sexta-feira, 27 de julho de 2012

Mediunidade "não ostensiva"


Mediunidade "não ostensiva"

Por Marcia do Vale Cordeiro



"Se ao médium não é concedido ser exclusivamente mecânico, todas as tentativas para se chegar a este resultado serão infrutíferas e, entretanto, ele estaria enganado se se considerasse deserdado por isso; se for apenas dotado da mediunidade intuitiva, deve contentar-se com isso e ela não deixará de lhe proporcionar grandes serviços, se ele souber dela tirar proveito e se não a rejeitar."

Kardec.
O Livro dos Médiuns, questão 215.



A história do Espiritismo é recheada de relatos de fenômenos mediúnicos que provocaram comoções na sociedade, à sua época.

Ernesto Bozzano, ilustre pesquisador de fatos mediúnicos, legou à posteridade minuciosos relatos de fenômenos ostensivos que provocaram as mais diferentes reações no meio em que ocorreram.

Sua pesquisa sobre o médium Jonathan Koons, proprietário de uma granja no condado de Athens, estado de Ohio, merece ser lembrada. O médium casado, pai de oito filhos, em 1852, após as manifestações mediúnicas de Hydesville foi convidado a participar de "círculos de experimentação". Essas reuniões entre amigos tinham o objetivo de obter manifestações semelhantes aquelas produzidas pela mediunidade das irmãs Fox.

Após assistir uma sessão de "raps" (efeitos físicos que respondem de modo inteligente ao evocador) na residência de uma família amiga, passou a frequentar as reuniões mediúnicas de efeitos físicos da época, convencido de que não era a mocinha que servia de médium que respondia de forma coerente, através das batidas, às perguntas formuladas. Numa dessas reuniões foi informado pelos espíritos comunicantes que era médium, assim como um de seus filhos. Surpreendido realizou também experiências mediúnicas e obteve manifestações notáveis que, entretanto não o convenciam da existência de "espíritos desencarnados". Atribuía-as à "eletricidade" e à "biologia", pois não conseguia assimilar a idéia de sobrevivência da alma.

Pela mediunidade de seu filho foi instruído a construir em seu próprio jardim um quarto de madeira, onde foi armada uma mesa, sobre a qual foram depositadas folhas de papel em branco e lápis. Fechado o quarto à chave, a porta foi lacrada e Jonathan Koons se postou de guarda. Decorrido certo tempo ao entrar no aposento encontrou as folhas de papel com uma longa mensagem dirigida a ele mesmo que oferecia ensinos, conselhos, e censura à sua incredulidade.

Muitas pessoas nos dias atuais lamentam não encontrarem a oportunidade de presenciar determinados fenômenos mediúnicos ostensivos como a escrita direta. Até mesmo médiuns lamentam não possuirem faculdades mediúnicas que permitam a realização de fenômenos que, atraindo a atenção da sociedade, seriam provas irrefutáveis da sobrevivência da alma e da comunicabilidade entre o mundo invisível e o mundo corpóreo. Parece que tais pessoas e ainda estes médiuns não compreenderam que sendo espíritos não se encontram afastados da vida espírita mesmo quando encarnados e no estado de vigília.

Não perceberam as inúmeras vezes em que registraram o pensamento dos espíritos desencarnados sob a forma de inspirações e/ou, intuições. Uma "boa ideia" que surge "do nada" para resolver uma dificuldade que estejamos atravessando; a vontade súbita de conversar com alguém, (às vezes um completo desconhecido que viaja conosco no transporte público) e que se declara muito "aliviado" depois de ouvir de nós algumas expressões otimistas; a visita não planejada que fazemos a um amigo, aproveitando a proximidade do seu local de trabalho, e ele nos recebe com expressões de alegre surpresa: "Mas eu precisava tanto falar contigo"!

Segundo Kardec, em "O Livro dos Médiuns" questão 215, é preciso que o médium não se considere deserdado se não for portador de mediunidade ostensiva. A faculdade mediúnica que traz consigo é santa oportunidade de trabalhar a favor de seu progresso, se aceitar a disciplina da casa espírita necessária ao trabalhador da mediunidade. Poderá se tornar auxiliar útil e produtivo junto aos homens e aos espíritos desencarnados veiculando fluídos saturados de harmonia, fé e esperança. Poderá se tornar elemento de pacificação onde se encontre desde que tenha estabelecido em si mesmo o hábito da oração reta.

Em mediunidade não há fenômenos "maiores" ou "menores". Existem sim aqueles que são produzidos pelos bons espíritos que distribuem forças curativas, de paz, veiculam mensagens de encorajamento e esclarecimento, fortalecendo a fé na bondade e na Misericórdia Divina.

Para isso necessitam de médiuns, com quaisquer faculdades mediúnicas, mas sintonizados com seus propósitos de socorrer e esclarecer a Humanidade sofredora.

Assim, não se justificam entre médiuns espíritas expressões como "sou apenas médium para os passes", como se a tarefa de transmissão de fluidos harmonizados às criaturas desvitalizadas, necessitadas de pacificação e do encorajamento dos guias espirituais, fosse tarefa de menor importância.

E não é no contato com as vibrações dos sofredores que o trabalhador do passe vai, aos poucos, construindo a piedade, celestre precursora da  Caridade?



Bibliografia:

1. Ernesto Bozzano 1, Casa Editora O Clarim.
2. O Livro dos Médiuns, Allan Kardec.
3. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec.



Fonte: Revista de Estudos Espíritas, nº 9, setembro/2011


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