sexta-feira, 5 de abril de 2013

Incerteza e descrença



Incerteza e descrença






Expressiva a diferença entre a dúvida honesta e a incerteza sistemática.

A primeira desaparece ante a linguagem evidente do fato, constituindo-se segurança desta ou daquela qualidade. A segunda, entranhada na tecelagem íntima do caráter que investiga, transfere-se, muda de situação e insiste, depreciativa.

A dúvida não anula a fé, antes atesta-lhe a débil presença, enquanto a incerteza mórbida despoja a crença das qualidades que a legitimam.

Por um natural processo de transferência psicológica, o homem sempre supõe noutro o que lhe é familiar, o de quanto é capaz.

Desde que lhe parece factível ludibriar e mentir, em toda parte e em qualquer pessoa vê-se refletido, facultando-se atormentar pelo espinho da descrença.

Tais pessoas, as que descrêem por hábito, nas amizades, sentem-se marginalizadas;

. nas afeições, consideram-se traídas;
. nos negócios, supõem-se ludibriadas;
. na vida social, acreditam-se subestimadas;
. na fé religiosa, receiam ser enganadas...

Fazem-se fiscais do próximo, impenitentes, às vezes sorrindo, sob falsa superioridade com que ferem, desatentos, todos, por saberem-se em rudes conflitos.

Também as há nas lides espiritistas.

Aormentam-se e atormentam.

Aparentam uma retidão que sabem frágil, banindo a lídima fraternidade, por desejarem impor-se sempre.

No conceito de tais atribulados espíritos, todos estão em erro, menos eles. Ocorre que consideram o próximo conforme se consideram. No fundo, não encontraram deficiências nos a quem acusam. Ao contrário, gostariam de descobrir-lhes as imperfeições, a fim de se darem por compensados, ante a própria pequenez.

Não entres em litígio com eles.

Descarta-te gentilmente, se não puderes fazer outra coisa. Não te envolvas, porém.

Nutrindo senimentos de surda animosidade, que, conscientemente, desconhecem, são demolidores, fácil interfone para cruéis perturbadores desencarnados.







Judas, que se enganou no torvelinho de contínuas e infelizes incertezas e suspeitas, não era estranho ao Grupo Galileu, antes, fora membro de eleição e amigo de todos.

Perdoa, de tua parte, aqueles que de ti duvidam e te desconsideram, descrêem-te e amarguram-te as horas, porquanto, da mesma forma como darás "conta da tua administração", também eles serão examinados e considerados com o mesmo rigor com que se houverem em relação ao próximo.

De tua parte ama e confia, porque, em verdade, quem erra, mente ou trai, a si próprio prejudica.







Joanna de Ângelis  &  Divaldo P. Franco
Obra: Celeiro de Bênçãos.


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