quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A IMPORTÂNCIA DO PENSAMENTO NA REUNIÃO ESPIRITA



Dr. Eduardo


Estas palavras foram transcritas do Discurso de Abertura pelo Sr. Allan Kardec na Sessão Anual Comemorativa dos Mortos na Sociedade de Paris, em 1º de Novembro de 1868. "O Espiritismo é uma Religião?"
A Obsessão - Allan Kardec - Tradução Wallace Leal V. Rodrigues-páginas 263-274


"... Qual a utilidade que pode haver em se reunir assim num dia determinado?".

Jesus no-lo indica pelas palavras citadas em (Mat. XVII, 20) "Onde quer que se encontrem duas ou três pessoas reunidas em meu nome, aí estarei com eles". Esta utilidade está no resultado produzido pela comunhão de pensamentos que se estabelece entre pessoas reunidas com o mesmo objetivo.

Mas compreende-se bem toda a expressão: "Comunhão de pensamentos?" Seguramente, até este dia, poucas pessoas dela tinham feito uma idéia completa. O espiritismo, que nos explica tantas coisas, pelas leis que nos revela, vem ainda nos explicar a causa, os efeitos e o poder desta situação do espírito.

Comunhão de pensamento quer dizer pensamento comum unidade de intenção, de vontade, de desejo, de aspiração. Ninguém pode desconhecer que o pensamento seja uma força; mas é uma força puramente moral e abstrata? Não; do contrário não explicariam certos efeitos do pensamento e, ainda menos, a comunhão do pensamento. Para o compreender é preciso conhecer as propriedades e a ação dos elementos que constituem a nossa essência espiritual, e é o Espiritismo que no-las ensina.

O pensamento é o atributo característico do ser espiritual; é ele que distingue o espírito da matéria: sem o pensamento o espírito não seria espírito. A vontade não é atributo especial do espírito: é o pensamento chegado a um certo grau de energia; é o pensamento tornado força motriz. É pela vontade que o espírito imprime aos membros e ao corpo movimentos num determinado sentido. Mas se ele tem a força de agir sobre os órgãos materiais, como não deve ser maior esta força sobre os elementos fluídicos que nos cercam! O pensamento age sobre os fluidos ambientes como o som age sobre o ar; esses fluidos nos trazem o pensamento como o ar nos traz o som. Pode, pois, dizer-se com todo a verdade que há nesses fluidos ondas e raios de pensamentos que se cruzam sem se confundir, como há no ar ondas e raios sonoros.

Uma assembléia é um foco onde irradiam pensamentos diversos; é como uma orquestra, um coro de pensamentos em que cada um produz sua nota. Resulta daí uma porção de correntes e de eflúvios fluídicos, cada um dos quais recebe a impressão pelo sentido espiritual, como num coro de música cada uma recebe a impressão dos sons pelo sentido da audição.

Mas, assim como há raios sonoros harmônicos ou discordantes, também há pensamentos harmônicos ou discordantes. Se o conjunto for harmônico, a impressão será agradável; se for discordante, a impressão será penosa. Ora, para isso não é preciso que o pensamento seja formulado em palavras; a radiação fluídica não existe menos, seja ou não expressa; se todas forem benevolentes, todos os assistentes experimentarão um verdadeiro bem-estar e sentir-se-ão à vontade; mas se misturarem alguns pensamentos maus, produzem o efeito de uma corrente de ar gelado num meio tépido.

Tal é a causa do sentimento de satisfação que se experimenta numa reunião simpática; aí como que reina uma atmosfera moral salubre, onde se respira à vontade; daí se sai reconfortado, porque se ficou impregnado de eflúvios fluídicos salutares. Assim se explicam, também, a ansiedade, e o mal-estar indefinível que se sente num meio antipático, em que pensamentos malévolos provocam, por assim dizer, correntes fluídicas malsãs.

