quarta-feira, 9 de novembro de 2011

PESQUISA ESPÍRITA E ESPIRITUALISTA


PESQUISA ESPÍRITA E ESPIRITUALISTA
Alexandre Fontes da Fonseca
Instituto de Física da USP
 
Nos últimos meses, estivemos discutindo questões ligadas ao tema Universidade e Espiritismo. Destacamos a importância da vivência cristã nos ambientes acadêmicos e discutimos alguns cuidados perante a inserção de projetos espíritas nas universidades. Analisamos, por outro lado, as possíveis funções e características dos componentes de uma Universidade que tenha o adjetivo espírita [1] propondo critérios de avaliação justos para que ela cumpra seu papel social, educativo, doutrinário e moral junto à sociedade. Na presente matéria, desejamos discutir a questão sobre os temas de pesquisa que uma Universidade Espírita pode e deve incentivar, patrocinar e realizar.
 
Em matéria anterior [1] afirmamos que a Universidade Espírita deve realizar, além das pesquisas espíritas, pesquisas de caráter usual, isto é, de interesse puramente acadêmico e material para que ela possa conquistar o seu espaço como uma verdadeira universidade. Antes que alguém possa questionar, lembramos que a Universidade Espírita deve estar atenta para não patrocinar nenhum tipo de pesquisa acadêmica que tenha motivação bélica ou menos digna. 
 
Pretendemos discutir a importância e o caráter do outro tipo de pesquisas que a Universidade Espírita, por definição, pode e deve se dedicar: as pesquisas espíritas.
 
O que seria, então, uma pesquisa espírita? Os cientistas e estudiosos, em geral, tem uma idéia bastante precisa sobre o que significa um trabalho de pesquisa. Mas, que valores o adjetivo espírita carrega consigo? Para responder essa questão, analisaremos o que se pode entender por pesquisas doutrinariamente espíritas (redundância proposital) e, em seguida, analisaremos a legitimidade e utilidade, dentro das Universidades Espíritas, de trabalhos de pesquisa espiritualistas, isto é, de interesse ou motivados por outras filosofias e doutrinas espiritualistas.
 
PESQUISA DOUTRINARIAMENTE ESPÍRITA
 
A redundância presente no título desta seção enfatisa a essência da idéia que queremos transmitir. Uma Universidade Espírita deve honrar o adjetivo espírita de sua denominação. Para isso, não é suficiente que ela apenas ofereça cursos livres sobre o Espiritismo. Os centros espíritas já fazem isso com grande eficiência e aproveitamento. Muito menos, deve a Universidade Espírita inserir cursos obrigatórios de Espiritismo dentro da grade curricular dos cursos superiores que ela oferece (o Espiritismo não deve, ao nosso ver, se tornar um curso com notas e diplomas). Ela deve sempre destinar parte de seu tempo e recursos para realizar pesquisas espíritas, isto é, pesquisas cujos temas estejam dentro do escopo da Doutrina dos Espíritos vigiando para não realizar, por engano, pesquisas “pseudo-científicas” ou de caráter puramente místico em nome de modismos ou de interesse financeiro.
 
 Caso seus dirigentes pensem de forma diferente, o que respeitamos, é preferível que a Universidade não se chame “Espírita” por uma razão muito séria. Sendo a divulgação do Espiritismo um dos maiores objetivos do movimento espírita, devemos zelar pelo que está sendo divulgado como espírita. As pessoas que buscam os eventos e instituições espíritas realizados pelo Movimento Espírita têm o direito de receber orientação segura e genuína sobre o que é o Espiritismo. No caso de uma Universidade Espírita, a responsabilidade é muito grande pois a idéia de universidade para as pessoas é de “local de conhecimento”. É preciso, então, que esse local de conhecimento espírita não se esqueça de trabalhar assuntos espíritas. A preocupação é que existem muitos temas paralelos que parecem espíritas, mas pertencem a outras filosofias espiritualistas. Como “local de conhecimento”, a Universidade Espírita deve ser firme na postura verdadeiramente científica e espírita para que ela possa cumprir seu papel no progresso da humanidade. Para isso, a Universidade Espírita tem o dever de separar e discernir os seus temas de trabalho espíritas de modo a preservar o Espiritismo de idéias “pseudo-científicas” muito comuns nos dias de hoje. Quem não me deixa mentir é Bezerra de Menezes em mensagem psicografada por Divaldo P. Franco e reproduzida em número recente da revista Reformador [2]:
 
“É necessário preservar o Espiritismo conforme o herdamos do eminente Codificador, mantendo-lhe a claridade dos postulados, a limpidez dos seus conteúdos, não permitindo que se lhe instale adenda perniciosa, que somente irá confundir os incautos e os menos conhecedores das suas diretrizes.”
 
Vemos nessas palavras uma síntese do que significa honrar o adjetivo espírita.
 
Para não ficar circunscrito a idéias próprias, citaremos alguns tópicos de pesquisa espíritas que possuem caráter genuinamente científico, propostos pelo Prof. Silvio S. Chibeni [3,4]:
 
Evolução do espírito: o elemento espiritual dos seres dos reinos inferiores; origem dos espíritos humanos; encarnação e reencarnação; pluralidade dos mundos habitados.
 
 
O mundo espiritual.
 
