quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

UMA REFLEXÃO SOBRE O LIVRO DOS ESPÍRITOS



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Sent: Friday, August 10, 2001 12:00
 

I - ESTRUTURA DO LIVRO DOS ESPÍRITOS

 

1. INTRODUÇÃO


Kardec afirma na Introdução de O Livro dos Espíritos, 2º parágrafo, que devemos estudar o Livro  dos Espíritos porque (....)  a Doutrina Espírita ou Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível.

2. ETAPAS DA TEORIA CIENTÍFICA

  • Para entender o processo de elaboração da Doutrina Espírita, precisamos conhecer quais são as etapas da Teoria Científica.
Toda ciência, ao começar o estudo, a pesquisa, pergunta: ESTUDAR O QUÊ? 

Este é o primeiro passo.

Isto é, qual o objeto a ser estudado.

Então, o objeto é a delimitação do campo de atuação da ciência (campo de estudo). 

No caso da Doutrina Espírita, o objeto de estudo é o Espírito.

Segundo passo de uma teoria científica.

Escolhido o objeto de estudo fazemos a seguinte pergunta?

POR QUE ESCOLHEMOS TAL ASSUNTO?

Neste momento, realiza-se um estudo do fato científico, por meio de uma descrição detalhada do objeto estudado (no caso o Espírito), buscando descobrir, examinando todas as circunstâncias, as características do objeto estudado e todas as informações sobre ele (objeto de estudo – Espírito). 

O terceiro passo de uma teoria científica é apresentar as leis que regulam o comportamento do objeto estudado.

Busca-se, por meio da análise profunda, a elaboração de leis.

Formulada a lei, podemos determinar as conseqüências desta lei.  

E isto constitui o quarto passo de uma Teoria Científica – conseqüências do cumprimento ou não destas leis.

Isto constitui propriamente uma ciência. 

Ser capaz de formular leis e apresentar as conseqüências destas leis.

Este é um resumo das quatro etapas de uma Teoria Científica. Além disso, a escolha deste estudo  deve ser justificada.

3. ELABORAÇÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA


Kardec apresenta esta justificativa em a Gênese, cap. I – item 14.  Em seguida, Kardec apresenta a Doutrina Espírita de forma didática.
  • PRIMEIRA PARTE é o objeto de Estudo – “O ESPÍRITO”. Nesta parte, Kardec complementa com a obra A GÊNESE. A Doutrina Espírita tem como objeto de estudo “O  Espírito”.
  • Passa-se a SEGUNDA  PARTE – Estudo de toda a vida dos Espíritos. Esta parte foi complementada pelo “O LIVRO  DOS  MÉDIUNS”. É a descrição detalhada do OBJETO. (O ESPÍRITO).
  • Passa-se em seguida à TERCEIRA  PARTE – Leis que regulam a Conduta dos Espíritos.
É a Formulação das Leis.

Esta é a parte principal da ciência.

Por isso, no quadro 3 ela está acima.

Esta parte foi complementada pelo “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”. 
  • Passa-se, finalmente, à QUARTA PARTE – Dedução das Conseqüências. Nesta parte Kardec apresenta o que ocorre aos espíritos com o cumprimento ou não das leis. Esta parte está complementada pela obra “O CÉU E O INFERNO”.
Kardec, então escreveu uma obra básica, que deu origem a quatro outras complementares – isto para se estudar cada parte com mais profundidade.

Houve um planejamento por parte de Kardec. Nada foi feito ao acaso.

II – EXAME DETALHADO DA OBRA

 

ESTUDO DA PRIMEIRA PARTE

 

Por que a primeira parte é a escolha do objeto?

Porque ela trata das CAUSA PRIMÁRIAS (ou da Causa Primeira) – Kardec vai investigar como as coisas surgiram – são as causas que dão início a todo processo de informação;

Vai estabelecer a causa primeira de todas as coisas e chega à questão: – QUE É DEUS? Demonstrando para nós que não devemos perguntar mais nada sobre a origem das coisas.

Eu tenho uma causa, o UNIVERSO tem uma causa.

E Deus?  Se Deus é a CAUSA PRIMEIRA, DEUS NÃO TEM CAUSA. Ou Deus é sua própria causa. Sempre existiu.

A idéia de Deus é clara e satisfaz nossas exigências de seres racionais.

Em seguida, Kardec apresenta as duas causas criadas por Deus – ESPÍRITO E MATÉRIA.

Aí está a TRINDADE UNIVERSAL: DEUS – ESPÍRITO E MATÉRIA – Os três elementos do Universo.

A Matéria serve de instrumento ao Espírito. Mas Kardec concentra o seu estudo no objeto de estudo: ESPÍRITO.

(Conforme descrição no item VII da Introdução de o “O Livro dos Espíritos”).

A Matéria compete à Ciência, porque pode ser manipulada à vontade pelos experimentadores. A opinião do Espiritismo quanto ao mundo físico é a mesma opinião da ciência.

