segunda-feira, 21 de maio de 2012

Consciência da Gratidão

À medida que a psique desenvolve a consciência, fazendo-a superar os níveis
primitivos recheados pela sombra, mais facilmente adquire a capacidade da
gratidão.

A sombra, que resulta dos fenômenos egoicos, havendo acumulado interesses
inferiores, é a grande adversária do sentimento de gratulação. Na sua ânsia
de aparentar aquilo que não conquistou, impedida pelos hábitos enfermiços,
projeta os conflitos nas demais pessoas, sem a lucidez necessária para
confiar e servir. Servindo-se dos outros, supõe que assim fazem todos os
demais, ante a impossibilidade de alargar a generosidade, que lhe
facultaria o amadurecimento psicológico para a saudável convivência social,
para o desenvolvimento interior dos valores nobres do amor e da
solidariedade.

A miopia emocional defluente do predomínio da sombra no comportamento do
ser humano impede-o que veja a harmonia existente na vida.

As imperfeições morais que não foram modificadas pelo processo da sua
diluição e substituição pelas conquistas éticas atormentam o ser, fazendo-o
refratário, senão hostil a todos os movimentos libertários.

Não há no seu emocional, em conseqüência, nenhum espaço para o louvor, o
júbilo, a gratidão.

Desse modo, os conflitos que se originaram em outras existências e
tornaram-se parte significativa do ego predominam no indivíduo inseguro e
sofredor, que se refugia na autocompaixão ou na vingança, de forma que
chame a atenção, que receba compensação narcisista, aplauso, preservando
sempre suspeitas infundadas quanto à validade do que lhe é oferecido, pela
consciência de saber que não é merecedor de tais tributos...

Acumuladas e preservadas as sensações que se converteram em emoções de
suspeita em de ira, de descontentamento e amargura, projetam-nas nas demais
pessoas, por não acreditar em lealdade, amor e abnegação.

Se alguém é dedicado ao bem na comunidade, é tido como dissimulador, porque
essa seria a sua atitude (da sombra).

Se outrem reparte alegria e constrói solidariedade, a inveja que se lhe
encontra arquivada no inconsciente acha meios de denominá-lo como bajulador
e pusilânime, pois que, por sua vez, não conseguiria desempenhar as mesmas
tarefas com naturalidade. A ausência de maturidade afetiva isola o
indivíduo na amargura e na autopunição.

Tudo quanto lhe constitui impedimento mascara e transfere para os outros,
assumindo postura crítica impiedosa, puritanismo exagerado, buscando sempre
desconsiderar os comportamentos louváveis do próximo que lhe inspiram
antipatia.

Assim age porque a sua é uma consciência adormecida, não habituada aos vôos
expressivos da fraternidade e da compreensão, que somente se harmonizando
com o grupo no qual vive é que poderá apresentar-se plena.

Autoconscientizando -se da sua estrutura emocional mediante o discernimento
do dever, o que significa amadurecer, conseguirá realizar o parto
libertador do ego, dele retirando as suas mazelas, lapidando as crostas
externas qual ocorre com o diamante bruto que oculta o brilho das estrelas
que se encontram no seu interior.

Urge, pois, adotar nova conduta para se libertar das fixações perversas.
Conseguindo despertar dos valores nobres, é inevitável a saída da sua
individualidade para a convivência com a coletividade, onde mais se
aprimorará, aprendendo a conquistar emoções superiores que o enriquecerão
de alegria e de paz, deslumbrando- se ante as bênçãos da vida que adornam
tudo, assimilando- as em vez de reclamando sempre, pela impossibilidade de
percebê-las.

O ingrato, diante do seu atraso emocional, reclama de tudo, desde os
fatores climatéricos aos humanos de relacionamentos, desde os orgânicos aos
emocionais, sempre com a verruma da acusação ou da autojustificaçã o assim
como do mal-estar a que se agarra em seguro mecanismo de fuga da realidade.

Nos níveis nobres da consciência de si e da cósmica, a gratidão aureola-se
de júbilos, e os sentimentos não mais permanecem adstritos ao eu, ao meu,
ampliando-se ao nós, a mim e a você, a todos juntos.

A gratidão é a assinatura de deus colocada na Sua obra.

Quando se enraíza no sentimento humano logra proporcionar harmonia interna,
liberação de conflitos, saúde emocional, por luzir como estrela na
imensidão sideral...

Por extensão, aquele que se faz agradecido torna-se veículo do sublime
autógrafo, assinalando a vida e a natureza com a presença dEle.

Quando o egoísta insensatamente aponta as tragédias do cotidiano, as
aberrações que assolam a sociedade, somente observa o lado mau e negativo
do mundo, está exumando os seus sentimentos inconscientes arquivados,
vibrantes, sem a coragem de externá-los, de dar-lhes campo livre no
consciente.

A paz de fora inicia-se no cerne de cada ser. Também assim é a gratidão. Ao
invés do anseio de recebê-la, tornar-se-lhe o doador espontâneo e curar-se
de todas as mazelas, ensejando harmonia generalizada.

A vida sem gratidão é estéril e vazia de significado existencial.

Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Psicologia da Gratidão

*
Beau Geste*

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