sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Fé e Conduta



"Pelo Espiritismo, o homem sabe donde vem, para onde vai, porque
está na Terra, porque sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça
de Deus."
A GÊNESE - Capítulo 1º - Item 30.

Vive o cristão moderno na catedral forense da Fé à semelhança de
nobres expositores em inoperância, discursando para ouvintes impassíveis.

Apontam deficiências, apresentam sugestões, impõem diretrizes, sem
resolverem o problema da multidão que os contempla em modorra silenciosa.

Não ajudam positivamente. Não se melhoram, embora as respeitáveis
afirmações da referência pessoal.

Quando silenciam e demandam a via pública conduzem valiosos
conceitos de bolso e alma vazia.

Alguns, ligados às diretrizes de Rosa, procuram apenas observar fórmulas
exteriores, complicando a Promessa Divina em liturgias aparatosas que
imprimem respeito às aparências desvaliosas.

Outros, comprometidos com as igrejas nascidas na Reforma, expõem a
letra morta da Lei, transformando- se em juízes severos, contando consciências
salvas, dividindo as criaturas e organizando estatutos de conduta para o
próximo em expressivos discursos teológicos, dominados, muitas vezes, por
ódios de grupos que se digladiam.

E outros mais, irmanam-se aos compromissos espiritistas,
experimentando a mensagem da Lei infatigável, no corpo da existência física.
Mesmo assim, repetem os equívocos dos aparatosos irmãos romanos e
apresentam verbetes onde fulguram luminosos conceitos de fé.

Quando, porém, todos despirem a túnica da carne e demandarem o
Supremo Tribunal, o Grande Juiz os fitará com a decepção estampada na face,
e, precípites, os desconcertados crentes passarão às justificativas a que se
habituaram enquanto no caminho.

O filho de Roma dir-se-á ludibriado pela tradição religiosa, transferindo a
responsabilidade dos seus insucessos espirituais aos mentores que o
norteavam.

O discípulo da Reforma fará citações oportunas recordando que a fé salva
mas sem justificação para a ausência de anotações de trabalho na ficha de
serviço fraterno.

Mais lamentável deverá ser a situação do discípulo de Allan Kardec, que
conheceu por experiência pessoal a expressão nobre da fé que descortinou.

Não terá justificativa porque sabe que fé é norma de conduta.

Fé é enflorescimento - conduta é fruto.

De mãos vazias, todos estarão aguardando a resposta no Grande
Tribunal.

Aos primeiros, o Grande Magistrado concederá o ensejo de reaprender,
retornando à escola da carne pelo caminho do sofrimento.. .

Aos segundos, o Chefe Supremo oferecerá a oportunidade nova de
serviço na gleba feliz do mundo, tendo a mente tarda e ágeis as mãos.

Mas aos servidores negligentes, conhecedores da sabedoria da Lei divina,
o Patriarca Celeste sentenciará:

"Tenho piedade de vós! Retornareis ao ilhéu da matéria no oceano da
dor... Não somente para servir mas também para meditar e aprender. Ali o
tempo caminhará convosco trabalhando, em vosso coração a mensagem viva
do dever".

Tal será o resultado do julgamento quando os pregoeiros da palavra e da
crença, na grande catedral forense da fé, retornarem à ribalta do mundo para a
sublimação dos ideais, no carreiro da Caridade.

Mergulha, desse modo, o pensamento no estudo e na prática do
Espiritismo, assenhoreando- te do conhecimento para identificares os móveis
dos sofrimentos atuais, corrigindo arestas morais e construindo em volta dos
próprios passos uma senda de luz, por onde possam avançar outros pés, no
rumo da libertação plena.

FRANCO, Divaldo Pereira. Espírito e Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 49. 

* * * Estude Kardec * * *

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