quinta-feira, 26 de abril de 2012

Lições na Escola da Vida


Lições na Escola da Vida



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"A maior represália contra um inimigo é perdoá-lo.
Se o perdoamos, ele morre como inimigo e renasce a nossa paz. O perdão nutre a tolerância e a sabedoria..."

Augusto Cury

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“Vou contar uma triste história, mas muito importante para que possamos aprender algumas lições de vida: a história do holocausto judeu. Uma história em que os direitos humanos foram completamente destruídos”.

Comentou que durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha e em muitos países da Europa, os judeus e outras minorias perderam todos os seus direitos. Os nazistas, que eram do partido de Hitler, queriam exterminar com todos os judeus, como se eles não fizessem parte da espécie humana. Foi uma coisa horrível.

Muitos judeus foram enviados para os campos de concentração, um depósito humano, pior do que um chiqueiro. Faltava comida, água e cama. Eles emagreceram tanto que ficaram pele e ossos. Muitos pais foram separados dos seus filhos. Lágrimas encharcaram aqueles solos.

Será que pelo menos os jovens e as crianças judias foram bem tratados? Não! Receberam um tratamento pior do que os nazistas davam aos animais. Eles foram retirados das suas casas com violência. Não podiam andar nas ruas, comprar, ter amigos e ir para a escola. Não podiam beijar seus pais, ter o carinho de suas mães. Perderam tudo. Nunca se viram crianças tão tristes...

Por fim, foram aprisionadas nos campos de concentração. Foi dramático. Elas choravam alto, mas ninguém as ouvia. Sentiam dores, mas ninguém as aliviava. Passavam frio, mas ninguém as aquecia. Gemiam de fome, mas ninguém as saciava. Um pedaço de pão era um paraíso. Muitos jovens de hoje têm fartura de alimentos, mas a desprezam.

Por fim, o resultado não poderia ser mais triste: mais de um milhão de crianças e adolescentes judias morreram. Imagine o desespero que viveu cada um desses pequenos e belos seres humanos. O mundo nunca mais foi o mesmo. O holocausto na Segunda Grande Guerra foi milhares de vezes pior do que o ataque terrorista em 11 de setembro de 2001. Nossa história foi manchada para sempre. A viabilidade de nossa espécie foi questionada.

Infelizmente, até hoje, os homens se matam por muito pouco. Eles não aprenderam lições na escola da vida. A primeira lição dessa escola é que a vida está acima das nossas diferenças. A segunda é que acima de sermos judeus, árabes, americanos, africanos, somos apenas uma única espécie.

Nunca as crianças e os adolescentes foram tão violentados na história como no holocausto. Roubaram-lhes o direito de viver. Porém, nem todos morreram vítimas do nazismo. Havia um jovem chamado Victor Frankl que estava num dos campos de concentração. Ele também foi abatido pela fome, pelo frio e pelo medo. Seus olhos fundos e sofridos viviam assustados. Mas Victor Frankl via algo além das trincheiras. Enxergava por detrás das cercas de arames, dos cães e dos guardas. Via as flores das primaveras num árido deserto. Via as estrelas no céu numa noite sombria. Alimentava sua alma de uma esperança divina. Sonhou com um mundo livre mesmo diante da morte. Por fim,
conseguiu sair vivo de lá. Saiu do cárcere para brilhar no mundo.

Ele se tornou um dos principais pensadores da psicologia da segunda metade do século XX. Seus pensamentos são saturados de esperança. Para ele, a busca do sentido de vida e de Deus devia ocupar a mente e o espírito humano. Ele aprendeu a dar um significado à sua vida quando a vida valia menos do que nada. Por isso podemos dizer que a vida humana é tão criativa que mesmo na terra do holocausto, a dor ainda conseguiu inspirar algumas belas poesias.

O deserto ainda produziu algumas belíssimas flores. Victor Frankl foi uma delas. Mas não foi a única. Vocês sabem quem ganhou o prêmio Nobel de literatura de 2002? Também foi um judeu, vítima das atrocidades do nazismo. Seu nome é Imre Kertész . A dor, o drama, a miséria do jovem Imre Kertész não o destruiu. Pelo contrário, o fez um mestre da literatura.

Quando Maria Lúcia terminou de contar essa história, os alunos estavam completamente em silêncio. Alguns até choraram. Mário estava emudecido. Então ela, delicadamente, voltou-se para ele e disse: “Você vive num mundo livre. Tem todos os direitos de um jovem. Tem onde dormir, o que comer, pode andar, sair, ter amigos. Mas será que sabe valorizar seus direitos?”

Mário não deu resposta. Sua voz estava embargada. Em seguida, a professora completou:
“Será que você ama a sua liberdade? Será que não está ferindo o direito dos outros quando reage com agressividade?” Em seguida, continuou sua aula.

Mário pensou. Nunca havia se questionado tanto. Ele foi embora da escola refletindo sobre tudo o que ouvira. Nunca tinha pensado nos muitos jovens que tinham morrido de maneira tão violenta, sem ter seus direitos minimamente respeitados. Jamais pensara
que a liberdade fosse tão importante. Ele entendeu, então, o que era a democracia.
Compreendeu que tinha grandes direitos, mas também importantes deveres. Não percebia que quando tumultuava a sala de aula estava perturbando os direitos dos outros. Quando ofendia a professora, ele estava ferindo os direitos dela.

Maria Lúcia era professora de Línguas. Estava preocupada não apenas com que os alunos
aprendessem a gramática e outras regras da língua, mas almejava que eles aprendessem a valorizar a liberdade e conhecessem as regras que fundamentam as relações sociais. Ela amava a escola da vida, por isso ensinava seus alunos a viver.

A professora ficou tão entusiasmada com o interesse dos alunos pelo holocausto que preparou para eles uma aula específica sobre direitos humanos. Queria que seus alunos, um dia, fossem capazes de contribuir para melhorar o mundo, aliviar as injustiças humanas.

Eis o resumo dessa aula:

A expressão “Direitos Humanos” ganhou mais significado após as revoluções francesa e americana. De forma simples, pode-se dizer que essa expressão se refere aos direitos de uma pessoa nas suas relações com as outras e com a natureza.

A questão da liberdade está diretamente ligada aos direitos humanos. Já no século V, Sófocles falou indiretamente sobre eles. Desde então, o desenvolvimento dessa idéia continua a se desenrolar. Os grandes momentos em que as chamas dos direitos humanos foram mais fortes estão na Declaração de Independência dos Estados Unidos, de 1776; na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, na França, de 1789; e na Declaração
Universal dos Direitos Humanos aprovada em 1948 pela ONU (Organização das Nações Unidas).

O dia 10 de dezembro é o Dia Universal dos Direitos Humanos. Guarde essa data.

A professora mandou um recado a cada um dos seus alunos: “Parabéns, você tem muitos direitos na grande escola da vida. Por isso pode cantar, brincar, andar, correr, comprar, estudar e expressar suas idéias livremente. Mas nunca se esqueça de que você só pode exercer os seus direitos se respeitar os direitos dos outros...”

E finalizou dizendo: “Os direitos humanos são tão importantes que eles representam o aplauso do artista, a água do sedento, a inspiração do poeta, o amor do romance. Os direitos humanos não podem estar apenas na lei, devem ser tecidos na alma e esculpidos no coração...”


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(Augusto Cury)
(Texto do Livro: Escola da Vida)


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