segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Família


Conceito - Grupamento de raça, de caracteres e gêneros semelhantes, 
resultado de agregações afins, a família genericamente, representa o clã social 
ou de sintonia por identidade que reúne espécimes dentro da mesma 
classificação. Juridicamente, porém, a família se deriva da união de dois seres 
que se elegem para uma vida bem comum, através de um contrato, dando 
origem à genitura da mesma espécie. Pequena república fundamental para o 
equilíbrio da grande república humana representada pela nação.

A família tem suas próprias leis, que consubstanciam as regras de bom 
comportamento dentro do impositivo do kespeito ético, recíproco entre os seus 
membros, favorável à perfeita harmonia que deve vigir sob o mesmo teto em 
que se agasalham os que se consorciam.

Animal social, naturalmente monogâmico, o homem, na sua 
generalidade, somente se realiza quando comparte necessidades e aspirações 
na conjuntura elevada do lar.

O lar, no entanto, não pode ser configurado como a edificação material, 
capaz de oferecer segurança e paz aos que aí se resguardam. A casa são a 
argamassa, os tijolos, a cobertura, os alicerces e os móveis, enquanto o lar são 
renúncia e a dedicação, o silêncio e o zelo que se permitem àqueles que se 
vinculam pela eleição afetiva ou através do impositivo consangüíneo, 
decorrente da união.

A família, em razão disso, é o grupo de espíritos normalmente 
necessitados, desajustados, em compromisso inadiável para a reparação, 
graças à contingência reencarnatória. Assim, famílias espirituais 
freqüentemente se reúnem na Terra em domicílios físicos diferentes, para as 
realizações nobilitantes com que sempre se viram a braços os construtores do 
Mundo.

Retornam no mesmo grupo consangüíneo os espíritos afins, a cuja 
oportunidade às vezes preferem renunciar, de modo a concederem aos 
desafetos e rebeldes do passado o ensejo da necessária evolução, da qual 
fruirão após as renúncias às demoradas uniões no Mundo Espiritual.. .

Modernamente, ante a precipitação dos conceitos que generalizam na 
vulgaridade os valores éticos, tem-se a impressão de que paira rude ameaça 
sobre a estabilidade da família.

Mais do que nunca, porém, o conjunto doméstico se deve impor para a 
sobrevivência a benefício da soberania da própria Humanidade.

A família é mais do que o resultante genético... São os ideais, os sonhos, os 
anelos, as lutas e árduas tarefas, os sofrimentos e as aspirações, as tradições 
morais elevadas que se cimentam nos liames da concessão divina, no mesmo 
grupo doméstico onde medram as nobres expressões da elevação espiritual na 
Terra.

Quando a família periclita, por esta ou aquela razão, sem dúvida a 
sociedade está a um passo do malogro...

Histórico - Graças ao instinto gregário, o homem, por exigência da 
preservação da vida, viu-se conduzido à necessidade da cooperação recíproca, 
a fim de sobreviver em face das ásperas circunstâncias nos lugares onde foi 
colocado para evoluir. A união nas necessidades inspirou as soluções para os 
múltiplos problemas decorrentes do aparente desaparelhamento que o fazia 
sofrer ao lutar contra os múltiplos fatores negativos que havia por bem superar.

Formando os primitivos agrupamentos em semi-barbárie, nasceram os 
pródromos das eleições afetivas, da defesa dos dependentes e submissos, 
surgindo os lampejos da aglutinação familial.

Dos tempos primitivos aos da Civilização da Antigüidade Oriental, os valores 
culturais impuseram lentamente as regras de comportamento em relação aos 
pais -representativos dos legisladores, personificados nos anciãos; destes 
para os filhos - pela fragilidade e dependência que sempre inspiram; entre 
irmãos - pela convivência pacífica indispensável à fortaleza da espécie; ou 
reciprocamente entre os mais próximos, embora não subalternos ao mesmo 
teto, num desdobramento do próprio clã, ensaiando os passos na direção da 
família dilatada...