A Ciência tem como competência estudar a matéria e o Espiritismo segue o que a ciência pesquisa e aceita. (Ver A GÊNESE e o item VII da Introdução de O Livro dos Espíritos).

 Quanto ao elemento espiritual, coube à Doutrina Espírita estudar. Por ser o ESPÍRITO algo sem possibilidade de demonstração em laboratório, porque não se trata de objeto material, Kardec o escolheu para ser o objeto do estudo da Doutrina Espírita.

 Por que Kardec não escolheu DEUS como objeto de estudo da Doutrina Espírita? (Ver questão nº 10 de O  Livro  dos  Espíritos).

Porque o homem não pode compreender a natureza íntima de DEUS. Falta-lhe para isso O SENTIDO (A GÊNESE – 2º Capítulo).

O espírito só compreenderá DEUS com sua completa depuração.  Se o homem não pode se deter no estudo da Divindade, este não pode ser seu objeto.

Então o objeto é o ESPÍRITO. Da interação do Espírito e da Matéria é que surge a criação (Questão 21 de O  Livro  dos  Espíritos). Da ação do Espírito sobre a matéria é que surge a matéria. EX: A criação do Planeta Terra. Então Kardec aborda este assunto nesta parte da obra.

ESTUDO DA SEGUNDA PARTE

 

Após escolhido o objeto o pesquisador busca explorar todas as características, todas as propriedades  do mesmo. Nosso objeto é o ESPÍRITO. Neste Capítulo Kardec explora tudo sobre os Espíritos, abrangendo o Mundo Espiritual, o Mundo Corporal, a ida e vinda do ESPÍRITO. Nesta parte fala-se, então, da encarnação, da intervenção dos Espíritos no mundo corporal etc.

 Se o objeto é o ESPÍRITO, o primeiro Capítulo tratou de os espíritos de forma geral, tanto que Kardec usa a palavra espírito com letra minúscula. Nesta parte (segunda), Kardec estuda o que é o ESPÍRITO (já individualizado). Neste caso ele passa a usa a palavra ESPÍRITO com letra maiúscula.

 Na primeira Parte Kardec fala do espírito como substância e na segunda Parte (questão 74) trata ESPÍRITO como ser individual, personalidade.

Vejam a grande força que é o Espiritismo e quanto a ciência se beneficiaria se admitisse a existência  do Espírito.

Esta Parte trata também do elo que liga o Átomo ao Arcanjo, pois tudo se encadeia na Natureza – Os três Reinos.

ESTUDO DA TERCEIRA PARTE


A Terceira Parte é a FORMULAÇÃO DAS LEIS

(Questão 617 de O Livro dos Espíritos)


No Primeiro Capítulo Kardec mostra o caráter da Lei Moral proposta pela Doutrina Espírita, isto é, revivescência do Evangelho de Jesus. Espiritismo é uma Doutrina Cristã.

Tanto que na Questão 625 ela responde que Jesus é nosso modelo (para se imitar) e guia (para se seguir).

Nesta parte Kardec deixa claro o que é MORAL (Questões 629 e 630 de o “O Livro dos Espíritos)  quando trata do BEM e do MAL.

Este assunto é bem complementado em A GÊNESE.

Ex: O mal é a ausência do bem. Na visão espírita, o mal não tem realidade própria. Não há substância maligna. As coisas não são em si mesmas más, mas produto do que as pessoas fazem das coisas.

Quando cumprimos a lei o bem se faz presente, como a luz faz desaparecer a escuridão.

Não há ser maligno (filosofia maniqueísta).

-  Filos. Doutrina do persa Mani ou Manes (séc. III), sobre a qual se criou uma seita religiosa que teve adeptos na Índia, China, África, Itália e S. da Espanha, e segundo a qual o Universo foi criado e é dominado por dois princípios antagônicos e irredutíveis: Deus ou o bem absoluto, e o mal absoluto ou o Diabo.

Nesta parte Kardec fala da consciência que é um pensamento íntimo e as experiências milenares constituem as aquisições da nossa consciência atual. O corpo perispiritual é o reflexo do nosso mundo espiritual, do pensamento contínuo que mantemos.

Virtude é hábito bom que permanece.

No segundo capítulo, Kardec descreve as leis. Propõem Kardec 10 (dez) leis, como as de Moisés, mas isto nada tem de absoluto. É questão de sistema, de classificação, forma didática.

Há alguma ordem nesta escolha? Jesus propôs: “AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO.
É o caráter trinitário.

DEUS – O HOMEM E O PRÓXIMO.


Até a Prece “PAI NOSSO”, estabelece todos os deveres do homem para com Deus, consigo mesmo e com o próximo.

Os primeiros deveres do homem são para com Deus.

Se não cumprirmos os deveres para com Deus, nós não nos habilitamos a cumprir os outros deveres.

É sintonizar com o Criador, é receber a inspiração; é colocar-se em condições de cumprir os outros deveres.