Interação espírito-corpo: perispírito, efeitos psicossomáticos, mediunidade.
 
Implicações morais (uma área científica e filosófica): livre-arbítrio, lei de causa e efeito.
 
Esses são alguns exemplos importantíssimos de áreas que são perfeitamente válidas cujo desenvolvimento trará muitos benefícios a toda sociedade. Podemos acrescentar as pesquisas sobre a História do Movimento Espírita; o estudo profissional dos pontos de contato entre as ciências materiais e o Espiritismo;  a Educação sob o prisma espírita; etc. Os temas não param por aqui.
 
 
PESQUISA ESPIRITUALISTA
 
Comentamos em matéria anterior [1] que a Universidade Espírita deve dedicar parte de seu esforço a pesquisas usuais. Por quê, então, discernir e buscar separar os assuntos qualificados como místicos? Essa é uma boa questão que precisa ser bem esclarecida para que não caiamos no erro do extremismo e da intolerância que tantos autores, encarnados e desencarnados, insistem em alertar.
 
Separando e colocando de lado o que é exagero e puro misticismo em todas as questões espiritualistas, todo assunto de pesquisa é legítimo e pode ser trabalhado em acordo com seu campo paradigmático. Porém, cumpre lembrar que a Universidade Espírita deve buscar o estudo e pesquisa sérios sobre esses assuntos buscando as bases não somente espiritualistas mas também materiais dos fenômenos para explicá-los corretamente. Por exemplo, quando se estuda o efeito da ação de lasers em tecidos biológicos, está sendo feito uma pesquisa cromoterápica já que a frequência da radiação luminosa é um fator importante. Neste caso, temos uma pesquisa científica livre de aspectos místicos envolvendo conhecimentos da Física e Biologia. Somente após conhecer profundamente os efeitos materiais da interação entre a luz e os tecidos vivos é que poderemos analisar e discernir quanto aos efeitos de ordem fluídica da luz. O mesmo é válido para as pesquisas sobre terapias alternativas. A realização de trabalhos de pesquisa sobre temas espiritualistas sob a luz do Espiritismo seria de proveito “... para vossa instrução”, como disseram os espíritos em resposta à questão 628 do Livro dos Espíritos [5].
 
 Desejamos destacar, também, que alguns assuntos que atraem o interesse do imaginário popular, (cristais, vida extraterrestre, doutrinas secretas, cura quântica, gnomos e fadas, etc.) não são científicos somente porque seus títulos usam palavras científicas.
 
A Universidade Espírita deverá divulgar a demonstração de que assuntos puramente doutrinários são completamente científicos [3,4]. Ela deve ajudar as pessoas a perceberem o que Kardec sempre disse, e nem todos se deram conta: o Espiritismo tem valor científico; os ensinamentos dos espíritos superiores tem respaldo nos fatos; as leis morais são tão naturais quanto as leis materiais.
 
“Ao Espiritismo, pois, tem cabido a tarefa de colocar Jesus no centro das aspirações humanas, em considerando a Lei de Amor de que Ele se fez especial modelo para viger entre todas criaturas.”
 
Aproveitando ainda a mensagem da referência [2], transcrevemos as seguintes palavras de Bezerra sobre o papel do Espiritismo:
 
A Universidade Espírita não pode perder de vista esta tarefa. Ela deve aproveitar o aspecto científico do Espiritismo para concretizar a Lei de Amor como lei da natureza tão ou mais importante do que qualquer outra lei dita científica. Adiante, Bezerra acrescenta:
 
“Não revidar ofensas, manter a consciência do dever acima de quaisquer conjunturas, perseverar quando outros abandonam ou são vítimas de defecções, porfiar no bem comum e viver a caridade sob todos os aspectos possíveis, dominados pelo amor que deflui do incomparável Amigo e Benfeitor, são as diretrizes de ontem como de hoje.”
 
A Universidade Espírita, assim como todos os setores de atuação do Movimento Espírita, devem se esforçar por demonstrar às pessoas que as diretrizes acimas constituem na melhor solução para os males da sociedade. Particularmente, a Universidade Espírita terá um poder de opinião por representar o trabalho e esforço do pensamento humano. E nos dias de hoje onde os intelectuais se crêem superiores ao sentimento, a Universidade Espírita será uma voz ante o ruído e uma luz na escuridão a transmitir a Lei de Amor não mais como mero objeto de crença, mas como solução científica para o progresso da humanidade.
 
Publicado no Jornal Alavanca 494, Agosto de 2004, p. 3.
 
Referências
[1] A. F. da Fonseca, Universidade Espírita: Função e Componentes (2004), Jornal Alavanca 492, p. 3.
[2] B. de Menezes, psicografado por D. P. Franco, Brilhe a vossa luz 2004, Reformador  n. 2102-a, Maio, p. 30-31.
[3] Os artigos do Prof. Chibeni e colaboradores podem ser obtidos na seguinte homepage: http://www.geocities.com/Athens/Academy/8482/
[4] S. S. Chibeni, Ciência Espírita 1991, Revista Internacional de Espiritismo Março, p. 45-52.
[5] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76a. Edição, (1995).
 
 
 
 
Com esta mensagem eletrônica
seguem muitas vibrações de paz e amor
para você
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