sexta-feira, 24 de agosto de 2012

POR QUE DEVEMOS ESTUDAR O ESPIRITISMO?



Pedro Camilo
Fonte: Portal do Espíritohttp://www.omensageiro.com.br/artigos/artigo-310.htm
 
Recentemente, fui convidado por determinada Casa Espírita de Salvador-Ba, onde nasci e moro desde sempre, para abordar o tema “Conhecendo O Livro dos Espíritos”, obra basilar do Espiritismo, levada às bancas parisienses no dia 18 de abril de 1857, apontando, como seu autor, o nome de Allan Kardec.
 
Tão logo me foi feito o convite, comecei a mais uma vez refletir sobre a importância que tem essa monumental obra para a história do Espiritualismo Moderno, figurando como o mais fragoroso fruto daquilo que o meu conterrâneo Djalma Motta Argolo, no seu livro A Trajetória Evolutiva do Espírito, chama de “Segunda Revolução Mediúnica”, tendo sido, a primeira, o momento em que o homem, vivendo a sua vida rústica, descobriu o mundo espiritual, acordando para as próprias possibilidades mediúnicas.
 
Muito dificilmente, paro para fazer um rascunho de palestras. Costumo olhar este ou aquele livro, reflito bastante sobre o tema e os conhecimentos que tenho sobre ele, crio meu roteiro mental e realizo as exposições. É uma maneira de estar sempre fazendo algo novo, embora abordando temas iguais.
 
Contudo, para o tema daquela noite, dias antes comecei a rever O Livro dos Espíritos, seus capítulos, seus ensinamentos. Tomei de outras obras, como Reflexões Espíritas, do Espírito Vianna de Carvalho através de Divaldo Franco; O Livro dos Espíritos e sua tradição histórica e lendária, de Canuto Abreu; e, também, Cadernos Espíritas, do saudoso jornalista baiano Deolindo Amorim. Neste último livro, está encerrado um curioso estudo sobre a origem da Doutrina Espírita, que é de suma importância consultar.
 
Fui, assim, “armado” com a espada da informação para a casa irmã.
 
Era uma quarta-feira, pela manhã. Surpreendentemente, o salão estava lotado, estando presente cerca de duzentas e vinte pessoas.
 
Convidado a assumir a palavra, comecei minha exposição, relembrando os acontecimentos de Hydesville, tocando no convite feito pelo Sr. Fortier ao Prof. Rivail para que este presenciasse o fenômeno das mesas girantes, passando pelos primeiros estudos do pedagogo francês até atingir o lançamento de O Livro dos Espíritos, momento a partir do qual apresentei as quatro partes da obra basilar do Espiritismo, revelando seu conteúdo e sua relevância.
 
Em dado momento da explanação, interrompi as colocações e consultei a platéia, fazendo a seguinte pergunta: Quem aqui já leu O Livro dos Espíritos? Cerca de sessenta pessoas (menos de um terço dos presentes) levantaram a mão!
 
Refiz, então, a pergunta: Quantos já estudaram O Livro dos Espíritos? Aproximadamente vinte pessoas mantiveram suas mãos levantadas!
 
E nova pergunta despontou dos meus lábios: Quem pode me dizer do que está escrito na introdução de O Livro dos Espíritos? Todos abaixaram a mão!
 
Naquele momento, mais do que em qualquer outro, entendi porque devemos estudar o Espiritismo: para sermos, verdadeiramente, espíritas – porque é impossível compreender e viver uma Doutrina tão complexa e abrangente sem dominar seus conhecimentos básicos.
 
E, àquele que quiser tornar-se, verdadeiramente, espírita, convido a um estudo de O Livro dos Espíritos, sem, contudo, que deixe de consultar a sua introdução!
 
* * *
 
VIII - PERSEVERANÇA E SERIEDADEAllan Kardec in O Livro dos Espíritos - Introdução ao estudo da Doutrina Espírita.
 
Acrescentemos que o estudo de uma doutrina como a espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova e grande, não pode ser feito proveitosamente senão por homens sérios, perseverantes, isentos de prevenções e animados de uma firme e sincera vontade de chegar a um resultado. Não podemos classificar assim aos que julgam a priori, levianamente, sem terem visto tudo: os que não imprimem aos seus estudos nem a continuidade, nem a regularidade e o recolhimento necessários; e menos ainda aos que para não diminuírem a sua reputação de homens de espírito, esforçam-se por encontrar um lado burlesco nas coisas mais verdadeiras ou assim consideradas por pessoas cujo saber, caráter e convicções merecem a consideração dos que se prezam de urbanidade. Que se abstenham, portanto, os que não julgam os fatos dignos de sua atenção; ninguém pretende violentar-lhes a crença, mas que eles também saibam respeitar as dos outros.

O que caracteriza um estudo sério é a continuidade. Devemos admirar-nos de não obter respostas sensatas a perguntas naturalmente sérias, quando as fazemos ao acaso e de maneira brusca, em meio a perguntas ridículas? Uma questão complexa requer, para ser esclarecida, perguntas preliminares ou complementares. Quem quer adquirir uma Ciência deve estudá-la de maneira metódica, começando pelo começo e seguindo o seu encadeamento de idéias. Aquele que propõe a um sábio, ao acaso, uma questão sobre Ciência de que ignora os rudimentos, obterá algum proveito? O próprio sábio poderá, com a maior boa vontade, dar-lhe uma resposta satisfatória? Essa resposta isolada será forçosamente incompleta e, por isso mesmo, quase sempre ininteligível, ou poderá parecer absurda e contraditória. Acontece o mesmo em nossas relações com os Espíritos. Se desejamos aprender com eles, temos de seguir-lhes o curso; mas, como entre nós, é necessário escolher os professores e trabalhar com assiduidade.
 
Dissemos que os Espíritos superiores só comparecem às reuniões sérias, àquelas sobretudo em que reina perfeita comunhão de pensamentos e de bons sentimentos. A leviandade e as perguntas ociosas os afastam, como entre os homens afastam as criaturas ponderadas; o campo fica então livre à turba de Espíritos mentirosos e frívolos, sempre à espreita de oportunidades para zombarem de nós e se divertirem à nossa custa. Em que se transformaria uma pergunta séria, numa reunião dessas? Teria resposta? De quem? Seria o mesmo que lançarmos, numa reunião de gaiatos, estas perguntas: O que é a alma? O que é a morte? e outras coisas assim divertidas.
 
Se quereis respostas sérias, sede sérios vós mesmos, em toda a extensão do termo e mantende-vos nas condições necessárias: somente então obtereis grandes coisas. Sede, além disso, laboriosos e perseverantes em vossos estudos, para que os Espíritos superiores não vos abandonem como faz um professor com os alunos negligentes.
 
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seguem muitas vibrações de paz e amor
para você

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