A comunhão de pensamentos produz, assim, uma espécie de efeito físico que reage sobre o moral; é o que só o Espiritismo poderia dar a compreender. O homem o sente instintivamente, desde que procure as reuniões onde sabe que encontra essa comunhão. Nas reuniões homogêneas e simpáticas adquire novas forças morais; poder-se-ia dizer que aí recupera as perdas fluídicas que tem diariamente, pela radiação do pensamento, como recupera pelos alimentos as perdas do corpo material.

A esses efeitos da comunhão dos pensamentos junta-se um outro que é a sua conseqüência natural, e que importa não perder de vista: é o poder que adquire o pensamento ou a vontade, pelo conjunto de pensamentos ou vontades reunidas. Sendo a vontade uma força ativa, esta força é multiplicada pelo número de vontades idênticas, como a força muscular é multiplicada pelo número de braços.

Aceito este ponto, concebe-se que nas relações que se estabelecem entre os homens e os Espíritos haja, numa reunião onde reine uma perfeita comunhão de pensamentos, uma força atrativa ou repulsiva, que nem sempre possui o individuo isolado.

Para os espíritas a comunhão de pensamentos tem um resultado ainda mais especial. Vimos o efeito dessa comunhão de homem a homem; o Espiritismo nos prova que não é menor dos homens para os Espíritos, e reciprocamente. Com efeito, se o pensamento coletivo adquire força pelo número, um conjunto de pensamentos idênticos, tendo o bem por objetivo, terá mais força para neutralizar a ação dos maus Espíritos. Sozinho o homem pode sucumbir, ao passo se sua vontade for corroborada por outras vontades poderá resistir, segundo o axioma: "A união faz a força", verdadeiro tanto no moral quanto no físico. A influência salutar dos bons Espíritos não encontrará obstáculos; seus eflúvios fluídicos não serão detidos por correntes contrárias, espalhar-se-ão sobre todos os assistentes, precisamente por que todos o terão atraído pelo pensamento, não cada um em proveito pessoal, mas em proveito de todos conforme a lei da caridade.

Assim pela comunhão de pensamentos, os homens se assistem entre si e ao mesmo tempo assistem aos Espíritos e são por estes assistidos. As relações entre o mundo visível e o mundo invisível não são mais individuais, são coletivas, e, por isso mesmo, mais poderosas para o proveito da assistência como para o dos indivíduos. Estabelece-se a solidariedade, que é a base da fraternidade. Ninguém trabalha para si só, mas para todos, e trabalhando por todos cada um aí encontra a sua parte. É o oposto do egoísmo.

O Espiritismo faz que compreendamos, então, o poder e os efeitos dos pensamentos coletivos; explicando-nos melhor o sentimento de bem estar que se experimenta num meio homogêneo e simpático; este sentimento também ocorre com os Espíritos, porque eles também recebem os eflúvios de todos os pensamentos benevolentes que para eles se elevam, com uma nuvem de perfume. Os que são felizes experimentam uma maior alegria por esse concerto harmonioso; os que sofrem sentem um maior alívio.

Todas as reuniões religiosas, seja qual for o culto a que pertençam, são fundadas na comunhão de pensamentos; é aí, com efeito, que esta deve e pode exercer todo a sua força, porque o objetivo deve ser o desprendimento do pensamento das garras da matéria.

Devemos, pois ir as reuniões espíritas com o entendimento nas palavras de Jesus: "Quando estiverdes diversos reunidos em meu nome, estarei no meio de vós". Reunidos em meu nome quer dizer com um pensamento comum; mas não se pode estar reunido em nome de Jesus sem assimilar os seus princípios, a sua doutrina que é a Caridade em pensamentos, palavras e obras.

Qual o sentimento no qual se devem confundir todos os pensamentos? È um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para todos, ou, por outras palavras: o amor do próximo, que compreende os vivos e os mortos. A caridade é a alma do Espiritismo: ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes. É com este pensamento em todos que devemos ir as reuniões espíritas.

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