terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Luz da Verdade




(imagem simbólica do que seria Paulo de Tarso na era cristã,
após a crucificação de Jesus Cristo)



"Nem sempre a luz reside onde a opinião comum pretende observá-la”. - Emmanuel – F. C. Xavier





Próximo a Damasco, Saulo de Tarso recebe a visita de Jesus, cuja luz ofusca a do sol do meio-dia, em pleno deserto, deixando-o cego. O Mestre o convoca ordenando-lhe que entre na cidade e aguarde instruções. Posteriormente, Ananias recebe do Senhor a incumbência de libertar Saulo de sua cegueira física, “e caíram-lhe dos olhos como que escamas”. Observamos, assim, que a luz nos chega de conformidade à nossa capacidade de recebê-la. A vontade do Mestre é soberana. Saulo registra o fato e se rende ao inevitável. Até então servia à lei de Moisés, dali em diante Jesus passaria a ser seu Senhor.

Saulo recebe a bênção do retorno da visão, as “escamas” que lhe cobriam os olhos foram afastadas, no entanto, as demais seriam retiradas pelo próprio doutor da lei através do trabalho árduo.

Conhecemos a história desse notável pregador. Temos pálida idéia de suas lutas em o Novo Testamento e o livro Paulo e Estevão. Sua renúncia, durante trinta e cinco anos, foi tão grande que o tornou merecedor, ao desencarnar, de ser recebido por Jesus ladeado pelos irmãos de Corinto – Estevão e Abigail.

Refletindo sobre a figura do sábio e bondoso Paulo, lembramos de seus procedimentos equivocados quando, na figura de Saulo, interpretou mal a lei mosaica e o sofrimento de que foi causador. Um engano terrível, mas teve a hombridade de se render às evidências e de se corrigir, pagando um preço muito alto. Deixou-nos uma herança de luzes através de suas inesquecíveis quatorze Epístolas.

Quantas vezes nos enganamos achando estar a verdade segundo nossa óptica, e dentro em pouco nos reconhecemos em erro e não temos a coragem de “sacudir o pó”, não só dos pés, mas do corpo inteiro pelo lapso e, covardemente, deixamos a natureza seguir seu curso. Daí um rastro de sofrimento. Como estar em paz diante dessas tragédias?

Decididamente “o lírio não fia e nem tece”, diz-nos Jesus, porém cumpre sua missão no jardim e no pântano. Suporta nossas incúrias quando, com mãos egoístas, o separamos de seu berço fenecendo-lhe o fulgor da beleza inconteste. Paulo nos lembra a figura do lírio ao brilhar nas situações mais adversas. Permaneceu fiel na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na escassez e na abundância. Sua fé diante das dificuldades foi inabalável. Quantos não “fiam e nem tecem” por preguiça, por comodidade? Temos, sim, o direito de mudar nossas atividades, porém os “feriados provocados” não são saudáveis. Deus não tira férias, Jesus também não.

A ave canta feliz, mas conquista seu próprio alimento, edifica seu abrigo; a flor tranqüila adorna-se e enfeita a nossa alegria e nos conforta na tristeza.

Nós nos devemos uns aos outros. Somos devedores do Planeta em que vivemos. A natureza nos dá exemplos variados, consoante os observados anteriormente, porém por comodidade, por ignorância interpretamos o que há a nossa volta de acordo com os interesses pessoais. O ensino de Jesus “não vos inquieteis pelo dia de amanhã, pois o dia de amanhã cuidará de si mesmo”, deu margem a que alguns acomodados buscassem o repouso imerecido.

Sendo jovem o nosso Planeta, no que concerne a evolução, ainda não apresentamos, terráqueos que nele aportamos, a beleza e o perfume do lírio. Mostramos com clareza as características das plantas espinhosas ao solicitarmos, velada ou ostensivamente, admiração e reconhecimento alheios, que não merecemos, apresentando um brilho apenas exterior, levando-nos a recordar “os túmulos caiados por fora, mas cheios de podridão por dentro".





Autor: Waldemar Petri
Jornal “O Espírita Fluminense”
Instituto Espírita Bezerra de Menezes – IEBM – Niterói – RJ
Setembro / Outubro 2011


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