sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O ESPIRITISMO E OS PROBLEMAS HUMANO-SOCIAIS


 
O ser humano e a sociedade
 
Como sabemos o homem é um ser tríplice, composto de corpo, espírito e perispírito. O espírito é sua característica principal pois é o artífice de seu próprio corpo, modelando-o a fim de apropria-lo às suas necessidades e à manifestação de suas tendências (Revista Espírita 1869 – pág. 63).
 
Para a Doutrina dos Espíritos, a compreensão e percepção real do que significa o ser humano, como pessoa, constitui valioso elemento de análise, indispensável para o entendimento dialogal com o mundo moderno, com a nascente civilização pós-industrial, no contexto de um processo de globalização geral, bem como no sentido de avaliar o processo vivido pela multidão de marginalizados e empobrecidos que começam a despertar, a se organizarem e a caminharem com seus próprios pés.
 
Podemos observar que a Doutrina dos Espíritos situa insistentemente, a dignidade da pessoa humana no cerne de seus ensinamentos, preocupação essa que se estende as questões sócio-político-econômica, defesa da vida humana, do trabalho, do significado do progresso técnico-científico, enfim, toda vez que se coloca em jogo a dignidade humana.
 
Para a perfeita compreensão do ser humano, como pessoa, é deveras importante apreendermos que a "pessoa", a personalidade, é o conjunto de atitudes, tendências, valores e sentimentos, que ao longo dos milênios, o Espírito, como elemento catalisador, ligando-se à matéria para lhe dar forma e estrutura, foi incorporando em si, mediante a utilização do livre arbítrio.
 
Carlos Toledo Rizzini, in "Psicologia e Espiritismo" nos informa que "a personalidade é constituída pela síntese de todos os fatos psicológicos", óbviamente, adquiridos ao longo das encarnações.
 
A visão do homem como pessoa deve ser procurada e entendida no contexto da Doutrina dos Espíritos, a fim de que possa exercer e colaborar na ação de transformar o mundo.
 
Ao entendermos essa visão veremos que o homem não é um brinquedo nas mãos de um Criador, de uma força impessoal, ou de uma Causa Primeira, mas que é avisado, advertido, predestinado e chamado a responder, aceitando o convite da Causa Primeira e Inteligência Suprema, para dar sua colaboração, para ser interlocutor e parceiro da Evolução. Como colaborar?
 
Alguém poderia perguntar, qual a importância da visão do ser humano como pessoa segundo a ótica espírita, diante dos graves e urgentes problemas humanos existentes no mundo?
 
Ante tanto sofrimento e tanta injustiça, não deveríamos simplesmente lutar contra a marginalização, contra as injustiças em todas as suas manifestações e contra as estruturas que oprimem milhões e milhões de seres humanos, impedidos de crescerem em humanização e espiritualidade? Em outras palavras: a urgência da luta contra os poderes que impedem a humanização e espiritualidade do homem, e consequentemente a ação transformadora do mundo, não relegará os princípios espíritas sobre o homem ao âmbito das belas definições idealistas que deixam intocada a realidade da miséria, de dominação, de escravidão e de abandono em que se encontra a maioria dos povos da terra?
 
Não temos visto no movimento espírita senão discursos e definições idealisticas. Nada de prática, seja por ações, seja por vivência. Nada há de retórica em nossas palavras. É necessário partir da teoria para a prática, lançar-se à ação no mundo.
 
A falta de ação, o imobilismo, demonstra que parece faltar uma auto-consciência para levarmos em consideração os questionamentos que brotam do "mundo" dos empobrecidos e marginalizados. Este "mundo" de empobrecidos e marginalizados supõe a existência de um outro "mundo" que o empobrece e o marginaliza.
 
A abertura à realidade da existência dos oprimidos não pode deixar de lado a realidade da existência dos opressores, que atualmente se identifica com a forma de sociedade moderna, em um sistema neo-liberal com a globalização da econômia.
 
É necessário que se visualize o caráter universal dessa sociedade globalizante, sobretudo no tocante à responsabilidade, que a ela deve ser atribuída, no processo da dominação, empobrecimento e marginalização de milhões e milhões de seres humanos.
 
Para manter a dominação, a sociedade moderna continua impondo à humanidade, com a finalidade de domínio, restrição da liberdade de pensamento, conceitos que vem perdurando há séculos, tais como fatalismo, predestinação, determinismo, os quais embotam e impedem que a liberdade se expresse de forma racional, restringindo com tais conceitos que a esperança de uma nova ordem social mais justa se esmoreça, pois tais conceitos são a negação da liberdade.
 
A Doutrina dos Espíritos, o movimento espírita em geral e o espírita em particular, não devem se descurar da atitude fundamental que sempre guiou o comportamento de Jesus de Nazaré.
 
Seu exemplo, manifestado em toda sua vida, é o legado que precisamos ter na abertura de diálogos com o mundo moderno, em uma real abertura ao mundo dos marginalizados.
 
Com base em o "Livro dos Espíritos", obra básica do Espiritismo, quando visualizamos a sociedade como um todo passamos a entender que tal sociedade é uma organização insatisfatória, predominando o egoísmo, a avareza, a violência, a deturpação do poder, a corrupção. Entendemos que a sociedade deve ser modificada, e que cabe ao homem modificá-la. Cabe ao homem criar uma sociedade onde a colaboração superando a competição, entregará a cada um o necessário à sua sobrevivência; proporcionará a cada um os elementos e condições necessárias à sua educação e à sua saúde. Está a visão de uma sociedade segundo a ótica de Jesus e da Doutrina dos Espíritos. Uma sociedade onde a justiça não seja distribuída e aplicada única e exclusivamente em benefício dos poderosos e de uma elite minoritária que usurpa o poder, mas que seja distribuída e aplicada indistintamente a todos os seres humanos. Uma sociedade onde a Justiça deixe de ser CEGA para ser IMPARCIAL, pois dessa forma reprimirá e suprimirá o crime, de qualquer natureza, que hoje é engendrado, na maioria das vezes, à sua sombra.
 
Para bem entendermos o ser humano como pessoa, sua visão deve ser procurada em seu passado. Sem o "retorno" ao passado, o nosso presente acaba se tornando incompreensível. No entanto é importante interessar-se pelo presente, a fim de obtermos respostas. Apesar de uma e outra, retorno ao passado e interesse pelo presente, serem insuficientes, precisamos delas para a auto-compreensão do contexto do homem na sociedade para que possamos começar a encetar a caminhada de humanização e espiritualização, com a consequente libertação dos povos marginalizados e oprimidos.
 
Os fatos psicológicos, desempenham uma função essencial no comportamento do ser humano, pois no caminho da eternidade, passando por vida após vida, irá incorporando ao Espírito eterno, as qualidades determinantes de sua individualidade.
 
Tais fatos se interelacionam a acontecimentos com pessoas e com nosso meio ambiente, e são adquiridos por aprendizado de ajustamento, ou seja, hábitos complexos.
 
Assim, desenvolvemos nossa personalidade à medida que lidamos com o meio social, e, uma vez desenvolvida, ela facilita nosso ajustamento à sociedade.
 
Com a visão do homem como pessoa, segundo a ótica espírita, veremos que o valor, a dignidade e a importância, da resposta do homem ao chamado na colaboração de um novo mundo aparece de forma especial no exemplo de Jesus, que colocou sua vida à serviço do povo sofredor, consubstanciando na moral espírita prescrita por Allan Kardec.
 
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