quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A Luz dos Homens. A Luz Resplandece das Trevas



A Luz dos Homens. A Luz Resplandece das Trevas
Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens… (João, 1: 4)
A antítese entre luz e trevas é recorrente no texto bíblico. Aqui, porém, o redator evangélico relaciona luz com vida. Nele, estava a vida… a Vida está em Deus desde antes do princípio, ela é o vivo de nossas vidas. Aqui falamos não de vida no sentido biológico que é fruto da Criação do Universo físico, mas da Vida que é na expressão de Paulo o dom gratuito de Deus.1 Deste modo, o Verbo que era a ação criadora estava impregnado de Vida, e a Vida é a Luz dos homens, a existência de toda realidade.
Toda a criação estava em Deus; o Criador por um ato pleno de amor cria, isto é, exterioriza de si a criação. Criação da qual nós os homens conhecemos apenas uma minúscula parte que é o Universo físico. Outras existem em dimensões tão superiores que são inabordáveis por nós por mais evoluídos que sejamos.
Deus em sua transcendência é o eterno desconhecido, todavia, através de Sua Lei se faz compreensível na medida de nossas possibilidades evolucionais. A Lei em última instância é Amor, deste modo, toda vez que agimos em pleno acordo com o amor fechamos uma conexão indestrutível com o Criador gerando assim, Luz, Vida, Saúde.
Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens. Compreendemos deste modo que se nos falta sentido para um maior entendimento sobre Deus, porém já fica claro para qualquer um de nós que somos responsáveis pelo nossos estados de alegria ou tristeza, saúde ou doença, de paz ou de conflito íntimo. Sejamos um com Ele através da vivência da moral, que é Lei, e faremos Luz e Vida em nossa existência.
“…mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna.” (Romanos, 6: 23)

e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.  (João, 1: 5)
Já dissemos e voltamos a repetir que não temos como saber sobre o início da Criação devido a nossa pouca evolução e porque não há como no relativo em que nos situamos compeender o Absoluto. Todavia, a lógica nos leva pensar que a Criação primária é espiritual. É pouco provável que Deus tenha criado a matéria e o Universo material primeiro e depois o espiritual.
Nos primeiros movimentos do livro Gênesis há anotação de que no princípio Deus criava os céus e a terra2, o que nos sugere a criação dos céus (mundo espiritual) antes da terra (mundo físico). Porém, segundo a narração deste mesmo livro, no versículo três do primeiro capítulo surge a luz quando no versículo dois já relatava sobre a existência das trevas. Existia treva antes da luz? Como dissemos, é pouco provável. A luz representando o bem, o espiritual, a ação original do Criador é anterior a tudo. Então, como resolver esta contradição?
Atribuímos isto, segundo nossa humilde forma de analisar, ao modo de relatar dos redatores primeiros do texto bíblico. Eles partiram do que conheciam, o mundo físico, para só depois falarem sobre o que ainda era desconhecido, o mundo espiritual. Por isso, os livros que narram a Criação partem do mundo material para o espiritual, como se o espírito partisse da matéria para só depois atingir a condição plena, espiritual.
No Evangelho de João há em parte a correção deste fato. Nele temos no princípio o verbo (logos), a vida, a luz, e só depois surgem as trevas. Hoje com a nossa mentalidade já mais evoluída podemos depreender que as trevas não pertencem à Criação original, elas têm origem no uso indevido do livre arbítrio por parte do espírito que se voltou contra a Lei de Deus.
A luz resplandece (brilha) nas trevas, esta é a lógica do nosso Universo. A luz por si mesma é invisível, a luz incriada é inacessível á nossa condição material. Deste modo, é preciso que aja trevas para que possamos ver a luz. Todavia as trevas não conseguem compreender a luz, não conseguem apreendê-la , impedi-la. O significado do termo grego catélaben é controvertido, podendo ainda significar conter. Porém o sentido espiritual do versículo é claro e otimista; por maior que seja a treva ou o tenebroso em nós mesmos jamais conseguiremos apagar a luminosidade da essência espiritual que somos. A Centelha Divina vencerá sempre mesmo que fique adormecida por longo tempo. Lembremos que ela praticamente se apaga no mineral vindo a brilhar com todo o seu fulgor no espírito voltado para o bem. A Inteligência Suprema nos marcou para sempre, por isso o sentido da vida é para frente e para o alto.
Gênesis, 1: 1
Autor:
Claudio Fajardo de Castro (Juiz de Fora/MG)
Cláudio Fajardo é bancário, escritor desde 1997, dedica-se ao estudo do Novo Testamento à luz da Doutrina. Coordenou curso de Espiritismo no Centro Espírita Amor e Caridade em Goiânia – GO, denominado de Curso de Espiritismo e Evangelho. A partir daí surgiram seus livros: O Sermão do Monte, Jesus Terapeuta I e II, O Sermão Profético e O Sermão do Cenáculo, todos publicados pela Editora Itapuã.

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