segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Iluminado



O Iluminado



As sucessivas ondas de perfume carreadas pelos ventos suaves da primavera faziam parte do festival de alegria que dominava a Natureza.

As folhas de mangueiras enfeitavam as portas das casas da aldeia, significando fecundidade em abundância, e o ashram se encontrava ornamentado de festões de flores de laranjeiras.

As pessoas transitavam felizes, ornadas de guirlandas coloridas, e as virgens descalças exibiam os braceletes e guizos reluzentes, assim como as joias cintilantes ue adornavam os sáris leves, dourados uns, prateados outros.

Enfeitadas com esmero e pintadas, aguardavam o Iluminado que deveria chegar, quais noivas ansiosas pelas núpcias anunciadas.

Crianças gárrulas, vestidas com cuidado, corriam de um para o outro lado, como abelhas operosas, embora não produzissem nada além da música estridente dos gritos e das risadas...

O Sol ameno beijava a terra verde exultante de vitalidade com carícia gentil.

De quando em quando, soavam os clarins anunciadores, informando a proximidade da comitiva que conduzia o Esperado.

O palanque no centro do ashram estava repleto com as autoridades e as personagens locais de maior destaque.

Todos O aguardavam com expectativa mal disfarçada.

Esperava-se que Ele chegasse numa carruagem ajaezada de gemas preciosas e ornada de ouro, conduzida por corcéis brancos igualmente recobertos de tecidos caros...

... Ele, porém, chegou caminhando, pés descalços, cabeça erguida e corpo coberto somente pela túnica em tonalidade açafrão, que lhe descia até o solo.

Nenhum adorno se destacava na indumentária.

Os seus acompanhantes eram, também, destituídos de luxo e de ostentação.

A multidão não pode esconder o desencanto.

Aguardava-se um rei poderoso que representava Brahma na Terra, e o mensageiro parecia tão pobre e sem valor!

Ele dirigiu-se ao estrado, subiu, calmamente, os degraus, saudou as personalidades com humildade, em melodiosas expressões Namastê!.¹

As pessoas acercaram-se mais e um silêncio cósmico facultou a oportunidade para Ele falar...


... Eu venho em nome da Luz Inapagável, que antecedeu ao tempo e ao espaço.
    Eu sou portador da Sua claridade, a fim de que toda a sombra se dilua nas mentes e nos corações humanos.
    Eu dou a luminosa verdade que desalgema o Espírito da dominadora sombra da ignorância.
    Eu sou o archote da esperança para quem busca, sou o socorro para quem o necessita.
    Não tenho nada, além disso, nem me interessa possuir outras coisas...
    Eu sou!...



Ante a expectação e a onda de ternura que invadiu as pessoas, um apelo maternal rompeu a pausa que Ele fez, rogando:

- Minha filha é cega! - e ergueu-a nos braços.

Ele sorriu, misericordioso, e, dos Seus olhos, saíram raios brilhantes, atingindo a criança invidente, que gritou: - Vejo! - e prorrompeu em pranto...

Outrem suplicou:

- Cura as minhas feridas!

Ele estendeu as mãos que espraiaram radiante luz, que logo cicatrizou as úlceras...

... E todos que se encontravam nas trevas das aflições suplicaram remendos para os seus corpos corrompidos, enquanto Ele, curando-os, iluminou-lhes as almas equivocadas.

Quando a noite chegou estrelada, e Ele partiu, uma estrada esplendendo em luz feérica se estendeu da aldeia humilde, perdendo-se na direção do infinito.

O Iluminado compadecido, que nada possuía, era o amor que tudo pode e que se dá, deixando perene claridade naqueles que deambulam na escuridão da inferioridade.


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¹ "O deus que está em mim saúda o deus que está em você."


(Rabindranath Tagore)
Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 7 de julho de 2008, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)
Fonte: Reformador nº 2.160 - março/2009
 

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