segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Questão 934 a 936 - Perdas dos Entes Queridos

Questão 934 a 936 - Perdas dos Entes Queridos
934. A perda dos entes que nos são caros não constitui para nós legítima causa de
dor, tanto mais legítima quanto é irreparável e independente da nossa vontade?

"Essa causa de dor atinge assim o rico, como o pobre: representa uma prova, ou
expiação, e comum é a lei. Tendes, porém, uma consolação em poderdes comunicar-vos
com os vossos amigos pelos meios que vos estão ao alcance, enquanto não dispondes de
outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos."

935. Que se deve pensar da opinião dos que consideram profanação as
comunicações com o além-túmulo?

"Não pode haver nisso profanação, quando haja recolhimento e quando a evocação
seja praticada respeitosa e convenientemente. A prova de que assim é tendes no fato de que
os Espíritos que vos consagram afeição acodem com prazer ao vosso chamado. Sentem-se
felizes por vos lembrardes deles e por se comunicarem convosco. Haveria profanação, se
isso fosse feito levianamente. "

A possibilidade de nos pormos em comunicação com os Espíritos é uma dulcíssima
consolação, pois que nos proporciona meio de conversarmos com os nossos parentes e ami-
gos, que deixaram antes de nós a Terra. Pela evocação, aproximamo-los de nós, eles vêm
colocar-se ao nosso lado, nos ouvem e respondem. Cessa assim, por bem dizer, toda
separação entre eles e nós. Auxiliam-nos com seus conselhos, testemunham- nos o afeto que
nos guardam e a alegria que experimentam por nos lembrarmos deles. Para nós, grande
satisfação é sabê-los ditosos, informar-nos, por seu intermédio, dos pormenores da nova
existência a que passaram e adquirir a certeza de que um dia nos iremos a eles juntar.

936. Como é que as dores inconsoláveis dos que sobrevivem se refletem nos
Espíritos que as causam?

"O Espírito é sensível à lembrança e às saudades dos que lhe eram caros na Terra;
mas, uma dor incessante e desarrazoada o toca penosamente, porque, nessa dor excessiva,
ele vê falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao
adiantamento dos que o choram e talvez à sua reunião com estes."

Estando o Espírito mais feliz no Espaço que na Terra, lamentar que ele tenha
deixado a vida corpórea é deplorar que seja feliz. Figuremos dois amigos que se achem
metidos na mesma prisão. Ambos alcançarão um dia a liberdade, mas um a obtém antes do
outro. Seria caridoso que o que continuou preso se entristecesse porque o seu amigo foi
libertado primeiro? Não haveria, de sua parte, mais egoísmo do que afeição em querer que
do seu cativeiro e do seu sofrer partilhasse o outro por igual tempo? O mesmo se dá com
dois seres que se amam na Terra. O que parte primeiro é o que primeiro se liberta e só nos
cabe felicitá-lo, aguardando com paciência o momento em que a nosso turno também o
seremos.

Façamos ainda, a este propósito, outra comparação. Tendes um amigo que, junto de vós, se encontra em penosíssima situação. Sua saúde ou seus interesses exigem que vá para outro país, onde estará melhor a todos os respeitos. Deixará temporariamente de se achar ao vosso lado, mas com ele vos correspondereis sempre: a separação será apenas material. Desgostar-vos- ia o seu afastamento, embora para o bem dele?

Pelas provas patentes, que ministra, da vida futura, da presença, em torno de nós,
daqueles a quem amamos, da continuidade da afeição e da solicitude que nos dispensavam;
pelas relações que nos faculta manter com eles, a Doutrina Espírita nos oferece suprema
consolação, por ocasião de uma
das mais legítimas dores. Com o Espiritismo, não mais solidão, não mais abandono: o
homem, por muito insulado que esteja, tem sempre perto de si amigos com quem pode
comunicar-se.

Impacientemente suportamos as tribulações da vida. Tão intoleráveis nos parecem,
que não compreendemos possamos sofrê-las. Entretanto, se as tivermos suportado
corajosamente, se soubermos impor silêncio às nossas murmurações, felicitar-nos- emos,
quando fora desta prisão terrena, como o doente que sofre se felicita, quando curado, por se
haver submetido a um tratamento doloroso.

Allan Kardec. Da obra: O Livro dos Espíritos. 76 edição. Livro eletrônico gratuito em http://www.febrasil .org. Federação Espírita Brasileira. 1995. 

* * * Estude Kardec * * *

Nenhum comentário:

Postar um comentário