quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Prodígios dos Falsos Profetas




"Levantar-se-ã o falsos Cristos e falsos profetas, que farão grandes prodígios e
coisas de espantar, a ponto de seduzirem os próprios escolhidos." Estas palavras dão
o verdadeiro sentido do termo prodígio. Na acepção teológica, os prodígios e os milagres são
fenômenos excepcionais, fora das leis da Natureza. Sendo estas, exclusivamente, obra de
Deus, pode ele, sem dúvida, derrogá-las, se lhe apraz; o simples bom senso, porém, diz que
não é possível haja ele dado a seres inferiores e perversos um poder igual ao seu, nem, ainda
menos, o direito de desfazer o que ele tenha feito. Semelhante princípio não no pode Jesus ter
consagrado. Se, portanto, de acordo com o sentido que se atribui a essas palavras, o Espírito
do mal tem o poder de fazer prodígios tais que os próprios escolhidos se deixem enganar, o
resultado seria que, podendo fazer o que Deus faz, os prodígios e os milagres não são
privilégio exclusivo dos enviados de Deus e nada provam, pois que nada distingue os
milagres dos santos dos milagres do demônio. Necessário, então, se torna procurar um
sentido mais racional para aquelas palavras.

Para o vulgo ignorante, todo fenômeno cuja causa é desconhecida passa por
sobrenatural, maravilhoso e miraculoso; uma vez encontrada a causa, reconhece-se que o
fenômeno, por muito extraordinário que pareça, mais não é do que aplicação de urna lei da
Natureza. Assim, o círculo dos fatos sobrenaturais se restringe à medida que o da Ciência se
alarga. Em todos os tempos, homens houve que exploraram, em proveito de suas ambições,
de seus interesses e do seu anseio de dominação, certos conhecimentos que possuíam, a fim
de alcançarem o prestígio de um pseudopoder sobre-humano, ou de Lima pretendida missão
divina. São esses os falsos Cristos e falsos profetas. A difusão das luzes lhes aniquila o
crédito, donde resulta que o número deles diminui à proporção que os homens se esclarecem.
O fato de operar o que certas pessoas consideram prodígios não constitui, pois, sinal de uma
missão divina, visto que pode resultar de conhecimento cuja aquisição está ao alcance de
qualquer um, ou de faculdades orgânicas especiais, que o mais indigno não se acha inibido de
possuir, tanto quanto o mais digno. O verdadeiro profeta se reconhece por mais sérios
caracteres e exclusivamente morais.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 21. Item 5. 

* * * Estude Kardec * * *

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