quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Meu Credo Espírita


Muitos estão rezando os seus credos, eu também vou rezar o meu. Ei-lo: 

Creio num Deus único e eterno, inteligência suprema do Universo, causa primária de todas as coisas. Num Deus imanente, presente em tudo. 

▬   Creio em Jesus, filho de Deus, o Espírito mais perfeito que já apareceu aqui na Terra: 
 
  Pregando, 
  Ensinando, 
  E exemplificando a lição mais difícil de todos os tempos...
 
... A lição do "Amai-vos uns aos outros ". 
 
  Jesus, que não só ressuscitou, mas visitou em espírito os seus apóstolos, provando assim o intercâmbio entre o mundo visível e o mundo invisível. 
 
Jesus, que, no Monte Tabor, conversou com os espíritos de Moisés e Elias, mostrando dessa maneira que Deus não estabelece barreiras entre os chamados mortos e vivos. 

  Creio, portanto, que os espíritos existem, são imortais, e que podem se comunicar com os homens. Creio na mediunidade, fenômeno que está na origem de todas as religiões. 

Creio na evolução, processo libertador do espírito, muito bem expresso nestas palavras do escritor Léon Denis: "O espírito dorme no mineral, sonha no vegetal, movimenta-se no animal e acorda no homem". 

  Creio na reencarnação, a lei das vidas sucessivas, inapelável e justa, sem a qual como explicar as desigualdades do mundo? 

Não creio, por conseguinte, que o espírito nasça por ocasião da concepção, e sim egresso de longa peregrinação anterior. 

  Creio na lei de causa e efeito, que funciona automaticamente em todos os domínios da Natureza, fundada naquele preceito ensinado por Jesus: 
 
  "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", 
  "Quem mata pela espada, pela espada perecerá". 

Creio na caridade como meio de evolução do espírito e jamais numa fé sem obras, porque como pregou Tiago: "A fé sem obras é morta". 

  Creio na influência constante dos espíritos em nossas vidas, sejam evoluídos ou não. Não acredito em demônios, como seres eternamente voltados para o mal, o que viria comprometer a bondade e justiças divinas. 

  Creio que o inferno está dentro de nós, toda vez que sentimos o fogo do remorso ante às faltas cometidas. 
  Creio que o céu, assim como o inferno, é sobretudo um estado d'alma. Não há maior paraíso do que uma consciência em paz. 

  Creio na pluralidade dos mundos habitados. Impossível que esse grãozinho, que se chama Terra, perdido na imensidade cósmica, seja o único habitado. 

▬   Creio numa religião que não se envergonhe de seu passado, que jamais tenha levado às fogueiras e às torturas aqueles que divergiram de seus dogmas: 

  Cientistas, 
  Filósofos, 
  Santos. 

Creio numa religião que não imponha suas idéias aos seus adeptos. Nada do: "Crê ou morre". 

▬   Creio numa religião que sabe dar: 
 
  A César o que é de César, 
  E a Deus o que é de Deus, 
  Ensinando que nem só de pão vive o homem. 

Creio numa religião que prova a imortalidade da alma. Uma religião que ande de mãos dadas com a ciência. 

  Creio no espiritismo, doutrina codificada (e não fundada) por Allan Kardec, a 3ª Revelação, Consolador Prometido por Jesus, que veio revelar novas verdades aos homens, verdades que antes não podiam ser suportadas. 

Creio na vida terrena, com simples estágio no longo curso reencarnatório imposto pela evolução. 

Assim seja.

Carlos Romero.
Paraíba.




O Credo, a Religião do Espiritismo




 
.    Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom;
.   crer na alma e em sua imortalidade;
.   na preexistência da alma como única justificação do presente;
.   na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral;
.   na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos;


   
.   na felicidade crescente com a perfeição;
.   na equitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: "A cada um segundo as suas obras";
.   na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura;
.   na duração da expiação limitada à da imperfeição;
.   no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal;


  
.   crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível;
.   na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados;
.   considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterno;
.   aceitar corajosamente as provações, em vista de um futuro mais invejável que o presente;
.   praticar a caridade em pensamentos, em palavras e obras na mais larga acepção do termo;[font]



.   esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando toda imperfeição de sua alma;
.   submeter todas as crenças ao controle do livre-exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega;
.   respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém;
.   ver, enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus. 




.   Eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus. É o laço que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal.

Com a fraternidade, filha da caridade, os homens viverão em paz e se pouparão males inumeráveis, que nascem da discórdia, por sua vez filha do orgulho, do egoísmo, da ambição, da inveja e de todas as imperfeições da Humanidade.




  
.   O Espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso para a sua felicidade aqui na Terra, porque lhes ensina a se contentarem com o que têm. Que os espíritas sejam, pois, os primeiros a aproveitar os benefícios que ele traz, e que inaugurem entre si o reino da harmonia, que resplandecerá nas gerações futuras.

Os Espíritos que nos cercam aqui são inumeráveis, atraídos pelo objetivo que nos propusemos ao nos reunirmos, a fim de dar aos nossos pensamentos a força que nasce da união. Ofereçamos aos que nos são caros uma boa lembrança e o penhor de nossa afeição, encorajamentos e consolações aos que deles necessitem. Façamos de modo que cada um recolha a sua parte dos sentimentos de caridade benevolente, de que estivermos animados, e que esta reunião dê os frutos que todos têm o direito de esperar.






   Extraído do Discurso de Abertura pelo Sr. Allan Kardec à Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, na Sociedade de Paris, em 10 de novembro de 1868, sob o tema “O Espiritismo é uma Religião?”, que poderá ser lido integralmente na Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos, 11º ano, nº 12, de dezembro de 1868 – Revue Spirite Journal d’Études Psychologiques, publié sous la direction de Allan Kardec. 

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