segunda-feira, 21 de maio de 2012

HUMILDADE



HUMILDADE

by Dirceu Rabelo


Foi no século dezenove.
O arcebispo de Viena resolveu fazer uma visita a alguns dos seus fiéis.
 Preparada sua comitiva aprestou-se para a viagem.
O primeiro local que deveria visitar seria o castelo de Vivarais.
 Os donos do castelo avisados antecipadamente passaram a aguardar o ilustre visitante,
 esmerando-se em detalhes, a fim de que tudo transcorresse sem qualquer transtorno.
 
Ao cair da tarde daquele mês de março
apresentou-se no palácio um pobre sacerdote pedindo pousada.
 
Como todos os aposentos já se encontravam reservados para os visitantes,
os donos do castelo pediram aos criados que conduzissem o pedinte a um dos alpendres,
junto às cavalariças.
 
Algum tempo depois chegaram ao solar os vigários que constituíam a comitiva do arcebispo.
 
Foram recebidos, regiamente, pelo fidalgo e família,
mas logo se admiraram em não ver Sua Excelência.
 
Perguntando por ele, receberam dos senhores do castelo a resposta
de que ele ainda não aparecera.
 
Não é possível, falou um dos padres.
Fomos obrigados a nos retardar um pouco e ele tomou a dianteira.
Devia ter chegado à nossa frente.
 
Foi então que os anfitriões se recordaram do sacerdote recolhido próximo às cavalariças.
 
Imaginando que ele poderia ter cruzado, em sua jornada, com o arcebispo,
resolveram pedir aos criados que lhe fossem indagar a respeito.
 
Quando alguns dos integrantes da comitiva ouviram a referência a um outro sacerdote,
 perguntaram: quem é o religioso a quem se refere o nobre senhor?
 
Ora, respondeu o senhor de vivarais,
é um sacerdote muito pobre que nos bateu à porta,
pedindo abrigo por uma noite.
 
A um só tempo, falaram os vigários presentes: “é ele.”
 
Verdadeiramente, o pobre recebido, por caridade, no luxuoso castelo
não era outro senão o grande Daivan, o arcebispo de Viena.
 
Assim portava-se e tão humilde era,
que não se apresentava jamais com seus títulos e roupas elegantes.
 
Os homens essencialmente grandes não se importam com honrarias, e suntuosidades.
Delas não necessitam para mostrarem seu valor,
porque este é intrínseco e aflora, onde quer que se encontrem.
 
Assim Jesus, o Divino Mestre,
escolheu a quietude de uma noite silenciosa para nascer, num estábulo,
tendo como teto a abóbada celeste, como primeiras harmonias as vozes celestiais,
e como primeiros visitantes os homens simples que pastoreavam no campo.
 
Nada que Lhe denunciasse a glória aos olhos humanos.
E Ele era A Luz, O Modelo, O Guia.
 
***
 
A humildade legítima não se deixa atingir pela vaidade dos elogios,
nem se permite humilhar pela zombaria dos que não a entendem.
Por isso mesmo é inatingível pelo mal, de qualquer forma que este se apresente.
 
 ***
Autor: (Baseado no livro: Lendas do Céu e da Terra, cap. Humildade (ESPIRIT BOOK)

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