quarta-feira, 20 de junho de 2012

Diversidade de Dons – Tipos de Mediunidade – 1 Coríntios, 12: 4


Diversidade de Dons – Tipos de Mediunidade – 1 Coríntios, 12: 4
Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
Podemos dizer com toda segurança que este capítulo 12 desta epístola é um estudo perfeito sobre a mediunidade.
Ora, há diversidade de dons, podemos ver aqui os vários estados evolucionais em que se encontram os Espíritos; não há entre eles dois em uma idêntica posição, sejam encarnados ou desencarnados; há diversidade entre as conquistas de cada um. Por isso a imensa diferença existente na compreensão de um mesmo texto, o que faz surgir várias religiões com a mesma origem; ou a variedade de reações individuais em que os seres se manifestam, às vezes, diante de um mesmo acontecimento. Há diversidade de dons.
Não é por outro motivo que a psicologia hodierna destaca e dá grande importância a questão da alteridade. Somos distintos, desta forma a maneira de tratar cada qual deve ser também diferente.
Porém o que salta aos olhos com muita clareza é o entendimento do apóstolo sobre a questão da mediunidade, estudo esse que só veio a ser realizado com competência científica dezenove séculos mais tarde, por Kardec e seus seguidores.
Por pouco Paulo não afirmara “há diversos tipos de mediunidade” como mostra-nos o Codificador em O Livro dos Médiuns em vários capítulos desta magistral obra.
Se há diversos tipos de manifestações mediúnicas e vamos no decorrer destas linhas falar um pouco sobre algumas delas, mesmo que de forma simples e superficial, não podemos deixar de destacar o médium que podemos ser, cada um de acordo com as suas características, em nossos relacionamentos pessoais no dia a dia de nossa existência.
Médium em seu sentido geral é o que está no meio, o intermediário. No sentido espírita é o intermediário entre os Espíritos desencarnados e o homem. Pelo simples fato de sermos influenciados pelos Espíritos somos médiuns, e isso acontece a todos, indistintamente.
Assim, há muitos modos de exercermos nossa mediunidade nas atitudes corriqueiras de nossa vida. Podemos ser médiuns:
  • Da paz ou da guerra.
  • Da alegria ou da tristeza.
  • Da esperança ou do desespero.
Não é preciso estar em uma mesa mediúnica para levarmos consolo ou ajudar os Espíritos:
  • Podemos atender ao convite da caridade em um simples compartilhar de alimentos.
  • Também assim o faremos através de um sorriso ou de uma atenção dada a um marginalizado pela sociedade.
  • Do mesmo modo realizaremos se, atendendo ao chamado da consciência, nos desculparmos com os outros diante de um erro.
Há diversidade de dons, e inúmeras são as formas deles se manifestarem.
Mas o Espírito é o mesmo. Se for feita uma análise apressada pode parecer que este versículo admite que só um Espírito se comunique por via mediúnica. Não é isso que o apóstolo quer dizer, ele mesmo sabia por experiência própria que bons e maus Espíritos podem se manifestar; para confirmar tal fato vejamos o livro de Atos dos Apóstolos no capítulo 19, onde temos:
E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam.1
Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus e bem sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?2
Assim, fica claro, como explica o autor de O Livro dos Médiuns que há grande diversidade também entre os Espíritos:
O progresso dos Espíritos faz-se gradualmente e, algumas vezes, com muita lentidão. Entre eles alguns há que, por seu grau de aperfeiçoamento, veem as coisas sob um ponto de vista mais justo do que quando estavam encarnados; outros, pelo contrário, conservam ainda as mesmas paixões, os mesmos preconceitos e erros, até que o tempo e novas provas os venham esclarecer. Notai bem que o que digo é fruto da experiência, colhido no que eles nos dizem em suas comunicações. É, pois, um princípio elementar do Espiritismo que existem Espíritos de todos os graus de inteligência e moralidade.3
Mas o Espírito é o mesmo. Então o que queria o fundador da igreja de Corinto dizer com esta expressão?
Já dissemos anteriormente que Paulo escreveu esta carta, motivado pela dissensão que estava acontecendo entre os coríntios, e a pedido de alguns cristãos locais buscava orientá-los para uma melhor conduta moral.
Vejamos o que escreve ele em capítulo anterior:
porque ainda sois carnais, pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais e não andais segundo os homens?
Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu, de Apolo; porventura, não sois carnais?
Pois quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?
Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.
Pelo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.
Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão, segundo o seu trabalho.
Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.4
E logo após continua:
Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso: seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro, tudo é vosso, e vós, de Cristo, e Cristo, de Deus.5
Assim, quando diz que o Espírito é o mesmo, não está o redator da epístola a falar do Espírito comunicante, pouco importa qual é o seu nome, e sim do Espírito que dirige o trabalho em planos mais elevados, que no caso do planeta Terra é o Cristo Jesus que assim faz em nome de Deus o Criador de todas as coisas.
É muito comum em nossas casas espíritas avaliar uma mensagem espiritual pelo nome do Espírito comunicante, e assim a aprovamos ou não dependo de quem ditou. Grande o erro em que incorremos segundo o que diz Paulo e também Kardec. É preciso que entendamos que na base de todo trabalho para o bem está o Cristo, ele é o Espírito que coordena toda movimentação em favor da implantação do Reino de Deus na Terra, assim, avaliemos o conteúdo do que nos traz o médium, se for bom divulguemos, se não, saibamos de forma cristã rechaçar. Não importa para nós quem foi que ditou, acima de Emmanuel, André Luiz, Kardec, ou quem quer que seja, está Jesus que em nome de Deus trabalha, e é a Este a que devemos servir, pois ao Pai é a quem devemos glorificar, e sobre ele também podemos afirmar:
Mas o Espírito é o mesmo.

1 Atos, 19: 6
2 Atos, 19: 15
3 O Que é o Espiritismo, cap. 1 - Diversidade dos Espíritos.
4 I Coríntios, 3: 3 a 9
5 Idem, 3: 21 a 23
 Autor:
Claudio Fajardo de Castro (Juiz de Fora/MG)
Cláudio Fajardo é bancário, escritor desde 1997, dedica-se ao estudo do Novo Testamento à luz da Doutrina. Coordenou curso de Espiritismo no Centro Espírita Amor e Caridade em Goiânia – GO, denominado de Curso de Espiritismo e Evangelho. A partir daí surgiram seus livros: O Sermão do Monte, Jesus Terapeuta I e II, O Sermão Profético e O Sermão do Cenáculo, todos publicados pela Editora Itapuã.



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