quarta-feira, 27 de junho de 2012

A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL E O EGOÍSMO



Escreve: 
Eugenio Lara
Em: Junho de 2012http://viasantos.com/pense/arquivo/1361.html
 
Para o Espiritismo, por trás de toda desigualdade, crueldade, despotismo, desumanidade, está o egoísmo e os pérfidos e sórdidos vícios dele oriundos. Orgulho, vaidade, ambição, os chamados pecados capitais, derivam dos instintos exacerbados. Útil e necessário em determinado estágio evolutivo, hoje o egoísmo tornou-se pernicioso e inimigo de qualquer estabilidade social, interpessoal, cultural. Por mais perfeito que seja um sistema econômico, ele não se sustentará se o egoísmo, o interesse pessoal desmedido estiver presente.
 
Evidentemente que essa constatação não exclui todo o arsenal teórico desenvolvido nos vários campos do conhecimento, como a sociologia, a economia política, a psicologia social. Seria ingenuidade querer resolver toda a problemática social somente a partir da identificação desse sentimento, desse vício que impregna as instituições, as leis, a lógica econômica, enfim, toda a infraestrutura e a superestrutura da sociedade. A análise teórico-prática, a práxis política, a ação prática contra as desigualdades sociais deve prevalecer, pois todas as conquistas sociais surgem do conflito, sem o qual, permaneceríamos estagnados, como eternos escravos. O conflito social é necessário. A luta de classes, a descentralização do poder, a luta pela hegemonia social, política e econômica, cultural são fatores essenciais ao progresso social. Foi com sangue, suor e muita lágrima que nossa civilização foi construída e o seu contínuo aperfeiçoamento nunca se deu de modo pacífico.
 
Allan Kardec era convicto de que a maior chaga da sociedade é o egoísmo. E repetimos: se em determinado estágio evolutivo da civilização ele foi necessário — a fim de o ser humano se autopreservar, movido pelo instinto de conservação — hoje o egoísmo tornou-se um tremendo obstáculo ao progresso, em todos os níveis de nossa sociedade. Não basta vir com o discurso bonito e politicamente correto de que precisamos de amor, de altruísmo, como contraponto ao egoísmo. “All you need is love” (1) é um refrão bonito mas por si só não muda nada. Pode inspirar a transformação, mas não é efetivo. Normalmente, a turma adepta da autoajuda, de mentalidade mística e religiosa disfarçadas, vem com esse discurso, o discurso do amor, da caridade. Pura ingenuidade. Enquanto bradamos esse bonito discurso, milhões morrem de fome, não têm acesso à saúde, à cultura. E na hora de votar, nem sempre votamos “com amor”, mas sim com displicência, ignorância e alienação, não raro com interesses escusos, contribuindo para que a roubalheira e a corrupção tornem-se aparentemente perenes, “eternas”.
 
A eliminação do egoísmo é trabalho de longo prazo, mas que deve se iniciar agora mesmo, a todo momento. Longe de ser ingênuo, o fundador do Espiritismo foi bem pragmático em relação a essa questão. Kardec elegeu três caminhos básicos, três empreitadas para que consigamos, ao longo do tempo, eliminar o egoísmo e seus derivados de nossa sociedade, de nossa alma, de nossa mente:
 
1. A EDUCAÇÃO. Por meio de técnicas pedagógicas, com persuasão e o exemplo, “pela arte de manejar os caracteres”, segundo os valores da ética espírita; a partir da compreensão dos princípios nucleares do Espiritismo e o natural efeito ético no comportamento, conforme a estrutura axiológica da doutrina espírita, mediante sua teoria de valores. Evidentemente, esse processo educativo não é exclusividade da pedagogia espírita, mas de todo e qualquer projeto pedagógico que possua uma natureza humanista, voltada para o bem-estar, a alteridade, a construção da cidadania, a liberdade, a fraternidade e igualdade entre todos os seres humanos.
 
2. O COMBATE AO MATERIALISMO. Segundo a filosofia espírita, o modo materialista de encarar a vida reforça os vícios, o egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição desmedida. Materialismo é sinônimo de niilismo, do culto exagerado ao ego, de hedonismo exacerbado, do imediatismo: é a doutrina do nada após a morte. Tal concepção representa um atraso evolutivo em todos os níveis, devido às perniciosas consequências morais por ela realçadas, presentes em todas as atividades humanas. Cabe lembrar e reafirmar: isso não tem nada a ver com o materialismo enquanto sistema filosófico, em todas as suas variantes, seja ele histórico, dialético ou metafísico. A questão é comportamental e não estritamente filosófica. Não importa tanto se a visão de mundo, por exemplo, é baseada no existencialismo materialista de Jean Paul Sartre. O que vale é a atitude humanista, imprescindível nas relações sociais. A dimensão ética do humanismo espírita é uma poderosa ferramenta para tornar as pessoas moralmente melhores, ao propor um processo ininterrupto de transformação intelecto-moral.
 
3. A PROVA DA IMORTALIDADE. A comprovação da vida pós-morte através da experimentação, do empirismo, de pesquisas científicas sérias, realizadas com todo o aparato tecnológico atual, segundo uma metodologia adequada ao objeto de estudo, causará uma mudança de enfoque e alterará nosso olhar. A prova da imortalidade é o objetivo primordial do Espiritismo. A vida não se restringirá mais entre o berço e o túmulo. Eis aí uma forma indireta de se destruir o egoísmo, na medida em que o ser humano sai de si mesmo, sai de sua concha, de seu casulo e contempla o outro, o mundo, o universo em que vive, agora sob outro enfoque: transcendente e imanente ao mesmo tempo.
 
Segundo o Espiritismo, uma sociedade menos egoísta e mais solidária é viável, desejável, exequível. Trata-se de um projeto ético-social, de um sonho realizável. A utopia kardecista é um sonho possível e passível de execução.
 
(1) “All you need is love” (Tudo o que você precisa é de amor) é uma das mais famosas canções dos Beatles, composta por John Lennon e Paul McCartney durante a Guerra do Vietnã. Lançada em 1967 como single, foi transmitida via satélite para 26 países, em um videoclipe com a participação de vários artistas convidados, no programa denominado Our World. O evento antecipou em quase duas décadas o projeto Band Aid, com a canção “We Are the World”, composta em 1985 por Michael Jackson e Lionel Richie. O objetivo desse projeto era angariar recursos para combater a fome na África.
 
Eugenio Lara, arquiteto, jornalista e designer gráfico, é fundador e editor do site PENSE - Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense], membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc) e autor dos livros em edição digital: “Racismo e Espiritismo”“Milenarismo e Espiritismo”“Amélie Boudet, uma Mulher de Verdade - Ensaio Biográfico”“Conceito Espírita de Evolução”“Os Quatro Espíritos de Kardec” e “Os Celtas e o Espiritismo”.
E-mail: 
eugenlara@hotmail.com

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