terça-feira, 22 de julho de 2014

Resistir ao suicídio...


Resistir ao suicídio...
  João estava desesperado. Fora despedido. A empresa falira, engolida no egoísmo de quem a geria. A esposa, empregada fabril, tinha sido despedida há 2 meses.

João pensava nos 2 filhos que tinha para criar, de 15 e 17 anos. Almejava dar-lhes um curso superior, que agora ia pelo cano abaixo. Faltavam 10 anos para acabar de pagar o empréstimo da casa, e agora não tinha como.

  O futuro tinha fugido, de repente. Não tinha saída. A solução estava ali à mão de semear. Vivia perto da linha de comboio, perto de uma curva, seria uma morte rápida e sem grande dor, pensava no seu íntimo.

Nessa noite, deitou-se pela última vez ao lado da esposa, carcomida pelas dificuldades da vida, tal como ele. Olhou para ela, dormindo, cansada, e uma lágrima de tristeza misturada com ternura rolou pela face. Não podia fraquejar!

  Levaria o seu plano por diante, após a rotina diária de desempregado, após o café diário, no café do Sr. Joaquim. Assim não daria nas vistas.

Ajeitou-se nas mantas, e sem saber como nem porquê, lembrou-se da sua falecida mãe, que lhe falava do seu anjo da guarda ou guia espiritual. Nunca fora dado a essas coisas da espiritualidade. Ela morrera, e era apenas uma leve recordação.

Adormeceu.

  Teve um sonho muito nítido, onde se via lado a lado com um ser luminoso, que o levava a visitar um local sinistro, sombrio, onde a dor não tem palavras para ser relatada.

Olhou para uma tabuleta que encimava a entrada:
  Vale dos suicidas”.

O seu companheiro de viagem durante o sono (o seu guia espiritual), mostrava-lhe ali o estado de inúmeras pessoas, que pensando tudo acabar com a morte do corpo de carne, ali sofriam os horrores da desilusão.

  Até que um dia, por mérito próprio, sejam resgatadas pelos espíritos benfeitores, levando-as para um local mais calmo, em preparação para nova reencarnação.

Gritos, tiros, apitos de comboios, gemidos de dores, de tudo um pouco ouvia, e aquilo perturbou-o imenso.

Pediu para voltar. De repente, acordou alagado em suor. 5 da manhã! A esposa dormia tranquila…

  Que raio de sonho!”, pensou…

  Deviam ser preocupações devido ao que planeava. Mas, aquilo tinha sido tão nítido, que não conseguiu dormir mais, e continuou até de manhã, a matutar naquele sonho, que para ele, parecia realidade.

Se fosse daqueles que acreditavam nas coisas da espiritualidade, iria jurar que tinha sido real. Mas não, a vida para além da morte não existe, cogitava ele, enquanto se procurava acalmar.

  No dia seguinte, levantou-se fez a rotina diária, e enquanto tomava o café. no Café do seu bairro e lia as notícias do dia, antes do fatídico momento que tinha preparado, apareceu-lhe o Victor, amigo de sempre.

Pensava com os seus botões:

  Pobre coitado, o filho fora assassinado no bairro, faz quase um mês, sem ter culpa nenhuma, e o homem, mesmo assim aguentou-se”.

Depois dos cumprimentos da praxe, Victor mandou vir um café, pousando um livro sobre a mesa.

  Que andas a ler, perguntou o João?”

  Ah, é um livro que me tem ajudado muito”, disse o Victor. “Imagina que o André, o nosso vizinho é espírita, faz parte daquelas reuniões todas as 4ªs feiras, naquele grupo espírita ali à beira da mercearia do António.

  Nunca acreditei nessas coisas. Ele convidou-me a lá ir, e destroçado com a morte do meu filho, lá fui”.

  Oh homem, vim de lá novo.

  O espiritismo, provando a vida para além da morte, demonstra que o suicídio não faz sentido, sendo uma fonte de sofrimentos inenarráveis.





  Este livro, “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, abriu-me os horizontes da vida, tenho ido às reuniões, e venho sempre de lá melhor. Até tenho esperança de um dia receber uma mensagem do meu filho”.

João estava atónito, pois desconhecia a fé daquele homem, a quem tinham morto o seu único filho e esperança para o fim da sua vida.

  Queres ir lá um dia comigo, perguntou o Victor? Bem sei que não acreditas em Deus, mas vais ver que é diferente”.

  João irrompeu num pranto, soluçou, para espanto do seu colega de mesa e dos restantes que estavam nas mesas ao lado.

Depois de se acalmar, João lá lhe contou do seu projeto para dali a minutos quando o comboio passasse.

  Contou-lhe o sonho vívido que tivera, a lembrança repentina da sua mãe antes de adormecer, e agora aquele encontro inopinado, e ainda as mais inopinadas revelações da frequência do seu amigo às reuniões espíritas.

  Seria um sinal para que não se matasse? ...
  Cogitava agora em voz alta!

Victor pegou-lhe pela mão. Foram ao centro espírita.

▬  João pôde ali lavar a alma, com um dos dirigentes presentes, que lhe falou:

  Da comunicabilidade dos espíritos,
  Das inúmeras provas da imortalidade do espírito,
  Da reencarnação, e da esperança num dia melhor.

O comboio acabou por passar, apitando na dita curva, enquanto eles iam falando da espiritualidade e da imortalidade.

  Ali, naquele momento, João apanhou o comboio da vida de novo, e ainda hoje pensa que se não fosse o espiritismo, talvez estivesse naquele lugar do seu sonho, a carpir as mágoas, próprias de quem tenta em vão fugir da Vida e das leis sábias de Deus.

A esperança estava de novo ali, pois havia a perspectiva de ir trabalhar como jardineiro para a casa de um dos frequentadores do grupo espírita onde fora socorrido.

▬  Pensava com os seus botões:

  Nos momentos difíceis é fundamental…
  Resistir ao suicídio…

Desconheço a fonte.



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