quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Em Reverência


Ei-la cansada, com o peito ofegante e o andar em desalinho, que passa...

O tempo sulcou-lhe a face, apergaminhando- a, deixando em cada ruga um
sofrimento, uma decepção, uma amargura.

Quem a vê não é capaz de avaliar as lutas que travou com estoicismo
demorado.

Talvez tenha vendido o corpo para que o pão minguado não faltasse
totalmente em casa, ou a gota de leite nutriente não fosse negado ao filho, que
sustentou com abnegação e devotamento.

Possivelmente, quando percebeu a presença do gérmen da vida
movimentando- se na intimidade do ventre e cantou a notícia aos ouvidos do
amor que a fecundou, foi convidada a extirpá-lo e preferiu a rota da soledade,
do abandono, ao infanticídio. ..

Quem sabe os demorados travos de amargura que lhe tisnaram os lábios e
os silêncios que foram sufocados no coração, a fim de que, misturando as suas
com as lágrimas do filho, não o deixasse sofrer em demasia?...

Há, sim, muitas mães que se transformaram em hienas desapiedadas.
Outras se fizeram indiferentes ao sublime cometimento maternal, deixando os
filhos a esmo. Muitas, incontáveis, fizeram-no vitimadas pela miséria, pela
ignorância, pelo desespero... E são, no entanto, exceção.

Um sem número de jovens traídas no sonho de felicidade a que se
deixaram arrastar, santificaram as horas mais tarde sustentando o filhinho nos
braços como o mais precioso tesouro que jamais ambicionaram.

Desde a hora em que lhes sorriu o pedacinho daquela vida, parte da sua
vida, elas se esqueceram de si mesmas e empenharam-se com sofreguidão a
protegê-lo, acalentando, talvez, a ambição de receberem um amparo mais
tarde para si mesmas, não obstante amparando em regime integral de proteção
e defesa o filhinho que sustinham nos braços...

Há, também, os filhos ingratos, que se transformaram em abutres que
sobrevoam o quase cadáver de quem lhes ofertou o vaso orgânico...

Também os há que se converteram em regaço de luz e em aroma de
benignidade, em santa devoção, tentando retribuir...

Mães - estrelas da Vida, multiplicando vidas!

Filhos - gemas brutas a serem trabalhadas para as fulgurações estelares!

*

Muitos corpos não geraram outros corpos, no entanto fizeram-se mães da
dedicação em nome do amor de Nosso Pai, sustentando essas vidas que não
se estiolaram porque elas tomaram a si o ministério de socorrê-las e ampara-las.

São as mães da abnegação e do sofrimento.. .

Em singela manjedoura, um dia, uma mulher sublime fez-se Mãe
Santíssima e depois de uma cruz de infâmia transformou- se na mãe-modelo de
todas as mães, simultaneamente mãe de todos nós.

Quando as criaturas da Terra evocam para homenagear a própria genitora,
Maria, a Santíssima, roga ao Filho Celeste que abençoe a Humanidade,
especialmente as mães, no momento em que, ultrajada e sofrida, a
maternidade é considerada punição e desgraça pelas mulheres e pelos
homens que passam enlouquecidos na direção do desespero...

*

"Honrai a vosso pai e a vossa mãe".
Lucas: capítulo 18º, versículo 20.

*

"Honrar a seu pai e a sua mãe não consiste apenas em respeitá-los;
é também assisti-los na necessidade; é proporcionar- lhes repouso
na velhice; é cercá-los de cuidados como eles fizeram conosco na
infância".
Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 14º - Item 3, parágrafo 2.

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Florações Evangélicas. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Capítulo 44. Salvador, BA: LEAL. 

* * * Estude Kardec * * *

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