quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O de que precisa o Espírito para ser salvo. Parábola do bom samaritano.



Ora, quando o filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos
os anjos, sentar-se-á no trono de sua glória; - reunidas diante dele todas as nações,
separará uns dos outros, como o pastor separa dos bodes as ovelhas, - e colocará as
ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.

Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: vinde, benditos de meu Pai,
tomai posse do reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; - porquanto,
tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me
hospedastes; - estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me
fostes ver.

Então, responder-lhe-ã o os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e
te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? - Quando foi que te vimos sem
teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? - E quando foi que te soubemos doente
ou preso e fomos visitar-te? - O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as
vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo
que o fizestes.

Dirá em seguida aos que estiverem à sua esquerda: Afastai-vos de mim, malditos;
ide para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus anjos; - porquanto, tive
fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber; precisei de teto e não
me agasalhastes; estive sem roupa e não me vestistes; estive doente e no cárcere e não
me visitastes.

Também eles replicarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e não te
demos de comer, com sede e não te demos de beber, sem teto ou sem roupa, doente ou
preso e não te assistimos? - Ele então lhes responderá: Em verdade vos digo: todas a
vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para
comigo mesmo.

E esses irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (S. MATEUS,
cap. XXV, vv. 31 a 46.)

Então, levantando-se, disse-lhe um doutor da lei, para o tentar: Mestre, que
preciso fazer para possuir a vida eterna? - Respondeu-lhe Jesus: Que é o que está
escrito na lei? Que é o que lês nela? - Ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo
o coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e de todo o teu espírito, e a teu
próximo como a ti mesmo. - Disse-lhe Jesus: Respondeste muito bem; faze isso e viverás.

Mas, o homem, querendo parecer que era um justo, diz a Jesus: Quem é o meu
próximo? - Jesus, tomando a palavra, lhe diz:

Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu em poder de ladrões, que
o despojaram, cobriram de ferimentos e se foram, deixando-o semimorto. - Aconteceu
em seguida que um sacerdote, descendo pelo mesmo caminho, o viu e passou adiante. -Um levita, que também veio àquele lugar, tendo-o observado, passou igualmente
adiante. - Mas, um samaritano que viajava, chegando ao lugar onde jazia aquele homem
e tendo-o visto, foi tocado de compaixão. - Aproximou-se dele, deitou-lhe óleo e vinho
nas feridas e as pensou; depois, pondo-o no seu cavalo, levou-o a uma hospedaria e
cuidou dele. - No dia seguinte tirou dois denários e os deu ao hospedeiro, dizendo: Trata
muito bem deste homem e tudo o que despenderes a mais, eu te pagarei quando
regressar.

Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caíra em poder dos
ladrões? - O doutor respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. - Então,
vai, diz Jesus, e faze o mesmo. (S. LUCAS, cap. X, vv. 25 a 37.)

Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas
virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que
conduzem à eterna felicidade: Bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os
humildes, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos;
amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem;
amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem
ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros. Humildade e caridade, eis
o que não cessa de recomendar e o de que dá, ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis
o que não se cansa de combater. E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e
em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura.

No quadro que traçou do juízo final, deve-se, como em muitas outras coisas, separar o
que é apenas figura, alegoria. A homens como os a quem falava, ainda incapazes de
compreender as questões puramente espirituais, tinha ele de apresentar imagens materiais
chocantes e próprias a impressionar. Para melhor apreenderem o que dizia, tinha mesmo de
não se afastar muito das idéias correntes, quanto à forma, reservando sempre ao porvir a
verdadeira interpretação de suas palavras e dos pontos sobre os quais não podia explicar-se
claramente. Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma idéia dominante: a
da felicidade reservada ao justo e da infelicidade que espera o mau.

Naquele julgamento supremo, quais os considerandos da sentença? Sobre que se
baseia o libelo? Pergunta, porventura, o juiz se o inquirido preencheu tal ou qual formalidade,
se observou mais ou menos tal ou qual prática exterior? Não; inquire tão-somente de uma
coisa: se a caridade foi praticada, e se pronuncia assim: Passai à direita, vós que assististes os
vossos irmãos; passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles. Informa-se, por acaso,
da ortodoxia da fé? Faz qualquer distinção entre o que
crê de um modo e o que crê de outro'? Não, pois Jesus coloca o samaritano, considerado
herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade.
Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas
como a condição única. Se outras houvesse a serem preenchidas, ele as teria declinado. Desde
que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a
humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e porque é a negação
absoluta do orgulho e do egoísmo.

Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo. 112 edição. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet. org.br. Federação Espírita Brasileira. 1996. 

* * * Estude Kardec * * *

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