segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Fama de Rico


O coronel Manoel Rabelo, influente fazendeiro no Brasil Central, fora acometido de
paralisia nas pernas.

Vivia no leito, rodeado pelos filhos atentos. Muito carinho. Assistência contínua.

No decurso da doença veio a conhecer a Doutrina Espírita, que lhe abriu novos horizontes
à vida mental.

Pouco a pouco desprendia-se da idéia de posse.

Para que morrer com fama de rico?

Queria agora a paz, a bênção da paz.

Viúvo, dono de expressiva fortuna e prevendo a desencarnação próxima, chamou os
quatro filhos adultos e repartiu entre eles os seus bens.

Terras, sítios, casas e animais, avaliados em seis milhões de cruzeiros, foram divididos
escrupulosamente.

Com isso, porém, veio a reviravolta.

Donos de riqueza própria, os filhos se fizeram distantes e indiferentes.

Muito embora as rogativas paternas, as visitas eram raras e as atenções inexistentes.

Rabelo, muito triste e quase completamente abandonado, perguntava a si mesmo se não
havia cometido precipitação ou imprudência.

Os filhos não eram espíritas e mostravam irresponsabilidade completa.

Nessa conjuntura, apareceu-lhe antigo e inesperado devedor. O Coronel Antônio Matias,
seu amigo da mocidade, veio desobrigar-se de empréstimo vultuoso, que havia tomado
sob palavra, e pagou-lhe dois milhões de cruzeiros em cédulas de contado.

Na presença de dois filhos, Rabelo colocou o dinheiro em cofre forte, ao pé da cama.
Sobreveio o imprevisto.

Os quatro filhos voltaram às antigas manifestações de ternura. Revezavam-se junto dele.

Papas de aveia. Caldos de galinha. Frutas e vitaminas.

Mantinham os cobertores quentes e fiscalizavam a passagem do vento pelas janelas.

Raramente Rabelo ficava algumas horas sozinho.

E, assim, viveu ainda dois anos, desencarnando em grande serenidade.

Exposto o cadáver à visitação pública, fecharam-se os filhos no quarto do morto e,
abrindo aflitamente o cofre, somente encontraram lá um bilhete escrito e assinado pela
vigorosa letra paterna, entre as páginas de surrado exemplar de "O Evangelho segundo o
Espiritismo" .

O papel assim dizia:

"Meus filhos,

Deus abençoe vocês todos.

O dinheiro que me restava distribuí entre vários amigos para obras espíritas de caridade.
Lego, porém, a vocês, o capítulo décimo quarto de "O Evangelho segundo o Espiritismo" .
E os quatro, extremamente desapontados, leram a legenda que se seguia:

"Honrai a vosso pai e a vossa mãe. - Piedade filial."

Xavier, Francisco Cândido; Vieira, Valdo. Da obra: Almas em Desfile. Ditado pelo Espírito Hilário Silva. FEB. 

* * * Estude Kardec * * *

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