As Leis que regulam o comportamento do homem para com Deus são:

LEI DE ADORAÇÃO – Como adorar? Adorar Deus pelo pensamento. 

LEI DO TRABALHO – Adorar a DEUS pela ação.

Em seguida, Kardec propõe as leis que regulam o comportamento do homem para consigo mesmo.

AMAR A SI MESMO é fazer o melhor para si, para sua felicidade. Não é egoísmo, é equilíbrio.

Por meio destas Leis – REPRODUÇÃO, CONSERVAÇÃO E DESTRUIÇÃO - Kardec propõe como regular o comportamento do homem para consigo mesmo.

Na REPRODUÇÃO o homem deve preocupar-se em garantir a existência de um outro ser, a vida de um outro espírito.

PELA CONSERVAÇÃO – Kardec propõe ao homem garantir a própria vida, nossas forças físicas. É curtir os prazeres sem causar prejuízo a si e ao semelhante, com equilíbrio.

É a razão controlando os excessos para que o prazer não se transforme em dor. EX: Vícios, sexo.  

Fala que o sexo não é simples contato físico, mas envolve emoções, sentimentos. Buscar a sexualidade responsável.

A Doutrina Espírita não abomina o prazer, mas convida ao prazer equilibrado, à felicidade.

Na LEI DE DESTRUIÇÃO – Kardec fala que a destruição necessária é decorrente da conservação.

Em seguida, Kardec formula as leis que regulam os deveres do homem para com seu próximo.

São – LEI DE SOCIEDADE, LEI DE PROGRESSO, LEI DE IGUALDADE, LEI DE LIBERDADE.

LEI DE SOCIEDADE – O primeiro dever do homem é viver em sociedade. O homem depende do outro para viver.

A todo momento precisamos uns dos outros (para vestir, para alimentar, para se locomover). Só em sociedade, podemos viver em equilíbrio.

LEI DO PROGRESSO – A sociedade engendra o Progresso.

O Progresso é uma decorrência da lei social.

Kardec fala do progresso material, intelectual e moral.

O perispírito reflete o progresso moral.

O progresso gerará duas coisas: A IGUALDADE E A LIBERDADE

Da conquista da IGUALDADE nasce a LIBERDADE. (o ápice do progresso humano) quando vivo em IGUALDADE.

A maior liberdade é conquistada quando o espírito escolhe cumprir a lei. A liberdade surge quando o  homem  cumpre espontaneamente a lei, escolhe, com naturalidade, seguir a lei (Ver o artigo em OBRAS  PÓSTUMAS – Fraternidade, Igualdade e Liberdade.

“Quanto mais preso aos deveres, mais livre o espírito é.”

A Liberdade é o patamar máximo que o homem alcança após cumprir os seus deveres.

Mas não são DEZ LEIS? Então falta uma (QUESTÃO 648) – JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE.  Esta lei é um resumo das nove leis.  

É o resumo do pensamento moral proposto por Jesus.

 

Passa-se, então ao último item: Como praticar as Leis?


Isto está contido no Capítulo sobre a Perfeição Moral.

Aí está a orientação segura para se cumprir as leis.

Neste capítulo Kardec oferece a chave fundamental para conquistar as virtudes (QUESTÃO 919 de  O Livro dos Espíritos).

Qual o meio mais PRÁTICO para viver estas leis.

Observe a pergunta de Kardec: “MEIO PRÁTICO”.

E a resposta é simples “CONHECE-TE A TI MESMO”. (Sócrates).

Aqui Kardec estuda a personalidade humana (apresenta as virtudes e vícios) – é o mais completo estudo sobre a personalidade humana.

A dificuldade para se conhecer a si mesmo é abordada por Santo Agostinho, que nos recomenda o EXAME DE CONSCIÊNCIA.

 

ANÁLISE DA QUARTA PARTE.


Nesta parte Kardec aborda as “Conseqüências para o Espírito do cumprimento ou não das Leis Morais”.

Os Espíritos vivem nos dois lados da vida – mundo corporal e mundo espiritual. Quais as conseqüências para o espírito na erra ou no plano espiritual (na vida futura) do cumprimento da Lei?  

Para examinar com detalhes estas conseqüências, Kardec oferece O CÉU E O INFERNO (obra).

E afirma que CÉU E INFERNO são estado interiores da consciência e não lugares (espaços) exteriores, onde você está.

"UMBRAL" – região de criações mentais negativas, onde os espíritos plasmam e viciam este lugar.

Não são regiões fixas e desaparecerão com a modificação dos pensamentos dos espíritos.

Não é análogo a INFERNO que é um lugar definitivo e permanente.

 

III - CONCLUSÃO.


O Livro dos Espíritos é a pedra angular da Doutrina Espírita, é a base.

Assim, não basta lê-lo,
é preciso estudá-lo
e em conseqüência praticá-lo.

* * *




Com esta mensagem eletrônica
seguem muitas vibrações de paz e amor
para você

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