A Grécia, aturdida pela hegemonia militar espartana, não considerou 
devidamente a união familial, o que motivou a sua destruição, ressalvada 
Atenas, que, não obstante amando a arte e a beleza, reservava ao Estado os 
deveres pertencentes à família, facultando-a sobreviver por tempo maior, mas 
não lobrigando atingir o programa estético e superior a que se propuseram os 
seus excelentes filósofos.

A Roma coube essa indeclinável tarefa, a princípio reservada ao patriciado, 
e depois, através de leis coordenadas pelo Senado, que alcançaram as classes 
agrícolas, militares, artísticas e a plebe, facultando direitos e deveres que, 
embora as hediondas e infelizes guerras, se foram fixando no substrato social e 
estabelecendo os convênios que o amor sancionou e fixou como técnica
segura de dignificação do próprio homem, no Conjunto da família.

A Idade Média, caracterizada pela supremacia da ignorância, desfigurou a 
família com o impositivo de serem doados os filhos à Igreja e ao suserano 
dominador, entibiando por séculos a marcha do espírito humano.

Aos enciclopedistas foi reservada a grandiosa missão de, em 
estabelecendo os códigos dos direitos humanos, reestruturarem a família em 
bases de respeito para a felicidade das criaturas.

Todavia, a dialética materialista e os modernos conceitos sensualistas, 
proscrevendo o matrimônio e prescrevendo o amor livre, voltam a investir 
contra a organização familial por meio de métodos aberrantes, transitórios, e 
certo, mas que não conseguirão, em absoluto, qualquer triunfo significativo.

São da natureza humana a fidelidade, a cooperação e a fraternidade como 
pálidas manifestações do amor em desdobramento eficaz. Tais valores se 
agasalham, sem dúvida, no lar, no seio da família, onde se arregimentam
forças morais e se caldeiam sentimentos na forja da convivência doméstica.

Apesar de a poliandria haver gerado o matriarcado e a promiscuidade 
sexual feminina, a poligamia, elegendo o patriarcado, não foi de menos 
infelizes conseqüências.

Segundo o eminente jurista suíço Bachofen, que procedeu a pesquisas 
históricas inigualáveis sobre o problema da poliandria, a mulher sentiu-se 
repugnada e vencida pela vulgaridade e abuso sexual, de cuja atitude surgiria o 
regime monogâmico, que ora é aceito por quase todos os povos da Terra.

Conclusão - A família, todavia, para lograr a finalidade a que se destina, 
deve começar desde os primeiros arroubos da busca afetiva, em que as 
realizações morais devem sublevar às sensações sexuais de breve 
durabilidade.

Quando os jovens se resolvem consorciar, impelidos pelas imposições 
carnais, a futura família já padece ameaça grave, porqüanto, em nenhuma 
estrutura se fundamenta para resistir aos naturais embates que a união a dois 
acarreta, no plano do ajustamento emocional e social, complicando- se, 
naturalmente, quando do surgimento da prole.

Fala-se sobre a necessidade dos exames pré-nupciais, sem dúvida 
necessários, mas com lamentável descaso pela preparação psicológica dos 
futuros nubentes em relação aos encargos e às responsabilidades 
esponsalícias e familiares.

A Doutrina Espírita, atualizando a lição evangélica, descortina na família 
esclarecida espiritualmente a Humanidade ditosa do futuro promissor.
Sustentá-la nos ensinamentos do Cristo e nas Lições da reta conduta, 
apesar da loucura generalizada que irrompe em toda pane, é o mínimo dever 
de que ninguém se pode eximir.

ESTUDO E MEDITAÇÃO:

"Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é, a união 
permanente de dois seres?
"É um progresso na marcha da Humanidade."
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 695.)

"(...)Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e 
sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos 
antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres 
nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o 
fossem pelo sangue (...)."
(O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, capítulo 14º, item 8.)

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: S.O.S. Família. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Capítulo 1. 

* * * Estude Kardec * * *

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