segunda-feira, 4 de março de 2013

Recordando Allan Kardec



Recordando Allan Kardec

Livro: Crestomatia da Imortalidade
Vianna de Carvalho & Divaldo P. Franco







        Sentindo aproximar-se a morte, o ilustre Codificador dá um balanço na vida.


        Recorda os estetas das gerações passadas que desfilam com glórias e decadências, através da sua mente luminosa. Examina o resplandecer da Ciência desde os seus primeiros dias e evoca as experiências de Lavoisier, Pascal, Leibnitz, Newton, Berthelot, Jussieu, titãs do conhecimento, desbravadores da Química, Matemática, Biologia, Zoologia, Física, Botnica..., e acompanha as lutas da Filosofia nas diversas escolas de Sócrates a Spinoza, de Aristóteles a Tomás de Aquino, e contempla o desfilar das Civilizações com seus heróis e bandidos, gênios e pigmeus, guerreiros e pacíficos, reis e plebeus, sentindo-lhes a nobreza ou compreendendo-lhes a miséria íntima.


        A obra, que os Espíritos do Senhor colocaram em suas mãos, aturde os homens e, sabendo que o ciclo de sua vida se fechará em breve, compreende a descomunal tarefa de prosseguir, sem desfalecimentos. É verdade que a obra gigantesca tem resistido a embate vários. Todavia, reconhece, que ainda não disse tudo. Sabe que a Codificação é apenas a semente da majestosa árvore que o tempo se encarregará de desenvolver, espalhando seus frutos pela Terra inteira.


        Nos dez anos que o separam do lançamento de O Livro dos Espíritos grande é a documentação em favor da Doutrina. Revisão e estudo, pesquisas e comprovação têm sido feitos diariamente, com cuidado e acendrado amor.


        Experimentado pelas tormentas e vicissitudes de vária ordem que lhe caíram sobre a cabeça de lutador incansável, tentando jungi-lo ao ferrete de escravocratas da ignorância e da estupidez, Kardec tem inabalável certeza da vitória do Espiritismo, através dos tempos, apesar da fragilidade dos homens. E porque pressente precursores nimbos de novas tormentas ameaçando a claridade meridiana do sol doutrinário que agora brilha, reserva, nas suas anotações, um capítulo aos desertores do trabalho e ensina que, fenômeno semelhante ocorrido com outras ciências, também o Espiritismo teria, nas suas fileiras, desertores e Judas.






        

        Metódico, sabe que o entusiasmo desenfreado, bem como a inépcia levada à condição de conhecimento, poderiam brilhar mais tarde, fazendo perigar o alicerce do honroso trabalho, Kardec diz com a sua pena vibrante: não são espíritas aqueles que usufruem quaisquer benefícios da comunicação dos Espíritos; aqueles cuja vida não seja um reflexo da crença que esposam; os gozadores, mentirosos e enganadores; os que exploram, utilizando-se de ardis e superstições; os que se mancomunam com a desonestidade e o desrespeito; os que acatam o vício e se acobertam na indignidade, tais não são espíritas.


        Encontram-se no Espiritismo, como passageiros desatentos de um veículo que não conhecem, ignorando onde devem saltar.


        O espírita, define o insigne pensador, será conhecido como lídimo cristão, ou, na acepção de Jesus, "através dos frutos".


        Organizando uma Doutrina sistematizada, definido em linhas basilares e imutáveis o programa doutrinário, Kardec fez do Espiritismo um monumento de aço para enfrentar os tempos, vencer os certames cruéis e permanecer incólume.


        Ensejando oportunidade aos detratores, afirmou que o Espiritismo seria científico ou não subsistiria, num século em que o cientificismo marcava as suas mais memoráveis conquistas. Informou que a obra até então apresentada não dizia tudo e certamente apresentava deficiências. Todavia, quando alguém apontasse um defeito, em parte ou no todo, os espiritistas estariam dispostos a caminhar ao lado da Ciência, colocando, assim, o Espiritismo a salvo da intolerncia dogmática e do sectarismo pernicioso.


        Com audácia invulgar, o mestre rompeu o véu do mistério que vedava ao profano a face íntima da Lei. Mas o rompimento do manto não permitiu a todos a mesma visão. Diferenciados os homens na escala evolutiva, nem todos podem atingir o fulcro do entendimento de um só golpe. Do Sol que nos ilumina, sabemos que apenas um terço fere a nossa visão, mas banhando-nos com a sua luz, beneficia-nos com os restantes raios caloríficos e outros. Daí, o haver ensinado que o espírita é um homem sedento, trabalhador infatigável e pesquisador incansável. Testemunhou-o ele próprio, como lidador constante, examinador intransigente, repudiando com o seu bom senso tudo quanto era dúbio ou deficiente para que a obra não se assentasse em alicerces fracos, podendo marchar ao lado das conquistas que se anunciavam para os séculos vindouros e fazendo o consórcio da ciência materialista com a ciência divina.








        Examinando-se o edifício doutrinário de outras crenças e comparando-o ao Espiritismo, pode-se dizer, sem medo de errar, que este, na sua feição sui generis, é o único que não é fruto de cisma nem resultante de fracionamento.


        Antes é a conseqüência de um estudo organizado, à luz dos fatos, logicamente encadeados, com características eternas, refletindo, em tudo, a promessa do Consolador que, vindo ter ao mundo, ficaria com os homens até à consumação dos evos.


        Agora, quando o Espiritismo, agigantando-se, envolve em seu manto de esperança os corações desarvorados, e de todos os lados se prenunciam borrascas, é necessário recordar Allan Kardec para se conhecer a Doutrina, a fim de que a superstição não receba foros de respeitabilidade, nem, tão-pouco, falsas concepções adquiram valor, criando intolerância e fazendo sectarismo destruidor. É necessário zelar pela fé, para que a nossa conivência com o erro e a ausência de exame racional não nos debilitem, conduzindo-nos ao desequilíbrio moral.


        Recordemos Allan Kardec, agora e sempre, para que a Codificação, essa grande desconhecida, possa brilhar em nossas vidas e possamos honrar-nos por sermos espíritas, demonstrando-o na conduta que mantivermos em nossa vida diária.






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