quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Os Últimos serão os Primeiros




O obreiro da última hora tem direito ao salário, mas é preciso que a
sua boavontade o haja conservado à disposição daquele que o tinha de
empregar e que o seu retardamento não seja fruto da preguiça ou da
má-vontade. Tem ele direito ao salário, porque desde a alvorada
esperava com impaciência aquele que por fim o chamaria para o
trabalho. Laborioso, apenas lhe faltava o labor.

Se, porém, se houvesse negado ao trabalho a qualquer hora do dia; se
houvesse dito: "tenhamos paciência, o repouso me é agradável; quando
soar a última hora é que será tempo de pensar no salário do dia; que
necessidade tenho de me incomodar por um patrão a quem não conheço e
não estimo! quanto mais tarde, melhor"; esse tal, meus amigos, não
teria tido o salário do obreiro, mas o da preguiça.

Que dizer, então, daquele que, em vez de apenas se conservar inativo,
haja empregado as horas destinadas ao labor do dia em praticar atos
culposos; que haja blasfemado de Deus, derramado o sangue de seus
irmãos, lançado a perturbação nas famílias, arruinado os que nele
confiaram, abusado da inocência, que, enfim, se haja cevado em todas
as ignominias da Humanidade? Que será desse? Bastar-lhe-á dizer à
última hora: Senhor, empreguei mal o meu tempo; toma-me até ao fim do
dia, para que eu execute um pouco, embora bem pouco, da minha tarefa,
e dá-me o salário do trabalhador de boa vontade? Não, não; o Senhor
lhe dirá: "Não tenho presentemente trabalho para te dar; malbarataste
o teu tempo; esqueceste o que havias aprendido; já não sabes
trabalhar na minha vinha. Recomeça, portanto, a aprender, quando te
achares mais bem disposto, vem ter comigo e eu te franquearei o meu
vasto campo, onde poderás trabalhar a qualquer hora do dia.

Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora.
Bem orgulhoso seria aquele que dissesse: Comecei o trabalho ao
alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando
fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a
encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos
o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar
nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora
que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa
que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade
dos tempos que formam para vós a eternidade. - Constantino, Espírito Protetor. (Bordéus, 1863.)

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 10. Item 2. 

* * * Estude Kardec * * *

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