quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A Porta Estreita


Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o
caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. - Quão pequena é a porta
da vida! quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a encontram! (S.
MATEUS, cap. VII, vv. 13 e 14.)

Tendo-lhe alguém feito esta pergunta: Senhor, serão poucos os que se salvam?
Respondeu-lhes ele: - Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois vos asseguro que
muitos procurarão transpô-la e não o poderão. - E quando o pai de família houver
entrado e fechado a porta, e vós, de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abrenos;
ele vos responderá: não sei donde sois: - Pôr-vos-eis a dizer: Comemos e bebemos
na tua presença e nos instruíste nas nossas praças públicas. - Ele vos responderá: Não
sei donde sois; afastai-vos de mim, todos vós que praticais a iniquidade.

Então, haverá prantos e ranger de dentes, quando virdes que Abraão, Isaac,
Jacob e todos os profetas estão no reino de Deus e que vós outros sois dele expelidos. -
Virão muitos do Oriente e do Ocidente, do Setentrião e do Meio-Dia, que participarão
do festim no reino de Deus. - Então, os que forem últimos serão os primeiros e os que
forem primeiros serão os últimos. - (S. LUCAS, cap. XIII, vv. 23 a 30.)

Larga é a porta da perdição, porque são numerosas as paixões más e porque o maior
número envereda pelo
caminho do mal. E estreita a da salvação, porque a grandes esforços sobre si mesmo é
obrigado o homem que a queira transpor, para vencer suas más tendências, coisa a que
poucos se resignam. E o complemento da máxima: "Muitos são os chamados e poucos os
escolhidos."

Tal o estado da Humanidade terrena, porque, sendo a Terra mundo de expiação, nela
predomina o mal. Quando se achar transformada, a estrada do bem será a mais freqüentada.
Aquelas palavras devem, pois, entender-se em sentido relativo e não em sentido absoluto. Se
houvesse de ser esse o estado normal da Humanidade, teria Deus condenado à perdição a
imensa maioria das suas criaturas, suposição inadmissível, desde que se reconheça que Deus
é todo justiça e bondade.

Mas, de que delitos esta Humanidade se houvera feito culpada para merecer tão triste
sorte, no presente e no futuro, se toda ela se achasse degredada na Terra e se a alma não
tivesse tido outras existências? Por que tantos entraves postos diante de seus passos? Por que
essa porta tão estreita que só a muito poucos é dado transpor, se a sorte da alma é
determinada para sempre, logo após a morte? Assim é que, com a unicidade da existência, o
homem está sempre em contradição consigo mesmo e com a justiça de Deus. Com a
anterioridade da alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se alarga; faz-se luz sobre os
pontos mais obscuros da fé; o presente e o futuro tornam-se solidários com o passado, e só
então se pode compreender toda a profundeza. toda a verdade e toda a sabedoria das máximas
do Cristo.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 18. 

* * * Estude Kardec * * *

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