segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Vôo de Ícaro



O Vôo de Ícaro





    Fatores Limitantes:
    Há tempos me dedico ao exercício da psicografia. No momento, apesar de todo o meu empenho, minha mediunidade não recebe a atenção desejada. Estou num vazio enorme, que varre minha esperança, turva meu ideal e me induz à desilusão. Observo médiuns notáveis que, desde cedo, encaminharam suas páginas mediúnicas à publicação; outros, menos experientes, lançam livros imprudentemen­te. Espero há anos a alegria de ver minhas mensagens difundidas, e isso não acontece. Estou desencantado. Será que minha produção mediúnica nunca merecerá ser divulgada? Devo abdicar da psicografia e canalizar meus recursos espirituais para outra área de ação?



    Expandindo nossos horizontes:
    O mito grego de Dédalo e Ícaro ilustra o caminho em busca da realidade. É típico de todos os seres humanos o uso das asas da imaginação. No entanto, quando se voa muito alto e se ultra­passa os limites do bom senso, se cai com facilidade na frustração ou no desencanto de viver.

    A princípio, Ícaro achou ousado o plano de Dédalo, seu pai, genial escultor-arquiteto. Mas depois, a seu lado, começou a procurar um meio de construir as asas que os salvariam do La­birinto de Cnossos. Primeiro, reuniram penas de aves e as selecionaram de acordo com o tamanho. Em seguida, amarraram-nas com fios de linho e as fixaram firmemente com cera, umas às outras. Antes de partirem, Dédalo recomenda ao filho muito cuidado.

    Pede que ele voe em altitude mediana, para não molhar as asas no oceano nem derretê-las ao contato com os raios solares. No entanto, Ícaro, encantado com as nuvens, os céus, os pássaros e o firmamento majestoso, perde completamente a noção do perigo.
    Voa demasiada­mente alto, e o calor do sol lhe queima as asas, dissolvendo a cera que unia as penas. Assim, ele é lançado nos abismos dos mares.

    O pai, que ia à frente, mostrando o caminho e aproveitando o vento favorável, quando olha para trás não encontra mais o filho. Vê apenas duas asas brancas ao léu, flutuando na imensidão azul das águas.

    Não compare as faculdades alheias com seus talentos ou predisposições inatas.

    A raiz de suas decepções é a necessidade absurda de como você e os outros deveriam ser, e de como deveriam tratá-lo. Leve em consideração seu mundo interior e se livre dessas falsas necessidades. Sua essência espiritual lhe fornece tudo o que precisa para cumprir a missão que lhe foi destinada. A publicação de suas páginas mediúnicas, por si só, não tem condições de satisfazê-lo intimamente, mas sim o desenvolvimento de seu centro espiritual. Como fonte de toda a vida interior, ele impulsiona sua atividade medianímica, gerando sua realização e satisfação pessoal.

    Somos cegos e surdos acima ou abaixo de certos padrões vibracionais delimitados pela natureza humana, assim como te­mos os olhos e os ouvidos fechados para determinados fenôme­nos que ocorrem nas dimensões invisíveis, por não sermos dota­dos de aptidões específicas para detectá-los.

    As pessoas costumam colocar suas expectativas num nível excessivo de aspiração, propondo em seus projetos de vida um anseio desproporcional ou superiora suas habilidades.

    Muitas das metas que estabelecemos baseiam-se em ne­cessidades equivocadas e, por isso, jamais se concretizarão.

    Ícaro é o protótipo das pessoas que ultrapassam os níveis de possibilidade interior. Não aceitam a própria fragilidade de seu potencial e cedem ao ditador interno, que as constrange a agir acima de suas possibilidades. Esse déspota interior repre­senta uma auto-imagem falsa, construída sobre qualidades que você ainda não possui.

    Muitas vezes, as asas de cera não são percebidas logo e de forma clara; porém, quando notadas tardiamente, com certeza já se haviam instalados os sentimentos de fracasso, frustração e vergonha.

    Essas necessidades criadas artificialmente se revestem de uma aparente sensação de glória ou triunfo, nascidas só para com­pensar a vaidade e o orgulho, mas nunca conseguem atender ao verdadeiro coroamento da vida interior. Quanto mais a pessoa se exaltar com falsas qualidades e prerrogativas, mais se sentirá infe­riorizada e rebaixada com seus feitos improcedentes e obras injustificáveis.

    O vôo de Ícaro resulta em uma busca de enganosas reali­zaçÕes. Ao vencer as alturas, ele presumiu que tinha consolidado sua idealização efêmera, mas foi surpreendido pelos raios sola­res, que desmancharam a cera da ilusão. Como estavam ainda adormecidas suas reais potencialidades latentes, perdeu a sensa­tez e o equilíbrio, destroçando a si mesmo. Voou alto demais.

    O sentido dessa história mística é claríssimo: o sol - estrela provedora da vida na matéria - representa as leis da natureza obedecendo à Divina Providência. Esse “astro-rei” (lei natural) guia os homens em sua marcha evolutiva e corrige suas incoe­rências; por isso, queima-lhes as asas idealizadas, conclamando-os os ao equilíbrio e ao bom senso, e utilizando, sempre que preciso, da decepção ou da desilusão.

    O homem só se liberta através do próprio trabalho interior. Nenhuma tarefa é maior ou melhor que outra. Somente aquele que descobriu o seu dever na Terra é que pode ser libertado da cruz da causa e efeito, à qual a ignorância de si mesmo o pregou. 



Livro: Conviver e Melhorar - 23
Lourdes Catherine & Francisco do Espírito Santo Neto



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