domingo, 2 de dezembro de 2012

O Guardião da Floresta




Naquela noite chovia muito. Mamãe Beija-Flor
estava em seu ninho cuidando dos seus ovinhos.
Estava próxima a chegada dos seus filhotinhos e
ela estava muito contente.

De repente os ovinhos começaram
a se partir e surgiram lindos
passarinhos

Mamãe Beija-Flor acariciava seus filhotinhos quando percebeu que um deles
era um pouco estranho. Ele era todo azul e tinha o bico branco. Mas estava
contente mesmo assim, e cuidava de todos com o mesmo carinho.

O tempo foi passando... passando...

Todos os passarinhos da floresta zombavam da Mamãe Beija-Flor
porque ela tinha um filhotinho esquisito. Ela não se importava porque
amava muito a todos.

Aquele passarinho diferente era conhecido
por todos como o Pássaro Azul.
Ninguém queria brincar com ele, nem seus irmãos,
porque ele era muito diferente.
Ele se entristecia e pensava:

- Porque ninguém gosta de mim?

A mamãe Beija Flor o vendo chateado
se aproximava e fazia-lhe carinho.
Ele então esquecia tudo e ficava contente.

Certo dia estava perto do Grande Rio e percebeu que tinha algumas
formiguinhas trabalhando, carregando folhinhas. Ele pensou:

- Eu acho que vou ajudá-las, vai ser divertido!

Pegou então uma folhinha com seu biquinho e colocou na entrada do
formigueiro.

Vendo aquele passarinho estranho perto da sua morada, um monte
de formigas se aproximou. Uma mais afoita disse:

- Que bicho esquisito, olha lá... Acho que ele quer tampar o formigueiro
para morrermos sufocadas. Ele quer acabar com a gente.
Vamos companheiras, ao ataque!
E correram todas em sua direção.

Todas gritaravam em
um só coro:

- Fora daqui pássaro malvado!

O Pássaro Azul voou rapidamente e
pousou numa grande árvore. Sem
entender o que se passou naquela
hora, ficou pensativo:

- Porque elas queriam me
machucar? Eu nada fiz, só
desejava ajudar...

Ficou parado ali um bom tempo
tentando chegar a uma conclusão.

Passaram-se alguns dias e ele, sempre
sozinho, brincava na copa das
árvores da floresta, quando
percebeu que uma pequena
largata andava distraída em
um galho próximo.

- Puxa! Como ela é bonitinha,
será que ela poderia ser
minha amiguinha?
Pensou...

Foi quando percebeu que ela estava em
perigo. O galhinho estava se partindo e
ela iria cair no chão.

Rapidamente voou, ficou embaixo
do galho sustentando todo o peso
com suas asas. Assim que ela
conseguiu atravessar o galho
se rompeu.

Dona Largata levou o maior susto.
Vendo o passarinho por perto,
começou a gritar:

- Você tentou me jogar no
chão! Fora daqui, vai
embora...

E o nosso amiguinho
voou novamente para
bem longe.

Pousou em uma pedra perto do Grande Rio e continuava pensando:
por que todos me mandam embora, por que não gostam de mim?

Olhou para dentro do rio e percebeu que uma Joaninha estava quase
se afogando.

Ela tentava desesperadamente subir em um tronco que estava boiando,
mas tudo em vão.

Sem demora, o Pássaro Azul arremessou uma pedra que estava ao seu
lado próximo da pequena joaninha criando assim uma ondulação na água.

Ela foi arremessada longe, caindo em terra firme.

Muito feliz por haver salvo a dona Joaninha, voou em sua direção e lhe
perguntou:

- A senhora está bem?

Ainda meio atordoada do susto, Dona Joaninha, muito irritada lhe falou:

- Você tentou me matar atirando aquela pedra em mim, seu passarinho
esquisito. Os habitantes da floresta correm muito perigo com você a solta.
Vou correndo contar ao Conselho Maior tudo o que se passou.
Temos de tomar providências. ..

O Conselho Maior que era representado
pelos mais importantes habitantes da
floresta foi convocado. Foi exigida a
presença do Pássaro Azul, e todos os
habitantes estavam lá para
o seu julgamento.

