terça-feira, 9 de outubro de 2012

Estranho Amor

                   


   

                                               















Estranho Amor


 Fatores limitantes: Meu garotinho é muito apegado a mim. Todas as vezes que vamos ao Centro Espírita, ele não consegue ficar nas aulas de evangelização infantil. Tem verdadeira aversão aos alunos e às professoras. Agarra-se em minhas mãos, chora muito e toma atitudes de teimo­sia e agressividade. Insiste em dormir em minha cama, e é raro passar uma noite inteira dormindo tranqüilamente. Tem medo do escuro e de vultos andando pela casa. É um menino sensível e de bom coração, todavia, depois desses últimos acontecimentos, tenho-me preocupado muito. Temo que ele esteja sendo envolvido por vibrações perturbadoras. O que preciso fazer para livrá-lo dessas más influências?

        Expandindo nossos horizontes:

        Na mitologia clássica, cada flor era encarada como uma dádiva dos deuses, uma obra divina do Olimpo. Assim, Narciso era uma flor que correspondia à metamorfose de um belo jovem com esse mesmo nome. Filho da ninfa Liríope e do deus fluvial Cefiso, era dotado de extraordinária beleza.

        Ao nascer, um vidente profetizou que ele viveria muito tempo se jamais se desse conta de sua beleza.

        Um dia, porém, caçando em uma extensa floresta, se aproxima de um lago límpido a fim de aliviar a sede. Vê sua imagem refle­tida nas águas e por ela se enamora, vivendo obstinada fascinação.

        Deitado no solo, contempla fixo o lago que espelha sua face. Imóvel dia e noite, é incapaz de afastar-se; fica perdidamente apaixonado por si mesmo. O jovem deixa de alimentar-se, de dormir, de saciar a sede e vai se consumindo na melancolia de um amor impossível. Quantas vezes em vão mergulha os braços nas águas para abraçar aquela figura admirada. A mesma ilusão que lhe en­gana os olhos aumenta sua paixão ardente.

        Depois de morto, os deuses tiveram compaixão dele e o transformaram em uma delicada flor de miolo amarelo rodeado de pétalas brancas; flores que sempre nasceriam às margens das lagoas em memória desse jovem tão infeliz.

        Numerosos foram os pintores e os escritores que se utili­zaram da figura mística de Narciso. Também para muitos estudiosos do comportamento humano, ele passou a representar as ten­dências ao egocentrismo existentes no ser humano.

        Narciso, na verdade, não estava enamorado de si mesmo, mas de sua imagem. O processo ocorre de maneira idêntica nos pais narcisistas. Para eles o filho é sua própria imagem projetada.

        A expressão do amor materno é um impulso natural, desprovido de qualquer interesse egoístico. Esse instinto de proteção surge ante a fragilidade do bebê, ainda incapaz de prover sua sobrevivência. Contudo, grande parte das mães continua se relacionando com os filhos crescidos como se fossem eternas criancinhas.

        Inconscientemente, crêem que eles são ainda parte delas próprias, como realmente o foram quando estavam no ven­tre. Assim acreditando, criam condições negativas ao desenvol­vimento íntimo deles, prejudicando-lhes a mentalidade quanto ao uso da livre escolha. Estão constantemente interferindo, ordenando e criticando de maneira possessivamente dócil.

        A criança, a quem foi permitida a possibilidade de errar para buscar experiências e, mais tarde, colher os frutos da segurança, se tornará uma personalidade sadia e confiante em si mesma. Toda ascensão exige atividade. Não há lição sem preço.

        Você deve conceder liberdade a seu filho, obviamente le­vando em conta sua faixa etária, para que ele não corra risco ou prejuízo em sua vida física, psíquica e social.

        Mesmo sem perceber, você pode estar afastando seu filho dos testes do mundo; por isso ele está nessa situação constrangedora, desenvolvendo o medo e uma extrema dependência de tudo.

        As crianças são muito sensíveis às energias do ambiente doméstico. Quando elas manifestam dificuldades e problemas, na maioria das vezes estão apenas refletindo os comportamentos familiares.

        Ao recomendar-lhe que dê liberdade a seu filho, não es­tou me referindo ao ato de mimar, à falta de controle, à ausência de limites. Tampouco que o entregue à própria sorte, mas que o ensi­ne a pensar para tomar decisões e tecer os fios de sua felicidade.

        Certos pais não transmitem a necessária confiança e apoio a seus filhos, pois não reconhecem nem respeitam sua indivi­dualidade. Dificultam, assim, o relacionamento deles com ou­tras crianças no ambiente social. Essas atitudes de superproteção os mantêm presos a laços invisíveis, bloqueando-lhes o anseio de liberdade infantil.

        Pais que pensam por suas crianças, como se elas fossem destituídas de inteligência, não se desenvolveram a ponto de re­conhecer a existência independente de uma outra pessoa. Acre­ditam que os filhos têm sua mesma intenção, querer e propósito, permanecendo durante anos, ainda quando eles se tornam adul­tos, na mesma expectativa de que deverão estar sempre a postos para suprir todas as necessidades filiais. Crises, infortúnios e dis­sabores são medidas de socorro com que os Céus amparam as criaturas.

        As nódoas da vida e os percalços do caminho, hoje, poderão parecer trevas, mas, amanhã, serão suas luzes. Portanto, modifique essa sua atitude; excesso de zelo prejudica ao invés de beneficiar.

        Deus a todos ama e abençoa, nunca desampara e não esquece ninguém. Não sufoque os outros; ao contrário, coopere e incentive.

        O narcisista supervaloriza seu próprio mundo e acredita que o mundo do outro é dele. É incapaz de afastar-se de sua imagem, ficando completamente perdido na contemplação de si mesmo. O narcisismo dos pais é uma fascinação por si mesmos refletida nos filhos. Sou especial e, portanto, devo tratar e proteger meu filho especialmente.

        A criança, à medida que se vai tornando adulta, não precisa tanto das mães para suprirem suas necessidades corriqueiras; mas carecem de sua presença colaboradora e amiga a seu lado.

        A insegurança de seu filho é a causa primordial e atrativa dessas influências perturbadoras. Comece a exercitá-lo para sentir-se independente e para participar de forma ativa dentro do próprio lar, e mostre-lhe as limitações naturais de sua liberdade, procurando, no entanto, distingüi-la dos caprichos e dos desejos infantis.

        Possessividade é um estranho amor que machuca a alma com rudeza. Da vida tira a alegria e dos olhos muito pranto.



Livro: Conviver e Melhorar - 21
Lourdes Catherine & Francisco do Espírito Santo Neto


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