sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Como os Espíritos podem intervir no nosso mundo?




À primeira vista, a idéia que se forma dos Espíritos torna o fenômeno das
manifestações incompreensíveis. Essas manifestações apenas podem ter lugar
pela ação do Espírito sobre a matéria ; é por isso que aqueles que
acreditam que o Espírito está isento de qualquer matéria se perguntam, com
aparente razão, como ele pode agir materialmente. Ora, aí está o erro ;
porque o Espírito não é uma abstração, é um ser definido, limitado e
circunscrito. O Espírito encarnado no corpo constitui a alma ; quando deixa
o corpo na morte, dele não sai destituído de todo e qualquer envelope. Tudo
nos diz que conserva a forma humana, e, com efeito, o que nos agrada, sob a
forma com que o conhecíamos.

Há no homem três elementos : 1º a alma ou Espírito, princípio inteligente
no qual reside o senso moral ; 2º o corpo, envelope grosseiro, material, do
qual temporariamente é revestido para o cumprimento de certos objetivos
providenciais ; 3º o perispírito, envelope fluídico, semi-material,
servindo de ligação entre a alma e o corpo.

O perispírito não é, de forma alguma, uma daquelas hipóteses às quais temos
algumas vezes recorrido na ciência para a explicação de um fato ; sua
existência não é revelada somente pelos Espíritos, é um resultado das
observações.

A natureza íntima do Espírito propriamente dito, isto é do ser pensante,
nos é inteiramente desconhecida ; se revela a nós apenas por seus atos, e
seus atos somente podem atingir nossos sentidos materiais por um
intermediário material. O Espírito tem então necessidade da matéria para
agir sobre ela. Tem por instrumento direto seu perispírito, como o homem
tem seu corpo ; ora seu perispírito é matéria, assim acabamos de ver.

Todavia, o perispírito é composto de uma matéria diferente da que
conhecemos, que escapa aos nossos sentidos e aos nossos instrumentos. Para
poder intervir no mundo material, os Espíritos têm necessidade de retirar,
do meio ambiente onde querem se manifestar, um tipo de fluido chamado
fluido vital, do qual são, eles mesmos, desprovidos.

Esse fluido vital impregna todos os seres viventes, é o laço entre a
matéria e o Espírito ; certas pessoas chamadas médiuns são capazes de
exteriorizar seu fluido vital e de o tornar disponível. Combinando-o com
seu perispírito, os Espíritos podem « animalizar » objetos e fazê-los se
deslocar segundo sua vontade. Essa combinação é todavia difícil porque as
vibrações do fluido utilizado pelo Espírito devem estar em ressonância com
as vibrações próprias de seu perispírito.

Em resumo, basta que um Espírito recolha uma quantidade de energia física
liberada conscientemente ou involuntariamente por um homem ou uma mulher, e
ele que esteja em concordância com as vibrações desta força orgânica, por
serem iguais em certa medida, para agir novamente sobre o plano material e
manifestar sua presença e sua personalidade : é isso que se chama de
manifestações de efeitos físicos.

O Espírito pode agir diretamente, com seu perispírito, sobre o perispírito
de um Espírito encarnado ; isso implica em que as vibrações dos dois
perispíritos sejam equivalentes. Esta ação se traduz por inspirações,
sugestões, reflexos, etc. ... é o que se chama de manifestações de efeitos
inteligentes.

Visto dessa maneira, a ação do Espírito sobre a matéria se concebe
facilmente ; compreende-se daí que todos os efeitos resultantes entram na
ordem dos fatos naturais, e nada têm de maravilhoso. Eles nos parecem
sobrenaturais porque não lhes conhecíamos a causa ; sendo esta conhecida, o
maravilhoso desaparece, e essa causa está inteiramente nas propriedades
semi-materiais do perispírito. É uma nova ordem de fatos que uma nova lei
vem explicar.
Vale anotar:

- Os Espíritos não são seres imateriais. São compostos de uma alma e de
um corpo semi-material, chamado perispírito. A matéria que compõe esse
corpo é tão sutil para nós que nos parece difícil aceitá-la como sendo
matéria. É por meio desse corpo que os Espíritos podem se manifestar no
mundo material.

*
Beau Geste*

"A pior das ditaduras é a que se escuda na lei" (Raul Pilla)

Nenhum comentário:

Postar um comentário