quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

DEUS PROIBIU A PRÁTICA DO ESPIRITISMO?

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DEUS PROIBIU A PRÁTICA DO ESPIRITISMO?

by Dirceu Rabelo


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moises - MAR VERMELHO
Moisés e a cena da divisão das águas do Mar Vermelho, para que seu povo passasse em terra seca,  fugindo dos soldados do faraó egípcio.
Os nossos detratores nos apresentam o texto bíblico do Deuteronômio 18: 9/14, para argumentarem que "o Espiritismo foi proibido por Deus" ou o pior: "foi condenado"! Preliminarmente, perguntamos: como se poderia proibir ou condenar algo que não existia? O texto bíblico referido foi escrito há, pelo menos, quatro mil anos e o Espiritismo, como Doutrina Espírita, foi codificado por Allan Kardec, há, apenas, 151 anos...! Que disparate! Que "santa ignorância"...!
  Por que estamos considerando esta enorme diferença de idade? Porque temos que situar o Espiritismo no tempo e, enfatizamos, como Doutrina Espírita!
  Porque temos que esclarecer que o Espiritismo é confundido com os fenômenos, isto é, com as manifestações dos espíritos que sempre existiram, porquanto, desde que existem homens, existem espíritos e, consequentemente, sempre existiram as manifestações dos espíritos! Inclusive, é confundido com o mediunismo, isto é, com as práticas decorrentes da mediunidade empírica, porquanto, mediunidade é uma faculdade humana e independe de ser espírita ou não! Outrossim, o confundem com as práticas do chamado sincretismo religioso afro-brasileiro atuais e as antigas arroladas no Deuteronômio...
  O sincretismo religioso é um fenômeno sociológico natural, isto é, uma mistura de crenças e crendices. O Espiritismo é uma doutrina codificada: Na sua codificação não constam, evidentemente, as referidas práticas que os nossos detratores nos impingem! Assim, é, tão somente, uma discriminação sectária e sem fundamento! É bom lembrar que há confusão, inclusive, por parte dos nossos detratores, entre as Leis de Deus e as Leis de Moisés: as primeiras são sempre válidas; as segundas foram válidas para a época. Ide meus caros, por exemplo, apedrejar, até a morte, os filhos desobedientes e os casais adúlteros! Conforme o Deuteronômio, capítulo 21: 18 - 21 e capítulo 22: 22...
  Quanto ao tão decantado Deuteronômio capítulo 18: 9 - 14, em si, consideramos que Moisés foi muito sábio em proibir as práticas primitivas dos povos que eles dominaram, porém, esquecem-se de considerar que em Números 11: 26 - 29, lemos que vieram comunicar a Moisés que Eldade e Medade estavam profetizando no arraial, isto é, transmitindo comunicações de espíritos e Josué, reafirmando a proibição de tal prática, disse: "Moisés, meu senhor, proíbe-lho. Porém, Moisés lhe disse: Tens tu ciúmes por mim? Oxalá todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!"
  Aparentemente, Moisés estaria sendo contraditório, consoante o seu decreto; porém, o mesmo apenas proibia a ação de médiuns inescrupulosos que serviam a espíritos frívolos e embusteiros e não àqueles que "estavam entre os inscritos", palavras constantes do citado texto, espécie de "médiuns oficiais", então denominados "videntes" ou "profetas", através dos quais "consultavam Deus", a fim de obterem orientações e conselhos dos seus tutelares, fato incontestável de intercâmbio entre o mundo físico e o mundo espiritual.
  Se os nossos detratores insistem nas proibições do Deuteronômio, devem ser coerentes e observarem todas as leis mosaicas, além das supracitadas, como as do referido livro, capítulo 23: 13, e capítulo 25: 11 - 12, bem esdrúxulas para o nosso tempo, cuja transcrição omitimos, com respeito à sensibilidade moral dos nossos leitores. Acresce que a palavra Espiritismo é um neologismo criado por Allan Kardec ao tempo da codificação; logo, não existia antes, quando tínhamos, apenas, o Espiritualismo, base evidente de todas as religiões novas ou antigas e antítese do materialismo.
  Para finalizar, consideramos uma lição de Emmanuel: "Antes de tudo, faz-se preciso considerar que a afirmativa "consulta aos mortos", tem sido objeto injusto de largas discussões por parte dos adversários da nova revelação que o Espiritismo trouxe aos homens na sua feição de Consolador. As expressões sectárias, todavia, devem considerar que a época de Moisés não comportava as indagações do Invisível, porquanto o comércio com os desencarnados se faria com um material humano excessivamente grosseiro e inferior."
 O Consolador, Questão 274, psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Julio Laurentino de Lima - juliollima@gmail.com
(Artigo publicado na Revista Internacional de Espiritismo, Outubro/2005, pág. 488 - Casa Editora O Clarim - Matão-SP.)
Dirceu Rabelo | 19/12/2012 a 9:59 | Categorias: Doutrina EspíritaProfecias,Repassando | URL: http://wp.me/pN4N5-1fu

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