quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Pelas suas obras é que se reconhece o cristão




"Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus, mas
somente aqueles que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus."

Escutai essa palavra do Mestre, todos vós que repelis a Doutrina Espírita como obra
do demônio. Abri os ouvidos, que é chegado o momento de ouvir.

Será bastante trazer a libré do Senhor, para ser-se fiel servidor seu? Bastará dizer:
"Sou cristão", para que alguém seja um seguidor do Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e
os reconhecereis pelas suas obras. "Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma
árvore má pode dar frutos bons." - "Toda árvore que não dá bons frutos é cortada e lançada ao
fogo." São do Mestre essas palavras. Discípulos do Cristo, compreendei- as bem! Que frutos
deve dar a árvore do Cristianismo, árvore possante, cujos ramos frondosos cobrem com sua
sombra uma parte do mundo, mas que ainda não abrigam todos os que se hão de grupar em
torno dela? Os da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e de fé. O Cristianismo,
qual o fizeram há muitos séculos, continua a pregar essas virtudes divinas; esforça-se por
espalhar seus frutos, mas quão poucos os colhem! A árvore é boa sempre, porém maus são os
jardineiros. Entenderam de moldá-la pelas suas idéias; de talhá-la de acordo com as suas
necessidades; cortaram-na, diminuíram-na, mutilaram-na; tomados estéreis, seus ramos não
dão maus frutos, porque nenhuns mais produzem. O viajor sedento, que se detém sob seus
galhos à procura do fruto da esperança, capaz de lhe restabelecer a força e a coragem,
somente vê uma ramaria árida, prenunciando tempestade. Em vão pede ele o fruto de vida à
árvore da vida; caem-lhe secas as folhas; tanto as remexeu a mão do homem, que as crestou.

Abri, pois, os ouvidos e os corações, meus bem-amados! Cultivai essa árvore da vida,
cujos frutos dão a vida eterna. Aquele que a plantou vos concita a tratá-la com amor, que
ainda a vereis dar com abundância seus frutos divinos. Conservai-a tal como o Cristo vo-la
entregou: não a mutileis; ela quer estender a sua sombra imensa sobre o Universo: não lhe
corteis os galhos. Seus frutos benfazejos caem abundantes para alimentar o viajor faminto
que deseja chegar ao termo da jornada; não amontoeis esses frutos, para os armazenar e
deixar apodrecer, a fim de que a ninguém sirvam. "Muitos são os chamados e poucos os
escolhidos." É que há açambarcadores do pão da vida, como os há do pão material. Não sejais
do número deles; a árvore que dá bons frutos tem que os dar para todos. Ide, pois, procurar os que estão
famintos; levai-os para debaixo da fronde da árvore e partilhai com eles do abrigo que ela
oferece. - "Não se colhem uvas nos espinheiros. " Meus irmãos, afastai-vos dos que vos
chamam para vos apresentar as sarças do caminho, segui os que vos conduzem à sombra da
árvore da vida.

O divino Salvador, o justo por excelência, disse, e suas palavras não passarão: "Nem
todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus; entrarão somente os que
fazem a vontade de meu Pai que está nos céus."

Que o Senhor de bênçãos vos abençoe; que o Deus de luz vos ilumine; que a árvore da
vida vos ofereça abundantemente seus frutos! Crede e orai. - Simeão. (Bordéus, 1863.)

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 18. 

* * * Estude Kardec * * *

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