O representante das Formigas pediu a palavra e acusou o Pássaro Azul
de ter tentado entupir o formigueiro. A larva não se fez de rogada e falou
que ele havia tentado jogá-la no chão. Dona Joaninha, encabeçando a
lista de habitantes que se sentiam incomodados com a sua presença,
fez uma série de acusações.

O Pássaro Azul ouvia a tudo sem dizer nada. Até que toda a assembléia
começou a gritar:

- Fora daqui, fora daqui!

A decisão final foi unânime. Ele deveria sair da floresta.
Seria obrigado a viver na Grande Rocha, sozinho.

O Pássaro Azul foi então em direção a sua nova casa. Ele estava sozinho
e não podia mais entrar na floresta.

- Como vou fazer para me alimentar? Pensou e concluiu:

- Tenho de entrar na floresta e sair de forma que ninguém nunca me veja.

O tempo foi passando e ele sempre voltava à floresta, mas nunca deixava
que ninguém percebesse sua presença. Quase sempre encontrava alguns
animaizinhos em apuros e ajudava. Todos os habitantes da floresta
percebiam que algo estranho acontecia. Algumas vezes apareciam frutos
em lugares onde faltava alimento, filhotinhos que caiam das árvores e
não se machucavam.. .

Como muita coisa boa acontecia com freqüência, criou-se entre os
moradores da floresta a crença de que existia um anjo, um guardião
que protegia a todos. Ele somente estava realizando seus prodígios agora
que o Pássaro Azul não estava mais entre eles.

Todos estavam muito felizes e a paz reinou por longos anos. Todos
acreditavam na bondade do Guardião da Floresta e muitos passaram
a ajudar aqueles que tinham dificuldades em seu nome.

Certo dia, o Pássaro Azul já bem velhinho, saiu da caverna árida em
que morava na Grande Rocha. E pousou nas margens do Grande Rio.
Ficou ali muito tempo Quando ouviu uma voz suave lhe chamando:

- Pássaro Azul...

Tomou o maior susto porque ninguém poderia ver que ele estava ali.

Tentou rapidamente se esconder quando novamente ouviu:

- Não tenha medo...

Uma grande luz o envolveu naquele instante.

- Sou o Rei Dos Reis, aquele que construiu toda a floresta.
Você está cansado. É hora de voltar para a casa e desfrutar
das alegrias que conquistou.

- Mas, meu Rei, eles me expulsaram de lá, não posso mais voltar.

O Rei dos Reis em tom solene lhe ordenou:

- Olhe para o rio.

O Pássaro Azul olhou para a água. Foi a primeira vez em toda a sua
vida que viu o seu reflexo. Muito espantado exclamou:

- Eu sou da cor do céu!...

- Compreende agora? Você é um pedaço do céu que eu permiti que
fosse para a terra para ensinar a todos a fraternidade.

Neste momento, ele começou a chorar muito.

- Desculpe meu Rei, eu falhei. Ninguém se lembra de mim senão como
um malfeitor.

- Sim, é verdade. Do Pássaro Azul ninguém mais se recordará, entretanto
do Guardião da floresta, os séculos passarão e ele jamais será esquecido.
Ele será sempre lembrado, não por sua forma e beleza, mas por suas
atitudes de bondade.

- Mas ninguém sabe que fui eu! Exclamou o Pássaro Azul.

- Eu sei, e isso é o bastante. Falou o Rei dos Reis.Você foi fiel, agora
venha para os meus braços.

E o Pássaro Azul, sentindo uma alegria imensa, voou em direção ao
céu e desapareceu no horizonte.

Lá embaixo, na floresta, todos se sentiam felizes e amparados porque
acreditavam que existia um anjo bom que cuidava deles. O respeito e
admiração ao Guardião da Floresta desde então é passado de geração
para geração.

DIAS, Robson. O Guardião da Floresta. Pelo Espírito Vovó Amália. FEB. Livro eletrônico gratuito em www.vovoamalia. com. Livrinho da Série "As Histórias que a Vovó Gosta de Contar". 

* * * Estude Kardec * * *

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