo não foram suficientes para despertar-nos, naquelas épocas, para a verdadeira vida e comunhão com Deus. O Mestre sabia de nossa condição, por isso afirmou que enviaria o Consolador Prometido, “que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece” (Jo 14.17)[3]. A Espiritualidade Maior, cumpridora dos desígnios do Pai Celestial, para que evoluíssemos, trouxe, então, a sabedoria da Doutrina Espírita.

Agora não somos mais crianças; já engatinhamos algum espaço, distante um pouco da nossa simplicidade e ignorância. Podemos consumir alimento sólido, capazes que somos de digerir os ensinamentos do Mundo Maior. Esse alimento, continuação que é do Cristianismo puro, cujo Autor é o “Pão da Vida”, chama-nos a provar o sabor da fé. A fé com obras, aquela que eleva o Espírito até os céus, com serviço e caridade.

Já é tempo de começarmos a andar, a progredir pelo Caminho da porta estreita. Seguir o Cristo, eis a missão de todo espírita verdadeiro, homem velho na noite dos tempos, jovem no aprendizado do amor.


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[1] ALMEIDA, João Ferreira de (trad.). A Bíblia Sagrada. 2 ed. revista e atualizada no Brasil. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993. p. 181.

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra a partir da 2ª, 4ª, 5ª, 6ª, 10ª e 12ª edições francesas. Edição especial. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006. p. 440.

[3] ALMEIDA, op. cit., p. 91.

        Arísio Antonio Fonseca Junior


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