terça-feira, 2 de outubro de 2012

A PEDAGOGIA E A REENCARNAÇÃO




Das ciências ditas gregas da área filosófica, sem dúvida, a Pedagogia – Ciência da Educação – na preocupação fundamental de instruir a criança (inicialmente) e educá-la para a vida, nunca se preocupou, através de seus educadores, com o problema reencarnatório de cada um, tendo em vista que ele, além de ter péssima aceitação, estaria contrariando as crenças de um modo geral, afinal, este seria um assunto exclusivo diretamente ligado às religiosidades.

Todavia, muita coisa há que se considerar em relação à forma de educação que se deva dar a cada um, se levarmos em conta a personalidade e o conceito do processo reencarnatório, hoje em dia aceito por correntes científicas que se baseiam numa lei física que nos diz que “todo fenômeno é repetitivo” e que “todo agente capaz de realizar determinado fenômeno, é capaz de reproduzi-lo tantas vezes quantas necessárias”.

Ora, posto isso, já não mais se trata de crença, mas de fenomenologia do domínio físico depois que a Ciência estabeleceu que “a energia fundamental cósmica por si só não pode se alterar” – sem dúvida, uma afirmativa a favor da possível existência do Espírito ou agente estruturador (como dizem) – algo há que atua nos seres biológicos para dar-lhes a vida.

Contudo, este não é um assunto nada pedagógico.

A Pedagogia, até o início do século XX se estruturava quase que exclusivamente em Pestalozzi e seus métodos didáticos de estudo para aprendizagem do aluno.

Só em 1909 é que a doutora Maria Montessori, médica pediátrica nascida na Itália e radicada nos países baixos (Holanda), preocupada com o estudo das crianças especiais é que começaram as verdadeiras mudanças na dita pedagogia do ensino. Inicialmente, ela, como diretora da Escola de Ortofenia de Roma criou um novo método de educação dirigida para a clientela, separando-a segundo suas características pessoais – a aprendizagem não podia ser a mesma para todos – o que vem a ser o primeiro passo para o estudo do educando segundo sua personalidade individual.

Mas só em 1909 é que ela ousou publicar seu primeiro trabalho neste campo, admitindo que a educação dependia do conhecimento científico do dito educando.

Foi outro médico, porém belga, Ovide Decroly que, em 1921 acabou se tornando o pioneiro da “Educação Nova”, baseada nos centros de interesse e das necessidades fundamentais da educação infantil. Foi ele que instituiu os jogos educativos e as atividades naturais – no caso, trabalhos manuais, etc. – como forma de interesse educacional de grande importância.

Outro grande destaque da pedagogia foi Rudolf Steiner, nascido na Áustria e educado na Croácia; inicialmente, preocupado com a Metafísica, dedicou-se ao estudo da Teosofia elaborando um trabalho – Antroposofia (Teosofia humana) -, acabou por se instalar na Suíça onde se separou dos teósofos para se dedicar à nova forma de educação, fundando a Escola Waldort em Studgart, cidade alemã de Baaden. Com a sua formação teosófica, foi o primeiro a registrar seus estudos pedagógicos voltados à idéia da formação espiritual de cada um. Juntou sua sociedade antroposófca à formação educacional da criança na sua nova vida.

Leia-se aí “reencarnação”.

Mas, infelizmente, os educadores registram, apenas, o fato como histórico; ademais, a formação evangélica da sociedade não permitia que se aprofundasse na formação educacional neste campo, atribuindo o direito de fazê-lo só ao Criador.

Anterior a Steiner, na França, pontificou, em meados do século XIX um educador emérito, Prof. Rivail, discípulo dileto de Pestalozzi e introdutor da Metodologia do Ensino – Didática – no país de Gales e que deixou de lado a educação para se dedicar a novo estudo voltado para os fenômenos paranormais, usando o pseudônimo de Allan Kardec. Caberia a ele, provavelmente, aliar sua formação educacional com a doutrina que codificara, com o nome de Espiritismo, voltada para os conceitos que, posteriormente, Steiner apresentou como fundamento para compreensão das reações do aluno ante seu ensino.

O Espiritismo brasileiro atual se transformou em mais uma doutrina cristã de fundo religioso e abandonou o campo de pesquisa educacional voltado ao processo reencarnatório, preocupando-se, apenas, em evangelizar seus seguidores sob influência dos ensinamentos atribuídos a Jesus, provavelmente motivado pela tendência do nosso povo.

Era de se esperar que os educadores orientados pela codificação de Kardec dessem prosseguimento aos estudos de Steiner, procurando entender o aluno como fruto de uma personalidade de vidas passadas que influiriam em sua personalidade, mas, o ensino, desde o fundamental até o de extensão universitária, todo ele é exclusivamente voltado para o conhecimento estabelecido nas normas de educação de cada país, nenhum deles preocupado com o sistema palingenético da vida, como se a aprendizagem de cada um fosse, apenas, uma informação a ser adquirida por um aluno que partiria do conhecimento zero.

A didática, todavia, registra mas não esclarece o motivo pelo qual cada criança, cada estudante tem sua própria reação ao ensino, alguns mostrando conhecimento injustificado pelo que já aprendera nesta vida, outros tendo enorme dificuldades em conseguir entender o que lhe seja ensinado.

Evidentemente, só a tese reencarnatória poderia justificar tais reações tão distintas porque, por mais que se tenha tentado e se esforçado para provar que a inteligência de cada um seja genética, a verdade é que os fatos observados provam rigorosamente o contrário: filhos de gênios, por vezes, comprometem a paternidade e os gênios, até então não encontraram em seus antepassados a explicação para sua genialidade.

Em conclusão: se o ensino visasse a uma aprendizagem onde fosse ensinado que nossos atos atuais e nossos conhecimentos nos projetariam a outras vidas futuras, quem o compreendesse, certamente, sentiria a necessidade de melhor aprender para que seu processo de evolução através de vidas futuras fosse bem mais rápido.

Quem se conscientiza de que nossos atos atuais irão se refletir na encarnação seguinte, evidentemente, envidará esforços para aprender e o educador, tendo esta mesma compreensão, provavelmente, entenderá o porquê do comportamento de seus alunos na vida presente, procurando pesquisá-lo em decorrência de vidas passadas.

Ou será que tudo isso é pura ilusão?

* * *

Artigo recebido da articulista, via e-mail, em 25 de dezembro de 2008 (Thursday, December 25, 2008 3:29 PM).





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