quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Ante as Provas Necessárias



Ante as Provas Necessárias


   Confessas-te, frequentemente, à beira do desânimo, à face das alfinetadas morais que te ferem a alma sensível:

   A roupa estragada;
   A perda de condução;
   A impensada desconsideração de um amigo;
   A frustração de um negócio que te propiciaria lucros sobre lucros;
   O comportamento infeliz de companheiro determinado em experiências difíceis.

Quando te vejas, assim, sob o impacto de aborrecimentos claramente remediáveis pelas tuas atitudes de serenidade e de paciência, deixa que as asas de tua própria imaginação te conduzam:

   Consultórios médicos,
   Clínicas de tratamento,
   Aos milhares de hospitais,
   Ambulatórios diversos e aposentos de enfermos ...

... A fim de ver e escutar, em espírito, tantos irmãos nossos que jazem comprometidos em desequilíbrios orgânicos muitas vezes irreversíveis.

—  Visita, pelo menos mentalmente:

   Os cegos,
   Os mutilados,
   Os paralíticos,
   Os presidiários esquecidos,
   Os doentes em supremo abandono.

   A dor dos pais amorosos, tombados em pauperismo e moléstias, incapazes de prover as necessidades do lar. As mães sofredoras que suportam a penúria dos filhos, como se trouxessem um punhal de fogo enterrado no coração...

... E aqueles outros companheiros nossos em absoluta e desesperada exaustão que suspiram pela morte, como sendo a esperada solução para os problemas aflitivos que lhes martirizam a alma.

   Pensa, alguns momentos por dia, nas provações e nas privações dos outros.

E aprenderás a somar as vantagens que te felicitam a existência, verificando enorme saldo de bênçãos em teu favor.

   Então, compreenderás que ao invés de nos queixarmos do mundo, ante as provas e as lutas que ainda nos incomodam, será talvez o próprio mundo que possua motivos para queixar-se de nós.

Emmanuel.


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