segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Entrevista com Marlene Nobre


Centro Espírita Amor e Caridade Santarritense

Entrevista com Marlene Nobre

by ceacgallo

 
(Entrevista concedida por Marlene Nobre à Folha Espírita, em maio de 2007, ocasião em que lançou o livro "O Dom da Mediunidade")

Mediunidade é um dom ?
A FE Editora Jornalística lançou o livro "O Dom da Mediunidade – Um sentido novo para a vida humana, um novo sentido para a humanidade"-. Da autora Marlene Nobrepresidente das Associações Médico-Espíritas do Brasil e Internacional, o livro reúne os estudos sobre mediunidade contidos nos 14 livros da coleção de André Luiz. Assim como em A Obsessão e suas Máscaras, O Dom da Mediunidade segue a mesma linha, para um dia ser estudado nas universidades. Entre outros, são examinados os fenômenos anímicos e espiríticos: exteriorização da sensibilidade, desdobramento e bicorporeidade, materialização, curas, vidência, audiência, psicografia, psicofonia e psicometria.

Folha Espírita – Qual foi a sua intenção ao escolher o título do livro?
Marlene Nobre – A mediunidade é um dom concedido por Deus a todas as criaturas humanas, como o dom ou a faculdade de respirar. Conforme instrução do mentor Alexandre, no livro de André Luiz Missionários da Luz, pela psicografia de Chico Xavier, esse dom significa um sentido novo da criatura humana, expresso através da atividade da glândula pineal. Por sua vez, esse sentido novo, que é a mediunidade, dá um novo significado à existência humana, uma nova perspectiva de evolução para a humanidade.
FE – Como a obra é constituída?
Marlene – O livro é constituído de três partes: Introdução Geral; Fenômenos Anímicos; e Fenômenos Espiríticos: de Efeitos Físicos e Efeitos Intelectuais. Na Introdução Geral, analisamos a definição de mediunidade e seus sintomas, o que é ser médium ostensivo e atuar no sentido mais amplo do termo, o papel da glândula pineal, a importância da aura e do pensamento, e, sobretudo, destacamos o mecanismo da exteriorização da sensibilidade, algo pouco referido, mas que é muito importante nos estudos sobre mediunidade. Procuramos, nas duas outras partes, classificar a mediunidade em dois grandes grupos: o dos Anímicos e o dos Espiríticos, mostrando como é difícil essa tentativa de classificação. Enfim, focalizamos os efeitos físicos e intelectuais desses fenômenos.
FE – Por que reunir, em uma única obra, os textos sobre mediunidade relatados por André Luiz em seus livros?
Marlene – Tal como fiz em A Obsessão e suas Máscaras, reuni aqui tudo quanto estudei sobre mediunidade nos 14 livros de André Luiz. Fiz isso no estudo da obsessão, repeti agora no da mediunidade e continuarei a fazê-lo relativamente a outros temas, dada a importância das revelações contidas nessa extraordinária coleção. Acredito, da mesma forma que Hernani Guimarães Andrade, que um dia ela será estudada nas universidades, daí a necessidade de nos prepararmos, desde já, para isso.
FE – O que é mediunidade? Qual a importância de conhecê-la nos dias de hoje?
Marlene – Mediunidade é o sentido novo concedido ao ser humano que lhe possibilita a ampliação e a perfectibilidade dos sentidos, aumentando a sua capacidade de comunicação e expressão, quer seja com os outros espíritos encarnados ou com os desencarnados. Passados tantos milênios, é preciso que, finalmente, deixemos de lado os tabus e preconceitos e aceitemos a mediunidade como uma faculdade inerente ao ser humano.
FE – De que maneira percebemos atitudes ou comportamentos em nosso dia-a-dia, fora da comunidade espírita, cuja causa, ou razão de ser, é oriunda de uma manifestação espiritual atuando sobre o corpo físico através da mediunidade?
Marlene – Para começar – e não é pouco –, todos os crimes e violências do dia-a-dia são ações perversas planejadas por espíritos encarnados em sintonia com os desencarnados. O ser humano não age isoladamente, mas em condomínio. Através dos pensamentos que cultiva, entra em conluio com desencarnados que pensam e agem como ele. E a ação fica superlativa. Além disso, dou os sintomas da mediunidade no livro. Seria bom verificarmos de que maneira podemos estar sendo instrumentos do bem ou do mal em relação a nós e aos outros.
FE – Mediunidade é doença? Qual a cura para ela?
Marlene – Mediunidade não é doença. O médium não tem possibilidade de se livrar dela, porque a faculdade lhe foi concedida, a seu próprio pedido, antes da encarnação, para favorecer-lhe a evolução espiritual. O que ele precisa é ficar atento ao uso, à aplicação que faz dela. A obsessão, sim, é doença espiritual, porque se trata da mediunidade patológica ou torturada, que deve ser tratada com empenho, paciência e dedicação.
FE – Como perceber se um pensamento ou atitude é nosso ou sugerido por outra inteligência que não a nossa?
Marlene – Na maioria das vezes, não distinguimos se é nosso ou não, principalmente se não temos muita experiência no trato com as questões espirituais, por isso recolhemos as “respostas” dos invisíveis, misturadas ao emaranhado dos nossos próprios pensamentos. No entanto, não há quem não possa distinguir entre a sugestão de uma ação boa ou má. A atitude final cabe à criatura encarnada, porque, afinal de contas, a decisão é sempre do espírito morador. Utilizamos o nosso livre-arbítrio, responderemos, portanto, por nossas ações.
FE – Quando percebemos que o pensamento não é nosso, o que fazer?
Marlene – Se conseguimos distinguir, devemos orar quando o pensamento não é bom, pedindo a Deus pelo espírito equivocado e por nós mesmos para não cairmos na tentação do erro. Quando é bom, devemos agradecer.
FE – Quais são os inconvenientes em nossa vida de uma mediunidade não orientada? E as pessoas de religiões que não aceitam a mediunidade e são médiuns?
Marlene – Quando a mediunidade não é canalizada no auxílio à humanidade de forma generosa e desinteressada, podem surgir, como fruto da má ou da não utilização, doenças corpóreas e transtornos mentais. Aos que têm outra religião, constitui nosso dever dizer do que se trata, dar o diagnóstico e deixar a decisão por conta deles.
FE – Quais os benefícios em nossa vida de uma mediunidade bem orientada?
Marlene – Tomemos como exemplo o maior médium de todos os tempos – Chico Xavier: os frutos benéficos foram e continuam a ser extraordinários. Não podemos esquecer, todavia, que tudo foi possível graças à sua doação pessoal em abnegação, renúncia e bondade.
FE – De que maneira direcionar a mediunidade de modo a obter esses benefícios?
Marlene – Mediunidade bem direcionada é sinônimo de médium disposto a servir à humanidade de forma gratuita e honesta, dentro do espírito de renúncia e humildade, exemplificado por Jesus. Os benefícios, em geral, são de ordem espiritual, por isso nem sempre os médiuns persistem. Muitos desistem ante as lutas grandes e ásperas que têm de travar no mundo conturbado que habitamos.

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